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Nódulo na adrenal descoberto por acaso exige avaliação

Conhecido como incidentaloma adrenal, o achado é benigno na maioria dos casos, mas precisa ser analisado quanto à produção hormonal e às características apresentadas nos exames de imagem.

Por: Glaucia Melo Clark Fonte: Agência Dino
11/09/2026 às 19h06
Nódulo na adrenal descoberto por acaso exige avaliação
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O aumento do uso de tomografias e ressonâncias tem tornado mais frequente a descoberta de nódulos nas glândulas adrenais, também chamadas de suprarrenais. Esses achados fazem parte do grupo dos tumores de suprarrenal, denominação que abrange lesões benignas, produtoras de hormônios ou, mais raramente, malignas. Quando uma lesão é identificada em um exame solicitado por outro motivo, recebe o nome de incidentaloma adrenal.

A maioria desses nódulos corresponde a lesões benignas, principalmente adenomas, e não apresenta produção hormonal relevante. Ainda assim, o achado precisa ser corretamente avaliado para diferenciar as lesões que podem ser consideradas benignas daquelas que necessitam de investigação complementar, acompanhamento ou tratamento.

De acordo com as diretrizes da European Society of Endocrinology e da European Network for the Study of Adrenal Tumors, a avaliação inicial deve considerar dois aspectos principais: a possibilidade de produção hormonal e as características da lesão nos exames de imagem. O tamanho participa dessa análise, mas não determina isoladamente se o nódulo é maligno ou se existe indicação cirúrgica.

"Quando encontramos um nódulo na adrenal por acaso, as duas principais perguntas são se ele produz hormônios e se apresenta características suspeitas nos exames de imagem. Essa avaliação permite separar a grande maioria das lesões benignas daquelas que realmente precisam de investigação ou tratamento adicional", explica o Dr. Eder Nisi Ilario, urologista e uro-oncologista, CRM-SP 150.653 e RQE 66.503.

Produção hormonal precisa ser investigada

O médico explica que a avaliação hormonal busca principalmente identificar produção autônoma de cortisol. A investigação de feocromocitoma pode ser necessária conforme o quadro clínico, os sintomas e as características da imagem. Em pacientes com hipertensão arterial ou redução do potássio no sangue, também pode ser indicada a investigação de hiperaldosteronismo primário. A seleção dos exames depende das características clínicas e radiológicas de cada caso.

As diretrizes da American Association of Endocrine Surgeons também recomendam que pacientes com nódulos adrenais sejam avaliados quanto à atividade hormonal e ao risco de malignidade. Tumores funcionantes podem exigir tratamento mesmo quando apresentam dimensões reduzidas.

Imagem vai além do tamanho do nódulo

Segundo o uro-oncologista, na tomografia sem contraste, lesões homogêneas e com baixa densidade, até 10 unidades Hounsfild (HU), costumam apresentar características típicas de adenoma benigno. Nos casos que não possuem esse padrão, podem ser considerados outros elementos, como aspecto interno, comportamento após o contraste, crescimento e sinais de invasão de estruturas próximas.

A biópsia não faz parte da investigação rotineira de um nódulo adrenal. Segundo as diretrizes europeias, ela fica reservada para situações específicas, principalmente quando existe histórico de câncer em outro órgão, a lesão não foi caracterizada como benigna, o feocromocitoma foi previamente excluído e o resultado tem potencial para modificar a conduta médica.

"Nem todo nódulo precisa de acompanhamento prolongado ou cirurgia. A decisão depende da combinação entre atividade hormonal, características da imagem, evolução da lesão e contexto clínico do paciente", afirma o especialista.

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