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Rua Dom Pedro II: seus moradores e suas histórias

Rua Dom Pedro II: seus moradores e suas histórias

15/07/2016 15h48
Por: Glaucia Melo Clark
Rua Dom Pedro II: seus moradores e suas histórias

Cada casa uma história, em cada palavra novas emoções. As falas dos moradores da Rua Dom Pedro II ajuda a traçar a emoção, os avanços, os pontos positivos ou negativos de se morar em uma rua tradicionalmente conhecida como o coração de Sabará.

CASA 33

FAMÍLIA GOMES:

Situada no início da rua, a casa 33 pertence hoje ao Sr. Lincon Eustáquio Gomes. Ele tem 73 anos e mora na residência há 30 anos. “Esta casa está com a nossa família por cerca de 50 anos; meus irmãos foram criados aqui, mas eu vim um pouco mais tarde. Morava aqui com minha tia Angélica e quando ela faleceu a casa ficou comigo. Esta rua nunca foi tão emblemática para mim ou para minha família. Tirando a bandidagem que se apossou da escadaria da casa da frente, o resto é tudo calmo. Aqui é um local tranquilo, mas sem muitas coisas interessantes; já os vizinhos são ótimos, cada um em seu canto. Se tivesse um pouco mais de segurança, seria um ótimo local de se morar”, afirma o sr. Eutáquio.

CASA 52

FAMÍLIA RODRIGUES:

De arquitetura renovada a construção pertence ao senhor Walter Emanuel Rodrigues, conhecido como Tim; mas quem conta a história da chegada da família na rua Direita é a filha do sr. Walter, a estudante Sofia Rodrigues. “Esta casa está na família há aproximadamente 70 anos. Meu avô, José Rodrigues dos Santos, era funcionário da Central do Brasil – estação ferroviária, e em uma das estações do trem ele acabou conhecendo minha avó. Depois eles vieram morar aqui em Sabará devido minha bisavó ter uma pensão na entrada da cidade, dona Carola. Inicialmente meus avós moraram em um sítio da família no Morro Santa Cruz, depois de uns 10 anos vieram parar nesta casa. Segundo meus pais, este local antes era um chafariz e depois foi construído esta casa, através do médico Augusto Dias e mais tarde passou para minha família. Meu pai conta que quando jovem a nossa casa era a única da rua que tinha televisão e todos os moradores e amigos de infância do meu pai e tios se reuniam para jogar futebol e outras brincadeiras, e vinham para esta casa assistir televisão. Atualmente, de nove filhos criados nesta rua, só dois moram aqui na cidade”, disse.

CASA 73

FAMÍLIA STARLING:

O exuberante sobrado da família Starling é outro destaque da rua. Silvânia Maria Starling tem 60 anos, ela conta que mora na casa desde que nasceu. Sua mãe era sabarense e seu pai veio de Baldin; assim como Silvânia, seus oito irmãos também foram criados na cidade. Ela explica que, antes de sua família, o sobrado pertencia a família Passos e até hoje é um dos poucos solares da rua que preserva sua característica quase original, poucos detalhes foram alterados ao longo dos anos. “Todas as construções desta rua mantêm um padrão, a maioria com suas fachadas ainda originais; são imóveis que só podem sofrer intervenções com autorização do IPHAN, o que enriquece ainda mais o local. Não considero a rua a mais importante, mas talvez a mais tradicional. Aqui só não é mais tão calmo devido o crescimento da cidade e da população, o ‘progresso’; mas já somos acostumados com o movimento”, completa a sabarense.

