Neste sábado (9/5), o projeto Vale do Lítio , iniciativa do Governo de Minas para estabelecer o estado como protagonista na cadeia de valor do lítio, completa três anos. Desde o lançamento na Nasdaq, maior bolsa de valores do mundo, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, a ação também promoveu o avanço econômico de municípios da região em diversas frentes.
O Produto Interno Bruto (PIB) do Vale do Jequitinhonha alcançou R$ 12,56 bilhões em 2023, segundo os últimos dados divulgados pelo IBGE. Entre as cidades com atividades minerárias ligadas ao lítio, Araçuaí e Itinga, o PIB dobrou após o lançamento do projeto, com aumento de 108,1% e 91,3% entre 2021 e 2023, respectivamente.
No mesmo período, o PIB per capita de Araçuaí cresceu 122,7% e Itinga 109,5%. Além disso, em números absolutos, Araçuaí apresentou o maior PIB per capita da região (R$ 31,5 mil), superando até mesmo municípios como Téofilo Otoni, que possui uma população quatro vezes maior.
Ainda, os Vales do Jequitinhonha e Mucuri mantêm destaque na abertura de empresas, tendo apresentado o maior crescimento proporcional em 2023 e 2025, e a segunda com melhor desempenho em 2024.
“Minas Gerais tem convertido o potencial do lítio em resultados diretos para a população do Jequitinhonha, com mais empregos, rendas e oportunidades. Observamos também uma diversificação na economia, uma vez que, a partir dos investimentos atraídos, outros setores, como serviços e comércio, também se tornam janelas de oportunidades para empreendedores da região”, afirma a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico , Mila Corrêa da Costa.
Cientistas transformam rejeitos em fertilizantes
A partir do projeto Vale do Lítio, o Governo de Minas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) , já destinou mais de R$ 13,2 milhões em projetos ligados ao mineral crítico.
Grande parte das pesquisas são desenvolvidas pela Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) na própria região. Uma delas é conduzida pelo professor do curso de Engenharia Hídrica, Alexandre Sylvio da Costa, cujo objetivo é reaproveitar o rejeito da mineração do lítio para produzir fertilizantes.
“Então, muitas vezes, aquele rejeito que para a empresa não tem valor, para outros processos, principalmente agricultura, pode ter um grande valor agregado. Estamos partindo para a etapa de campo, que vai ser desenvolvida lá na região com os produtores que produzem eucalipto para fornecer para a própria operação do lítio", explica Alexandre.
Além disso, pesquisadores da universidade também trabalham em um projeto voltado para a criação de baterias de lítio, uma das principais utilizações do minério na indústria de tecnologia atualmente.
“A nossa ideia é justamente criar tecnologias nacionais que possam entrar para a cadeia finalística desses produtos. Ter pessoas bem formadas nessa área é importante para que a gente não perca esse ‘trem’”, afirma o professor do Instituto de Ciência, Engenharia e Tecnologia da UFVJM, Douglas Santos Monteiro.
Investimentos verdes na cadeia do lítio
Desde a implementação do Vale do Lítio, em 2023, foram atraídos R$ 6,9 bilhões em investimentos privados, com previsão de cerca de 6 mil empregos gerados. Dentre os aportes recentes está o investimento de R$ 220 milhões da empresa indiana Altman na Companhia Brasileira de Lítio (CBL) para a ampliação das operações da planta de refinaria da empresa localizada em Divisa Alegre, no Norte de Minas.
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