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Mercado de trabalho acessível é desafio para área de RH

Gestores de RH e demais profissionais interessados no tema têm o desafio de tornar o mercado de trabalho mais acessível e acolhedor a pessoas com T...

Por: Glaucia Melo Clark Fonte: Agência Dino
30/10/2024 às 15h50
Mercado de trabalho acessível é desafio para área de RH
Rafael Kosoniscs

Um mercado de trabalho acessível e acolhedor passa também pela inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e com Deficiência Intelectual (DI) nos ambientes corporativos, o que traz novos desafios para gestores de RH e todos os demais profissionais interessados no tema.

A fim de oferecer ferramentas para viabilizar essa integração, o programa Coexistir realizou no dia 24/10, na sede do Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios do Estado de São Paulo (Sincovaga-SP)", a palestra “Compreendendo o Autismo e a Deficiência Intelectual no Mercado de Trabalho”, com a participação de Camila Citron, fundadora do Instituto Interagir, psicóloga comportamental, neuropsicóloga e especialista em TEA e outros transtornos do desenvolvimento, e de Fabiano Leal, musicoterapeuta e educador musical, que atua na área do autismo e outros transtornos do desenvolvimento.

Ao violão, ele se encarregou de receber os participantes no auditório, reforçando, entre uma canção e outra, que “a música conecta, ensina e comunica, independentemente de as pessoas terem ou não um diagnóstico de TEA ou DI”.

Camila iniciou sua apresentação falando a respeito da legislação sobre inclusão e das definições e características do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e Deficiência Intelectual (DI), que não envolvem apenas a dificuldade de comunicação e de interação social, mas também os comportamentos restritos e repetitivos e possíveis queixas de sensibilidade sensorial.

“Cada pessoa com TEA tem um conjunto de habilidades e necessidades, sendo uma condição singular de grande variabilidade. Já a deficiência intelectual, que se caracteriza por limitações no funcionamento intelectual e no comportamento adaptativo, é uma comorbidade do TEA”, explicou a especialista. “Dessa forma, também há diferentes níveis de suporte e apoio que esses indivíduos demandam, dependendo do transtorno que apresentam, seja leve, moderado ou severo”.

Fabiano destacou que a empatia é essencial para oferecer esse suporte. “Quem lida com esse público não pode ter medo ou ansiedade porque vai encontrar alguém com uma condição bem diferente da sua. A comunicação tem de ser clara, objetiva e assertiva para que consigam desenvolver suas potencialidades”, disse o musicoterapeuta, que incentivou os presentes a cantar juntos mais uma música.

Na sequência, Camila destacou os diferentes gatilhos que podem gerar desconforto no ambiente de trabalho a quem tem TEA, que vão desde a carga sensorial (por poderem apresentar sensibilidade reduzida ou aumentada), mudanças repentinas de rotina (alterações sem aviso), ambiguidade nas instruções, interações sociais exigentes, sobrecarga de tarefas, falta de pausas e espaços tranquilos, até devolutivas e críticas mal comunicadas.

“Para uma inclusão eficaz é preciso conhecer o profissional, preparar e treinar a equipe que vai trabalhar com ele, usar sempre uma comunicação clara e direta e proporcionar um ambiente acessível, sem gatilhos, além de mostrar etapas claras de trabalho”, orientou.

Ela também chamou a atenção para o processo seletivo, que precisa ser adequado, começando pelo ambiente, que deve ser tranquilo, e pelo roteiro, que deixe claro o que se espera do candidato, com questões diretas e específicas, evitando as perguntas muito abertas.

“A flexibilidade de quem entrevista também é importante, porque a pessoa não necessariamente vai comunicar o que e como esperamos. Além disso, o foco deve estar nas habilidades, nas potencialidades e interesses do candidato. Sempre lembrando que a previsibilidade é essencial: informar o conteúdo, a atividade e o tempo de duração colabora para a assertividade do processo”, concluiu Camila.

Ao final, Maria de Fátima, coordenadora do Coexistir, destacou o papel do RH, tanto para melhorar o ambiente das empresas quanto a própria sociedade. “Ao aprimorar o processo seletivo para uma pessoa autista, surda ou cega, eu melhoro o processo para todos. E é aí que o RH se mostra estratégico para as empresas e deveria ser mais valorizado. Nós preparamos o ambiente para receber a pessoa, formulamos as perguntas para entender o potencial que ela tem para aquela atividade e que às vezes nem ela sabe que tem. Trabalhar em um supermercado, que é algo trivial para muitos, pode ser o sonho de uma pessoa com deficiência intelectual. Nós podemos transformar a vida de alguém com TEA ou DI com muito pouco”, completou.

Com o objetivo de compartilhar esse conteúdo, o Coexistir, em parceria com a Camila Citron, desenvolveu a cartilha gratuita “Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Deficiência Intelectual (DI) no Mercado de Trabalho”, que traz também sugestões de perguntas para aplicar no processo seletivo. A cartilha pode ser acessada pelo link: https://materiais.coexistir.com.br/tea-e-di-no-mercado-de-trabalho




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