CASA 90

FAMÍLIA DOLABELA:

A casa de dona Maria Dalila Dolabela, talvez seja a mais antiga da rua. Ela conta que a construção tem mais de 200 anos. “Esse sobrado pertenceu ao meu avô Alípio Alves da Silva Melo – ele tem uma história muito grande aqui em Sabará. Ele nasceu em Barbacena e chegou à cidade ainda antes da Abolição. Formou em advocacia no Rio de Janeiro e depois veio ainda solteiro para esta cidade. Chegou a ser promotor da Comarca Sabarense e fundou uma escola no antigo bairro Fogo Apagou; mais tarde comprou este sobrado na Rua Direita, fazendo daqui uma escola e quando se casou, passou a morar nesta casa. Foi também aqui que nasceu meu pai, Herbert Dolabela, em 1898; além dos meus tios. Mais tarde minha avó mudou para Belo Horizonte e deixou vários imóveis aqui na cidade, e esta casa ficou para meu pai”, disse.

Dalila tem 83 anos; casou e continuou morando no mesmo sobrado; teve cinco filhos e todos foram criados na cidade. “Nesta casa nasceu e foi criada a primeira juíza de direito de Sabará, minha neta Karla Dolabela. Hoje a rua é mais calma, depois que a via passou a ser mão única, melhorou demais o movimento. Nossa casa ainda se mantém com a arquitetura original, tudo aqui é preservado assim como é a história da família. Lembro-me que a rua recebeu a visita dos familiares de Dom Pedro II - eles fizeram questão de conhecer o sobrado Dona Sofia, onde Pedro II havia se hospedado, porém a família que morava no local não abriu as portas para eles. São diversos os temas que exaltam ainda mais a importância desta rua para a cidade”, completa.

CASA 104

FAMÍLIA PASSOS:

Único imóvel de arquitetura renovada na rua, a casa de dona Valquíria Passos Pinto está com a família a mais de 80 anos. Valquíria tem 75 anos e três filhas, todas foram criadas em Sabará, mas não moram mais na cidade. “Não tenho nada que me queixar desta rua nem mesmo da cidade; as pessoas são prestativas e todos os vizinhos se conhecem, hoje é difícil isso acontecer. Já coloquei minha casa a venda uma vez, mas não conseguir me desligar da nossa história e acabei não saindo daqui”, conta. Dona Valquíria diz ainda que tem vários parentes pela cidade; a casa 201 onde atualmente funciona a escola de idiomas “Number One” também pertenceu a família Passos. “Meus pais eram sabarenses, então temos fortes raízes na cidade”, completou.

CASA 107

FAMÍLIA ROCHA:

“Moro nesta rua há 46 anos; esta casa não era da minha família, viemos para cá quando eu me casei. A Rua Dom Pedro II sempre foi a mais importante de Sabará. Por aqui passam todos os cortejos e festas como Semana Santa, Corpus Christie, Carnaval, procissões, etc. Minha família sempre foi envolvida com estes festejos. Nossa casa era toda de adobe e estava caindo, mas tivemos que reformar, trocou o forro, piso entre outros detalhes. Não consigo dizer quem esteve aqui antes de nós”, relata dona Amália Ení Rocha, 76 anos.

CASA 112

FAMÍLIA VIANA:

Solange Viana é uma sobrevivente dos Vianas. Aos 75 anos de idade e uma saúde visivelmente fragilizada, a senhora tímida e de poucas palavras conta que não sabe a história doas antigos donos do imóvel, só a sua família já mora no local há cerca de 90 anos. Solange teve sete irmãos, mas todos já faleceram; a sabarense não casou e ressalta que nunca foi de ficar na rua, por isso é de poucos amigos apesar de gostar da vizinhança. Antes de finalizar a conversa que há pouco tinha começado ela acrescenta: “Essa rua é bela, a principal a primeira, por isso sua importância”.

CASA 117

FAMÍLIA RODRIGUES MOREIRA:

“Estou nesta rua tem cerca de 50 anos, não sei exatamente. Inicialmente eu morava no imóvel onde hoje é a Agência dos Correios, depois compramos essa casa. Tirando o vandalismo da madrugada que quebram os vidros de nossas janelas, o local nunca trouxe grandes problemas. A rua ainda mantém viva suas tradições e característica física, mas em seu interior, muitas famílias que acompanham a história da Dom Pedro II, aqui não estão mais, infelizmente. Algumas casas foram vendidas, outras estão em reforma e sem moradores e a maioria virou comércio. Tudo se podia ver pelas nossas janelas, namoros, festas, pequenas confusões ou brincadeiras. Antes o desfile de Carnaval era nesta rua, assim como todas as festividades religiosas, tamanha a sua importância”, disse Dona Zerildes Rodrigues Moreira.

