
Aleijadinho veio para Sabará enviado pela Ordem Terceira do Carmo de Ouro Preto. Segundo o historiador Zezinho Bouzas, o mestre da arte barroca passou pela cidade em duas ocasiões, sendo a primeira em 1770 quando fez a portada e as peças em pedra sabão da fachada da Igreja do Carmo. Já a segunda foi no fim do século XVIII quando produziu as peças internas da mesma Igreja.
O historiador explica que o escultor refez o risco da Igreja do Carmo, ou seja, elaborou um novo projeto porque o que existia era um pouco ultrapassado.
?Ele fez as imagens de São João da Cruz e São Simão Stock em quase tamanho natural que são valiosíssimas. Essas duas imagens são fatura dele mesmo, sua equipe não teve participação. Já outras foram feitas com a equipe, como a grade principal da igreja que divide a nave em três partes e que é talhada em cedro e jacarandá. Ele também produziu o conjunto do coro que é bem trabalhado. Aleijadinho criou dois atlantes conhecidos popularmente como Sansão que dão a impressão de sustentar o coro. Além disso, fez os dois púlpitos com os tambores com temas do evangelho?, conta Zezinho Bouzas.
Além dos trabalhos citados, há uma imagem de Sant?Ana Mestra localizada no Museu do Ouro que também é atribuída a Aleijadinho por especialistas. A imagem é originaria da Capela de Nossa Senhora do Pilar de Sabará. Outra raridade que se encontra na cidade é o livro de termos da Ordem Terceira do Carmo, uma ata de reunião, que cita textualmente o seguinte: ?deu entrada nesse consistório (local de reunião) Antônio Francisco Lisboa ? o Aleijadinho?. ?Isso é raríssimo porque nunca vimos outra citação como esta?, diz Zezinho.
O historiador conclui falando da importância da passagem de Aleijadinho por Sabará para a história do município. ?O trabalho dele em nossa cidade foi muito marcante. Em termo de arte tem um peso muito grande porque Aleijadinho é considerado o maior artista do barroco na América do Sul no período colonial. Aleijadinho é o Leonardo Da Vinci mineiro. Sabará teve a honra de receber um trabalho dessa figura importante. Precisa ser mais valorizado?, finaliza.