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Alta da Selic vai levar inflação a ficar abaixo da meta, diz Copom

Para o comitê, elevação reflete "normalização parcial dos juros"

Por: Glaucia Melo Clark Fonte: EBC
11/05/2021 às 10h56
Alta da Selic vai levar inflação a ficar abaixo da meta, diz Copom
© Marcello Casal jr/Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) afirmou que elevar a taxa de juros Selic até um patamar considerado neutro vai levar a inflação a ficar "consideravelmente" abaixo da meta. A informação consta da última ata da reunião do comitê divulgada hoje (11). Na ocasião, o Copom decidiu elevar a taxa básica de juros para 3,5%.

De acordo com a ata, a alta chamada pelo Copom de “normalização parcial” dos juros reflete as opiniões do comitê sobre a política monetária adequada para a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante.

Esta foi a segunda vez no ano, que o comitê elevou a taxa em 0,75%. Com isso, a Selic está em 3,5% ao ano. Em março, o Copom elevou a Selic de 2% para 2,75% ao ano, após quase seis anos sem elevação.

O Copom decidiu elevar a taxa de juros em meio a um cenário de aumento da inflação de alimentos, combustíveis e energia. Segundo o Copom, com exceção do petróleo, os preços internacionais das commodities continuaram em elevação, com impacto sobre as projeções de preços de alimentos e bens industriais.

Além disso, o aumento na bandeira tarifária de energia elétrica deve manter a inflação pressionada no curto prazo. Para o comitê, o diagnóstico é de que os choques atuais são temporários.

Segundo o comitê, o cenário básico evidenciado nas pesquisas do boletim Focus indica que as projeções de inflação estão levemente inferiores à meta para 2022. As expectativas de inflação para 2021, 2022 e 2023 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 5%, 3,6% e 3,25%, respectivamente.

O Copom ponderou que os riscos fiscais de curto prazo seguem elevados, implicando um viés de alta nessas projeções. Essa assimetria no balanço de riscos afeta o grau apropriado de estímulo monetário, justificando assim uma elevação de juros de 0,75 ponto percentual nesta reunião.

“Adicionalmente, observou que elevações de juros subsequentes, sem interrupção, até o patamar considerado neutro implicam projeções consideravelmente abaixo da meta de inflação no horizonte relevante”, diz a ata da reunião.

Para o Copom a alta de juros deve ter uma elevação da mesma magnitude, caso não haja mudança nos condicionantes de inflação ou no balanço de riscos.

Atividade econômica

Para os membros do comitê, a despeito da intensidade da segunda onda da pandemia ter sido maior que a esperada, os últimos dados disponíveis sobre a evolução da atividade econômica doméstica “têm surpreendido positivamente”.

O Copom considerou que a pandemia produziu efeitos heterogêneos sobre os setores econômicos e que, enquanto o setor de bens opera com baixa ociosidade, o setor de serviços mostra dificuldades para se recuperar. O Copom avaliou que os dados de atividade e do mercado de trabalho formal sugerem que a ociosidade da economia, como um todo, se reduziu mais rapidamente que o previsto, apesar do aumento da taxa do desemprego.

“Para o Comitê, o segundo semestre do ano deve mostrar uma retomada robusta da atividade, na medida em que os efeitos da vacinação sejam sentidos de forma mais abrangente”, diz a ata.

O Copom diz ainda que a decisão de aumentar a Selic reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no ano-calendário de 2022.

“Neste momento, o cenário básico do Copom indica ser apropriada uma normalização parcial da taxa de juros, com a manutenção de algum estímulo monetário ao longo do processo de recuperação econômica. O comitê enfatiza, entretanto, que não há compromisso com essa posição e que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação”, reafirmou o Copom.

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