As ruas tricentenárias de Sabará foram palco no dia 29 de maio do projeto ?Linguagem e Memória: a educação estética numa série de cidades?, da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), que contou com a participação de duas alunas de pedagogia. Ricardo José Camêlo da Silva, professor de filosofia e coordenador do projeto, falou sobre o objetivo do trabalho.
?O projeto consiste em aulas peripatéticas, ou seja, que remontam ao Liceu de Aristóteles na Grécia Antiga, em que as principais características são as aulas caminhadas. Os discípulos de Aristóteles saíam caminhando e fazendo reflexões filosóficas. Com este princípio nós acreditamos que nas cidades do Ciclo do Ouro seria interessante fazer esse tipo de aula. Em Sabará a reflexão foi sobre o barroco e teve o propósito nesse primeiro momento de compreender quais elementos fazem parte dessa expressão artística, sendo que as obras de Aleijadinho são fundamentais dentro desse processo?, explica Ricardo José Camêlo da Silva.
O coordenador conta ainda que o projeto surgiu há dez anos em Congonhas e já passou por cidades como Ouro Preto, Mariana e Brumadinho e chegou a Sabará por indicação da professora Darsom de Oliveira, que é moradora da cidade e também participou da caminhada. Nesse primeiro momento duas alunas da UEMG estiveram na aula que contou com a participação do historiador Zezinho Bouzas, que fez uma palestra durante o trajeto. As estudantes partiram da Igreja do Carmo em direção a Igreja do Rosário, depois foram para a Igreja do Ó e terminaram a caminhada no Kaquende, sempre debatendo o barroco e suas características.
Durante todo o percurso as alunas conversaram com os moradores e os instigaram sobre a história da cidade. Além disso, a visita foi registrada em fotos e áudio. O material será utilizado em aulas dentro da universidade e em projetos futuros.
?Nossa visita foi muito positiva e pretendemos dar um retorno a comunidade sabarense porque quando a pessoa compreende o espaço em que vive ela passa a respeitar esse lugar e ajuda a preservá-lo. Queremos fazer um novo contato com a comunidade trazendo esse material que está sendo produzido talvez em uma exposição futuramente. O projeto se estende até novembro e pretendemos ampliá-lo para mais alunos da faculdade e levá-lo para os estudantes da rede pública de Sabará?, explica o coordenador.
A professora Darsom de Oliveira disse que quer instigar os sabarenses sobre a importância da história da cidade. ?As riquezas de Sabará ainda estão muito escondidas. Sinto que a cidade vai se perdendo nesse conhecimento, mas percebemos que os moradores querem que a cidade seja vista e tenha essa memória?, finaliza.