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Bahia recebe 123,5 mil turistas estrangeiros até julho

Levantamento da Embratur posiciona o estado como o principal destino nordestino para visitantes internacionais e o quarto do país no acumulado do ano. Com Salvador na função de porta de entrada, a chegada aos roteiros da Chapada Diamantina e do ar...

Por: Glaucia Melo Clark Fonte: Agência Dino
14/09/2026 às 16h35
Bahia recebe 123,5 mil turistas estrangeiros até julho
Imagem do Magnific

A Bahia contabilizou 123,5 mil chegadas de turistas internacionais entre janeiro e julho de 2026, volume 6,1% superior ao registrado no mesmo intervalo de 2025, de acordo com levantamento divulgado pela Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) em parceria com o Ministério do Turismo e a Polícia Federal. O resultado coloca o estado na liderança do Nordeste, à frente de Pernambuco, com 93 mil visitantes, e do Ceará, com 69,5 mil.

Salvador concentra a maior parte desses desembarques e funciona como ponto de partida para roteiros espalhados pelo território baiano. Da capital, parcela do público segue para a Chapada Diamantina, no centro do estado, e para o arquipélago de Tinharé, no litoral sul, percursos que combinam trechos rodoviários com travessias marítimas e exigem informação prévia sobre horários e conexões.

Felipe Oliveira Pedreira, CEO da Bahia Terra Turismo, agência que atua no estado desde 2006 na organização de traslados e passeios, avalia que a mudança vai além do número de desembarques. "O que a gente percebe na operação é que o turismo internacional está crescendo não apenas em volume, mas também em diversidade de perfil e de interesse. Salvador está recebendo mais estrangeiros, e isso acaba se refletindo diretamente nas agências receptivas, principalmente na procura por roteiros que combinam a capital com destinos de natureza e praia no interior da Bahia", afirma.

Caminhada no Vale do Pati exige preparo e organização

Entre os percursos de natureza mais buscados está o Trekking de três dias no Vale do Pati, dentro do Parque Nacional da Chapada Diamantina, unidade de conservação federal criada em 1985 e com pouco mais de 152 mil hectares em seis municípios baianos.

Segundo Pedreira, a diferença em relação a um programa de um dia precisa ficar clara já no planejamento. "No caso de quem quer fazer o Vale do Pati, é importante explicar que não é um passeio convencional. É uma experiência de trekking, com três dias de caminhada e duas noites dentro do vale, normalmente com hospedagem nas casas dos moradores locais. Os acessos mais utilizados passam por Guiné, no município de Mucugê, ou por outros pontos de entrada, dependendo do roteiro escolhido", detalha.

O executivo descreve a sequência do deslocamento: o trajeto até a Chapada Diamantina, com Lençóis ou Palmeiras como bases, seguido do transporte até Guiné, onde a caminhada começa em boa parte dos circuitos de três dias. Um roteiro típico passa pelos Gerais do Rio Preto, pelo Mirante do Pati e por áreas de cachoeira, com 10 a 18 quilômetros diários e variação expressiva de altitude.

Travessia marítima concentra as principais dúvidas

No litoral sul, o acesso a Morro de São Paulo depende de embarcação, já que a vila fica em uma ilha sem ligação rodoviária. A consulta a Horários de catamarã para Morro de São Paulo costuma ser um dos primeiros passos de quem vem do exterior, sobretudo pelo encaixe com os voos internacionais.

"Morro de São Paulo é um destino muito procurado justamente porque é relativamente próximo de Salvador, mas, para quem chega do exterior, a logística pode parecer mais complicada do que realmente é", observa o CEO. Conforme informa, há saídas diárias da capital, com percurso marítimo de aproximadamente 64 quilômetros e duração prevista de cerca de duas horas e meia, e a tabela do catamarã apresenta partidas às 9h e às 14h30, com retornos de Morro às 11h30 e às 15h.

O intervalo entre a travessia e o embarque aéreo aparece como cuidado central. De acordo com o executivo, a empresa responsável pela operação recomenda que o passageiro deixe pelo menos seis horas entre a saída de Morro e o horário do voo, já que o trajeto pode precisar ser feito no sistema semi-terrestre em caso de mau tempo.

Acesso mais restrito define o perfil de Boipeba

Vizinha de Morro de São Paulo no mesmo arquipélago, a charmosa Ilha de Boipeba registra movimento menor, sem ligação rodoviária direta com a capital.

"Boipeba tem uma característica muito própria. A dificuldade maior de acesso, que para alguns destinos seria um problema, acaba sendo parte da experiência que o visitante procura", assinala Pedreira. Entre as alternativas de chegada, ele cita o percurso por estrada até a região de Graciosa, seguido de lancha, além de opções que passam por Valença ou por Morro de São Paulo e do serviço de lancha rápida que parte da capital diretamente para a ilha.

Transporte, informação e infraestrutura

Para que a expansão das chegadas internacionais alcance os destinos fora de Salvador, o CEO aponta três frentes prioritárias. "Primeiro, precisamos melhorar a integração dos transportes. O turista internacional consegue chegar muito bem a Salvador, mas, a partir daí, a logística para chegar a determinados destinos ainda exige conhecimento local", diz, ao defender conexões mais previsíveis entre aeroporto, rodoviária, transporte terrestre e transporte marítimo.

A segunda frente envolve comunicação. "É preciso explicar claramente como chegar, quanto tempo leva, quais são as alternativas quando o clima muda, onde embarcar e o que o visitante precisa fazer em cada etapa", pondera. A terceira trata da estrutura dos próprios destinos, sem descaracterizá-los: conforme o executivo, Boipeba não precisa de turismo de massa e o Vale do Pati não precisa se converter em roteiro convencional, mas ambos demandam segurança, saneamento, conectividade, sinalização, capacitação e transporte adequado.

Com o estado à frente dos demais do Nordeste e Salvador consolidada como porta de entrada, a discussão do setor se desloca do volume para a distribuição desse movimento pelo território. "Eu acredito que o grande desafio da Bahia agora não é simplesmente trazer mais turistas. É fazer com que esse crescimento seja distribuído pelo território e gere renda para mais comunidades", conclui Pedreira.

Para mais informações, basta acessar: https://www.bahiaterra.com/transfer

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