Quinta, 29 de Outubro de 2026
17°C 27°C
Sabará, MG
Publicidade

Ministro defende remuneração de países por serviços ambientais

Segundo Guedes, medida visa contenção do aquecimento global

Por: Glaucia Melo Clark Fonte: EBC
05/11/2021 às 20h20
Ministro defende remuneração de países por serviços ambientais
© Wilson Dias/Agência Brasil

O ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a defender hoje (5) a remuneração de países por serviços de preservação do meio ambiente, como um dos mecanismos de contenção do aquecimento global. Segundo o ministro, países emergentes como o Brasil, a Índia e a Indonésia devem ser remunerados por esses serviços.

Guedes participou, nesta sexta-feira, por videoconferência, de um evento do Pavilhão Brasil na Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP-26) sobre crescimento verde. De acordo com o ministro, existem duas abordagens no debate em torno da emissão de gases do efeito estufa.

A primeira, segundo Guedes, é defendida principalmente pelos países mais avançados e diz respeito à adoção de medidas para taxar anualmente as emissões de gases poluentes. Na outra ponta está o debate sobre a remuneração por serviços ambientais.

Segundo o ministro, uma possível solução é a precificação do mercado de carbono que poderia remunerar países emergentes como o Brasil, a Índia e Indonésia por serviços ambientais.

“Por um lado é uma vocação natural do Brasil, o verde. Então, nós já partimos na frente e precisamos estimular a criação desse mercado de carbono que vai ser a chave para o pagamento dos serviços ambientais e da preservação do estoque de recursos naturais. É daí que vamos receber o estimulo necessário para a preservação das nossas riquezas”, disse.

Durante o evento, o ministro disse que os três países vão estar temporariamente na presidência do G20, grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo, pelos próximos três anos e que as três economias têm que levar esse debate para o grupo para “mudar o eixo da conversa na nossa direção” e que já tratou do assunto com a Índia e Indonésia.

“Se vamos dirigir o G20 nos próximos anos é bom que tenhamos uma agenda comum, para que na própria reunião do grupo esse reconhecimento pela preservação de recursos naturais que Brasil, Índia e Indonésia têm. Ao contrário do fluxo anual que é tributado, temos que arranjar um jeito de remunerar quem preservou esse estoque de riqueza”, defendeu.

O ministro disse que os recursos poderiam ser alocados em projetos de infraestrutura sustentável, bioeconomia “e tudo que possa reduzir, por um lado os poluentes, mas, por outro lado, tudo que possa incentivar, estimular a preservação dos recursos naturais.”

Guedes disse ainda que o país deve receber US$ 2,5 bilhões de empréstimo do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) para financiar projetos dessa nova economia verde. Criado em 2014, o NDB é o banco dos Brics, grupo que reúne as chamadas economias emergentes - Brasil, Rússia, Índia, China e, mais tarde, África do Sul.

Na avaliação do ministro, a velocidade de transição para essa nova economia será muito rápida e vai afetar atividades econômicas poluidoras, como a mineração e desmatamento florestal, devendo haver um incentivo para estimular esse processo.

“Por isso é até interessante esse olhar do incentivo, em vez do olhar da punição, porque esse abandono de formas antigas de fazer coisas é doloroso para alguns setores. Vai haver sofrimento em quem explora mina de carvão, de quem vive hoje de derrubar madeira. Vem um mundo novo, em uma velocidade altíssima, e temos que estimular o crescimento desse mundo novo”, disse.

O ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, acompanhou o debate e também disse ser importante a adoção de mecanismos de financiamento diferenciados para a nova economia, como juros mais baixos para quem quiser investir em serviços ambientais.

“O NDB traz recurso de US$ 2,5 bilhões com juros mais baratos, eu não chamo de subsídio, eu chamo de juros verdes que é um juro para incentivar uma infraestrutura verde, uma mobilidade urbana verde”, explicou.

Leite também defendeu que o Brasil seja remunerado por serviços de proteção ambiental e defendeu o mercado de carbono.

“[Esse] benefício ecossistêmico que a floresta e vegetação nativas têm no Brasil devem ser reconhecidos e remunerados e o mercado de carbono é o começo disso”, disse Leite. “[Isso] tem que ser uma linha de base para que outros países comecem a discutir sustentabilidade com o Brasil”, acrescentou.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Licenciamento 2026 Há 2 dias

Licenciamento 2026 em MG: CRLV será obrigatório para todas as placas a partir de 1º de novembro

Prazo para veículos com placas de finais 7, 8, 9 e 0 termina em 1º de novembro; veja como consultar pendências e emitir o documento digital.

DINEIRO ESQUECIDO Há 2 semanas

Dinheiro esquecido: Banco Central aponta R$ 5,79 bilhões disponíveis; veja como consultar e resgatar

Quase 24 milhões de pessoas físicas ainda têm valores a receber em bancos e outras instituições; consulta é gratuita e deve ser feita exclusivamente pelo sistema oficial do Banco Central

magnific
Economia Há 1 mês

Falhas no ponto de venda comprometem experiência do shopper

A EVER Trade Marketing, referência em execução e inteligência no ponto de venda, analisou que a desconexão entre a comunicação da marca e a experiência do consumidor nas lojas pode comprometer a conversão e a fidelização. Rupturas, baixa visibilid...

Departamento de Marketing TomTicket
Economia Há 1 mês

TomTicket oferece vantagens em plataforma de atendimento

No momento de decidir sobre a implantação de um sistema próprio ou plataforma pronta, empresas precisam avaliar custos a curto e longo prazo e infraestrutura necessária. Em muitos casos, o desenvolvimento próprio parece mais vantajoso no início, m...

Divulgação Berry Consultoria
Economia Há 1 mês

Berry reúne 600 empresários de PMEs em imersão de gestão

Evento inédito em São Paulo traz palestras de Kleber Amora, CEO e Cofundador da Berry Consultoria, Marcus Marques, CEO do Grupo Acelerador, e Wendell Carvalho, criador do Grupo Virtus

Lenium - Criar site de notícias