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A tradição das festas juninas no Brasil: um patrimônio cultural que encanta gerações

A festa junina é uma celebração vibrante e centenária que une tradição, cultura e alegria em diversas comunidades pelo Brasil. Originada na Europa e adaptada pelos colonizadores, essa festa é um símbolo da identidade cultural brasileira.

Por: Glaucia Melo Clark Fonte: José Arcanjo Bouzas
03/07/2024 às 11h49
A tradição das festas juninas no Brasil: um patrimônio cultural que encanta gerações
Foto: Igreja d

A festa junina é uma das manifestações mais interessantes e tradicionais do calendário religioso e folclórico do Brasil, e pode ser visto em várias partes do território. 
A sua origem vem dos tempos em que os povos da Europa, da Ásia e Àfrica, acendiam fogueiras e organizavam danças, jogos e brincadeiras para comemorar a boa colheita. 
 A sua introdução nas fazendas de engenhos do nordeste e nos arraiais, no início do povoamento do Brasil, se deu através dos colonizadores, que trouxeram seus costumes e tradições, como as danças realizadas nos salões espelhados da Europa, copiadas pela nobreza local e incorporadas às manifestações rurais do século XIX, quando apareceu a popular “Quadrilha”, cujo nome vem da dança feita em grupo, em forma de quadra ou quadrado. Surgiram daí, os “anavans” – para frente - e  os “anarriês” - para trás - , abrasileirados do francês. Na região, a festa homenageia Santo Antônio, São João e São Pedro, faz parte do calendário turístico/religioso,  e só perde para o natal em termos de faturamento, atraindo multidões que dançam movimentadíssimas quadrilhas, por um mês inteiro. Se pudessem, fariam a festa o ano todo.   
 Em Minas também são realizadas belas festas juninas, principalmente nas escolas e nas comunidades. Em Sabará, vários grupos de dança de “quadrilha”, se apresentam pela cidade durante o mês de junho. No antigo Arraial do  Pompéu, em Sabará, a festa de Santo Antônio é bem caprichada e bonita, realizada junto à velha Capela dedicada ao santo lisboeta. 
No Adro da Capela de Nossa Senhora  do Ó, região  originalmente conhecida como  Arraial de Tapanhuacanga (cabeça de negro), São João é homenageado há mais de  cem anos. A festa   é realizada ainda hoje, por três dias, como nos velhos tempos, quando eram vendidos doces, salgados, caldos e canjicas e ss mais ousados, trepavam no “paus de sebo”, para ver se conseguiam abocanhar o dinheiro que era colocado no alto. Hoje não tem mais o velho “Boi da Manta”, manifestação tipicamente sabarense, semelhante aos Bumba Meu Boi, Boi Bumbá, o Boi Garantido ou o Boi Precioso, do norte e nordeste do país. A música também não é a mesma.  
No antigo Arraial de Santo Antônio do Bom Retiro da Roça Grande, onde Borba Gato chegou em 1674, isto é, à 350 anos, a festa que é dedicada ao Santo Taumaturgo -  que cura - ,  mais conhecido, atualmente, como santo casamenteiro, atrai multidões de fiéis devotos, porém está bastante modificada e comercializada, apesar dos esforços de alguns abnegados moradores e devotos, que tem procurado manter algumas de suas tradições. Mas a festa ainda é animada. 
Nas festas juninas, os “fogos” simbolizam a alegria, os “balões”, levam mensagens ao santo protetor, a “fogueira” é o sol que esquenta as frias noites e as “bandeirolas” representam as nações. 
São João é o protetor da zona  rural (ele é sempre representado carregando um carneiro)  e incorporou à festa, lendas, adivinhações e superstições.
Não temos mais as festas nas ruas, como ocorria no São Francisco ou nas Mercês.  
 A permanência desta tradição pode e deve ser mantida e preservada, para que fique na memória do nosso povo, e, para que as gerações futuras possam também usufruir de suas delícias.
   
Texto de José Bouzas  - historiador 

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