CASA 122

FAMÍLIA ROSSI:

Magda Maria Rossi é uma das preservadoras das tradições não só na Rua Pedro II, mas na cidade. Ela é uma das organizadoras dos tapetes de Corpus Christie pelas ladeiras, mantendo viva a tradição. Ela conta que sua família está há mais de 50 anos somente na Pedro II. “Morávamos na Rua do Carmo na casa do meu avô, essa construção da Rua Direita foi posta a venda e meus pais compraram. Éramos 15 irmãos e todos foram praticamente criados aqui. Lembro-me de muitas coisas dessa rua; a iluminação e a energia ainda eram distribuídas através de postes depois passou a ser subterrânea. O piso também era diferente, tinham pedras grandes e pontudas, hoje são paralelepípedos. Quando éramos mais novos, tudo era feito no meio da rua; eu aprendi a fazer tricô e crochê sentado nas calçadas com as vizinhas. Hoje as pessoas quase não saem de casa, ainda tenho a mania de sentar na calçada chupar laranja e mexerica, coloco até banco. Lembro que amarrávamos corda na porta da casa azul e na porta da Prefeitura e jogávamos vôlei ou então marcávamos o chão e fazia o ‘rouba bandeira’, tudo era diversão. Muita coisa mudou, mas ainda assim a rua é alegre e festiva”.

CASA 125

FAMÍLIA GUERRA:

Dona Lourdes Guerra é mais uma ilustre moradora da Rua Direita. Aos 88 anos de idade, ela reside na casa há mais de 50 anos. “Esse imóvel já era do meu marido, Benedito Machado, mas não sei exatamente a quanto tempo ficou nas mãos da família dele. Benedito foi agente do IBGE em Sabará; quando nos casamos, há 50 anos, eu vim morar nesta rua; aqui criei minha filha. Nesta rua convivemos com pessoas muito educadas; são moradias que passaram de mão e mão pelas famílias, então não tem nenhuma casa que seja de aluguel, com exceção dos comércios”, explica.

A casa de dona Lourdes talvez seja uma das mais antigas da rua e até da cidade, ainda feita pelas mãos de escravos. Ela acredita ter cerca de 300 anos a construção - apenas a parte dos fundos é nova. A casa ainda está construída sobre um porão de quase dois metros, local onde poderia ter sido abrigo para escravos. Tudo muito bem conservado. Na parede do corredor, dona Lourdes deixou um quadrado que expõe a estrutura de pau a pique. “Eu não conhecia a idade desta casa quando vim morar aqui, certa vez mandei fazer uma reforma e quando raspamos a parede nos deparamos com a essa beleza histórica, que é a construção ainda em seu formato original”, disse. Entre os cipós é possível ver ainda o que seriam as marcas das mãos dos escravos no barro misturados a estrumes de animais. Uma casa de riqueza impar para a história não só da rua, como da cidade.

Dona Lourdes foi professora e fundou a primeira escola de jardim de infância em Sabará, que funcionava na Rua do Carmo, depois passou a ser na casa dela, na Rua Direita. Há poucos anos, ela escreveu um livro com duas edições, onde narra todas as histórias dos nomes das Ruas de Sabará. É uma moradora de renome que acrescenta em cada palavra, uma riqueza.

