O Desafio da educação: responsabilidade compartilhada entre poder público, pais e filhos
No trajeto da vida, as histórias de superação são como faróis, iluminando os caminhos possíveis para qualquer um que ouse sonhar e trabalhar duro para alcançar seus objetivos. Um exemplo disso é Luiz Fernando Simões, um jovem talentoso que nasceu no bairro Alto do Fidalgo, que iniciou sua jornada nas escolas públicas de Sabará, mas conquistou o mundo.
Filho de Ademir Lopes Simões e Elisângela de Conceição Theodoro Simões, professora da rede municipal, ele estudou na rede municipal de ensino, começando na escola José Rodrigues da Silva e depois indo para o campo, onde cursou o ensino fundamental na escola Eurico Gaspar Dutra. Em seguida, ele foi para a escola Bilu de Figueiredo, sempre buscando estudar em escolas públicas por questões de acessibilidade, proximidade e financeiras.
"Nasci e fui criado aqui em Sabará. Sempre estudei perto de casa mesmo e sempre estudei em escolas públicas. Não depende apenas da escola, depende também da pessoa, das condições familiares, do tempo que você tem, do tempo que você aplica", contou Luiz.
Apesar das limitações financeiras e das condições desafiadoras, Luiz destacou o apoio fundamental de sua mãe, uma educadora dedicada, que o incentivou desde cedo a valorizar a educação e buscar sempre mais conhecimento. "Acho que ela sempre incentivou bastante a gente, para a gente estar e dar valor à escola, poder estudar e buscar um pouquinho mais", compartilhou.
Ele também falou sobre o apoio do pai que o incentivou a estudar inglês em Casa, já que Ademir trabalha como guia de turismo, e fala inglês fluentemente fazendo tradução para turistas estrangeiros.

Luiz Fernando entre os pais Ademir López Simões e Elisângela de Conceição e as irmãs Luiza Mariana Simoes e Laura Camila Simões
Um dos momentos mais importantes de sua jornada ocorreu ao concluir o ensino fundamental e decidir ingressar no Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG). "Eu decidi de última hora, estudei em casa por conta própria e passei de primeira. Pra mim foi uma grande oportunidade porque vi que o nível de educação de lá era outro, era algo muito mais avançado", relembrou Luiz.
A falta de representatividade de alunos de escolas públicas também foi um desafio inicial. "A maioria das pessoas que tinham no meu curso eram de poder aquisitivo maior, de escola particular, eram pessoas que tinham uma condição, tinha um tempo de poder se aplicar mais para estar ali dentro. Dois anos depois que eu entrei, eles aplicaram uma lei de cotas que tinha 50% das vagas para pessoas com renda de três salários. Então, acho que deu uma corrigida nisso", explicou.
Mudança
de perspectiva
Apesar das dificuldades, Luiz se destacou no CEFET, confirmando sua paixão pela engenharia e continuando seus estudos na Pontifícia Universidade Católica (PUC), onde conciliou trabalho e estudos para sustentar sua formação. A experiência de trabalhar e estudar o preparou para enfrentar desafios futuros, inclusive a decisão de buscar oportunidades acadêmicas no exterior. Foi durante seu curso na PUC que ele teve a oportunidade de fazer um intercâmbio na Itália, na Universidade de Bolonha.
Essa experiência despertou nele um interesse pela vivência no exterior e pela possibilidade de realizar um mestrado, vislumbrando a possibilidade de uma formação mais completa e enriquecedora. Após uma busca por programas que se alinhassem com seus interesses e oferecessem apoio financeiro, ele decidiu seguir esse novo caminho, deixando para trás uma carreira profissional estabelecida no Brasil. "Embora eu não me considere um gênio, acredito que meu esforço e dedicação me colocaram acima da média", disse.
Luiz que está fazendo um mestrado em Engenharia Civil começou seus estudos na França, após passar em segundo lugar entre quinze selecionados, depois foi para a Itália e agora está na Grécia. No próximo semestre, planeja voltar para a Itália, mas também há outras opções de países participantes, como Bélgica e Polônia. Para participar do programa Erasmus Mundus, era necessário possuir um nível avançado de inglês, já que todas as disciplinas eram ministradas nesse idioma. No entanto, Luiz nunca frequentou cursinhos pagos de inglês, mas fala a língua fluentemente.
A mudança de perspectiva de Luiz mostrou não apenas sua busca por crescimento pessoal e profissional, mas também a importância de estar aberto a novas experiências e oportunidades. Sua história inspira outros a considerarem as possibilidades que o estudo no exterior pode oferecer, enriquecendo suas vidas e ampliando horizontes.
Como Luiz, muitos outros podem encontrar nas oportunidades internacionais uma chance de se aprimorar academicamente e profissionalmente, construindo um futuro promissor e cheio de realizações. A vida é feita de escolhas, e cada decisão molda nosso destino. Para aqueles que contemplam uma jornada acadêmica no exterior, a mensagem de Luiz é clara: esteja aberto ao desconhecido, pois é lá que muitas vezes encontramos o melhor de nós mesmos.

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