
Uma denúncia de violência durante uma operação da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, ganhou repercussão nesta quarta-feira (21). O assessor parlamentar Laender Luciano, de 53 anos, afirma ter sido agredido por seis policiais militares dentro de sua residência, no bairro Nações Unidas, durante uma ação realizada na tarde de terça-feira, 20 de outubro.
Em entrevista à Rádio Itatiaia, o assessor relatou ter recebido socos, chutes, coronhadas e ameaças de morte. Ele apresentou ferimentos no rosto e no corpo e afirmou que precisou receber pontos na cabeça e na face após o atendimento médico.
A Polícia Militar contesta a versão apresentada pelo assessor. Segundo a corporação, as equipes cumpriam um mandado de prisão contra um homem de 28 anos, e o morador teria tentado impedir a atuação policial, agredindo um dos militares. A PMMG informou que instaurou um procedimento para apurar a ocorrência.
Segundo relato de Laender Luciano, a ocorrência teve início no fim da tarde de terça-feira, quando ele ouviu os cães latindo e foi verificar o que estava acontecendo. Ao observar pela janela, percebeu a presença de seis policiais militares em sua propriedade.
De acordo com o assessor, ao questionar a entrada dos agentes, foi informado inicialmente de que os militares estariam à procura de dois suspeitos que teriam entrado no imóvel. Em seguida, ainda conforme sua versão, os policiais informaram que estavam no local para cumprir um mandado de prisão contra seu enteado, de 28 anos, que usava tornozeleira eletrônica em razão de uma denúncia de violência doméstica.
Laender afirma que pediu para ver o mandado judicial e tentou entrar em contato com uma advogada. Segundo ele, foi a partir desse momento que ocorreram as agressões.
O assessor relatou ter sido atingido com chutes na boca, nas costelas e no pescoço, além de coronhadas na cabeça.
Segundo ele, durante as agressões, os policiais também teriam feito comentários sobre sua tentativa de buscar assistência jurídica.
Laender afirmou ainda que um dos militares apontou uma arma para seu rosto e o ameaçou de morte. Em outro momento, seu telefone celular teria sido destruído pelos agentes.
O assessor também denunciou que foi enforcado com um pano até apresentar dificuldade para respirar.
Em vídeo encaminhado à Rádio Itatiaia, ele aparece com ferimentos e mostra um aparelho celular danificado, além de tecidos que, segundo seu relato, foram utilizados durante a ocorrência.
Laender disse que as agressões teriam durado aproximadamente uma hora. Conforme seu depoimento, o enteado foi preso durante a operação, mas não teria sofrido agressões.
As acusações apresentadas pelo assessor ainda dependem de investigação para esclarecimento das circunstâncias e eventual responsabilização dos envolvidos.
Após a abordagem, Laender e o enteado foram conduzidos pelos policiais para atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
O assessor afirmou que recebeu pontos na cabeça e no rosto e que continuava sentindo fortes dores. Ele também relatou suspeita de fraturas no maxilar e em uma costela, mas não havia confirmação desses diagnósticos nas informações divulgadas até então.
Depois do atendimento, os dois foram encaminhados à delegacia. Laender contou que foi informado de que não estava preso e que registrou um boletim de ocorrência antes de deixar a unidade policial.
Em entrevista à Itatiaia, ele declarou não possuir antecedentes criminais e levantou a suspeita de que a abordagem pudesse ter motivação política. Essa hipótese foi apresentada pelo próprio assessor e não foi comprovada.
Polícia Militar afirma que houve resistência durante cumprimento de mandado
Em posicionamento encaminhado à imprensa, a Polícia Militar de Minas Gerais apresentou uma versão diferente dos acontecimentos.
Segundo a 3ª Região da Polícia Militar, equipes do Tático Móvel do 61º Batalhão realizavam patrulhamento em Sabará quando iniciaram uma intervenção para cumprir um mandado de prisão em aberto contra um homem de 28 anos.
A corporação afirma que o procurado desobedeceu à ordem de abordagem e entrou em uma residência.
Ainda segundo a PMMG, um segundo homem, de 53 anos, tentou impedir a atuação dos militares e teria investido contra um policial com socos e chutes.
Diante da resistência relatada, os agentes teriam utilizado técnicas de contenção para realizar as detenções.
A instituição confirmou que os dois homens receberam atendimento médico e foram encaminhados à Polícia Civil para as providências legais.
Diante das denúncias, a Polícia Militar informou que abriu um procedimento apuratório para esclarecer os fatos.
Em nota, a corporação declarou:
"A PMMG já instaurou procedimento apuratório para esclarecer os fatos com transparência."
Até a publicação das informações consultadas, não haviam sido divulgados os nomes dos policiais envolvidos, eventual afastamento dos militares ou conclusões da apuração.
O caso reúne versões divergentes sobre a abordagem, as circunstâncias da entrada na residência e o uso da força pelos policiais.
A Folha de Sabará acompanhará os desdobramentos da investigação e eventuais manifestações das autoridades responsáveis pela apuração.