CASA 131

FAMÍLIA JESUS:

“Minha mãe nasceu na Rua do Fogo, casou e veio aqui para Rua Direita – então eu e meus irmãos fomos criados nesta casa. A rua já foi boa, mas atualmente mudou tudo, morreu muita gente, muitas histórias foram perdidas. Antes as pessoas sentavam nas portas das casas, batiam papo. Ensinavam pinturas, brincadeiras, hoje se perderam esses costumes. Uma das brincadeiras que lembro é que a gente desafiava os amigos a ir lá até o Kaquende e encher a boca de agua e voltar correndo - não havia malícia. Hoje a rua é deserta, casas fechadas e trancadas; é uma pena. Todos os meus irmãos moram ainda na cidade, mas na Pedro II somente eu. Nossa casa ainda é original de adobe com a frente conservada. Somente a parte do fundo que foi modernizada. A rua merece mais atenção, principalmente nas calçadas que estão praticamente abandonadas. Mas apesar dos altos e baixos, aqui eu sou feliz”. Dona Maria Lúcia de Jesus, 65 anos.

CASA 137

FAMÍLIA MONTEIRO:

Beatriz Angélica de Souza Monteiro já é conhecida por conceder entrevistas para jornais e programas de TV ensinando as famosas simpatias para arrumar namorado, se proteger contra mal olhado, entre outros. A costureira e enfermeira aposentada têm 78 anos de idade e mora na Rua do Pedro II há 33 anos. “Sou irmã de coração de Sidália Xavier; fui criada com Chico Xavier e com dona Maria Xavier, mãe de Sidália; quando ainda era casada eu morava em uma casa próximo ao Cine Bandeirante, mas quando fiquei viúva mudei com minha filha para esta casa. Costurei para muitas pessoas da cidade e também para famílias de diversos locais. Eu gosto muito daqui, os vizinhos são muito bons e prestativos. A rua é como se fosse uma família, onde todo mundo se conhece”.

CASA 181

FAMÍLIA LAMEGO:

Maria da Conceição Lamego tem 66 anos e mora na casa 181 da Rua Dom Pedro II desde que nasceu; mas a construção está nas mãos da família Lamego ha mais de 80 anos. “Antes de eu nascer, meus pais já moravam nesta rua, porém mais embaixo, no solar onde atualmente é o laboratório Hermes Pardini. Meu pai comentava que este imóvel pertencia a uma baronesa”, disse a funcionária pública aposentada.

Ainda segundo Conceição Lamego, a Rua Direita sempre foi ótima para morar. “Aqui era uma maravilha, um ambiente realmente familiar, hoje infelizmente a rua é voltada para o comércio. Antes a gente brincava nas calçadas todo final de tarde depois da escola, jogávamos vôlei, pega-pega, parecia um parque. Era um local agitado, gostoso; hoje a gente sente falta disso, aqui quase não tem mais morador, não é mais como antes”, ressalta.

CASA 193

FAMÍLIA SOUZA:

Localizada em frente à Prefeitura Municipal, a casa das irmãs Maria Rita de Souza, de 68 anos, e Mariluz de Souza, 57; está com a família há 55 anos aproximadamente. Maria Rita conta que apesar da mudança no nome da Rua para Dom Pedro II, todos conhecem o local como Rua Direita. “Essa casa deve ser antiquíssima, pois quando minha mãe a comprou ela já era uma construção antiga. Lembro-me de muitas histórias que aconteceram aqui na rua; eu via tudo pela janela: as brincadeiras das crianças, as corridas. Ainda não existiam carros na cidade e por aqui passavam carroças, era ainda o principal meio de transporte além do trem. Eu sempre fui uma criança muito grande e por isso minha mãe não deixava que eu brincasse na rua, ficava olhando tudo pela janela ou sentada na soleira da porta”, disse.

Maria Rita relembra as comemorações da rua e diz que a juventude infelizmente não se interessa em preservar as tradições. “A Rua Direita sempre foi um local de muitas festas, então tudo era motivo para farra e comemorações. Quando eu era menina nós esperávamos o ano todo para a ornamentação de Corpus Christie, começávamos sempre à noite e aquilo durava a madrugada toda. Eram uns fazendo os desenhos nas ladeiras, outros coloriam a serragem. Brincávamos em meio a ornamentação, crianças, jovens e adultos. Hoje a rua envelheceu; não há interesse dos mais novos em preservar a tradição, tomara que nunca se acabe”, completa.

CASA 269

FAMÍLIA MAGALHÃES:

Nelí Avelino Magalhães tem 80 anos; nascida em Caratinga veio morar em Sabará, na Rua 13 de Maio, aos 4 anos de idade. Quando casou, há 51 anos, passou para a casa 269 em frente a Praça Santa Rita, na rua Dom Pedro II. Dona Nelí é conhecida por sua simpatia, sempre está debruçada na janela de sua casa olhando o movimento da praça. Ela conta que adora as festividades da cidade e não abre mão de participar mesmo que de longe. “Antigamente precisava dos moradores assinar para as festas acontecer aqui na rua, eu era a primeira a autorizar. Meus filhos cresceram nos festejos, gosto do movimento, de observar tudo pela janela; é lindo demais”, completa.

CASA 294

FAMÍLIA FIGUEIREDO:

O imóvel guarda parte importante do direito sabarense. Ele pertenceu ao sr. José de Figueiredo Silva, ilustre advogado sabarense que iniciou sua carreira lutando sempre pelos humildes oprimidos através do poder. Por isso, ganhou do ex-presidente Juscelino Kubitschek o apedido de “advogado geral contra o Estado”. Conhecido também por José Patrício, nome que herdou do pai português, o advogado era um amante das letras e escrevia vários poemas, tendo escrito até mesmo um livro que contava histórias da cidade. Na casa da Pedro II criou toda sua família, entre os filhos estava Erasmo Barros de Figueiredo que também se destacou no mundo jurídico, mas partiu muito cedo.

Atualmente, a casa ainda vive o espírito do jurista José de Figueiredo, hoje quem ocupa o local é seu neto José Patrício de Figueiredo Lustosa que assim como o avô trabalha com a Advocacia Popular. A casa abriga ainda a ONG Leão e a Agência de Comunicação Visceral. Além disso, funciona no local uma exposição permanente de recortes da história de José de Figueiredo.

O jurista foi irmão da professora sabarense Dona Bilú Figueiredo que também morou na rua Pedro II na CASA 286. Bilú foi uma profissional muito importante para Sabará, tanto que uma das escolas estaduais do município leva o seu nome. A construção já não pertence mais a família Figueiredo e hoje e encontra fechada.

Rua Direita e suas lendas

Como em toda rua rica em lendas e causos, na Dom Pedro II não seria diferente. É a moradora da casa 181, dona Conceição Lamego que nos conta a história da casa vizinha a sua - hoje lote vago usado como estacionamento da Prefeitura.

“Neste espaço existia uma casa assim como a minha, de arquitetura histórica; o local pertencia a dona Joaninha. Joana era uma baiana de poucas condições financeiras, e como não houve manutenção na casa, uma noite a frente toda caiu. Lembro-me disso porque os policiais que fizeram o socorro trouxeram Joaninha para nossa casa, para passar a noite, mas no dia seguinte ela voltou para a casa dela, mesmo sem a frente. Lá ela continuou vivendo até o último dia de sua vida. Ela era uma mulher estranha, não dormia; ficava a noite toda andando pelo lote com um terço e uma vela acesa. Todas as crianças tinham medo; parece que este lote tem alguma coisa, ninguém consegue fazer nada neste terreno, acho que a baiana ainda continua tomando conta deste espaço. Existe uma lenda ainda que tem um baú de tesouro enterrado neste local, são histórias que escuto desde criança”, conta.

Ainda segundo Conceição, é comum ouvir correntes serem arrastadas pelas ladeiras, o que para ela seriam as correntes que amarravam os escravos.

Outros moradores também acreditam que a rua carrega alguns contos. Verídicos ou não, muitos afirmam ouvir vozes na rua durante madrugada; pessoas batendo palmas, ou caminhando pelos quintais das casas, quando os moradores vão verificar não há ninguém. Ainda do lote da baiana Joaninha, os moradores contam que certa vez um homem tentou morar no local, mas foi surpreendido na madrugada pela dona Joana e seu filho, ambos falecidos há muitos anos.

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