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Aumento das importações faz superávit comercial cair 15% em setembro

País exportou US$ 4,32 bilhões a mais do que importou

Por: Glaucia Melo Clark Fonte: EBC
01/10/2021 às 21h20
Aumento das importações faz superávit comercial cair 15% em setembro
© Arquivo/26.07.2012/Tânia Rêgo/Agência Brasil

O aumento das importações decorrente da recuperação da economia fez o superávit comercial cair em setembro. No mês passado, o país exportou US$ 4,322 bilhões a mais do que importou, mas o resultado é 15% inferior a setembro de 2020, pelo critério da média diária.

No último mês, as exportações somaram US$ 24,284 bilhões, alta de 33,3% sobre setembro de 2020, pelo critério da média diária. As exportações bateram recorde histórico para todos os meses desde o início da série histórica, em 1989. No entanto, as importações cresceram mais e totalizaram US$ 19,962 bilhões, alta de 51,9% na mesma comparação. Esse foi o segundo maior valor importado para o mês, só perdendo para setembro de 2011.

A alta nas exportações foi influenciada, principalmente, pela valorização das commodities (bens primários com cotação internacional) no último mês. Em setembro, o volume de mercadorias embarcadas aumentou 3,8% em relação ao mesmo mês de 2020, mas o preço médio subiu 30%. Em relação às importações, o volume de bens comprados do exterior elevou-se 23,6%, motivado pelo reaquecimento da economia. Os preços médios subiram 22,3%.

Com o resultado de setembro, a balança comercial acumula superávit de US$ 56,433 bilhões nos nove primeiros meses do ano. O resultado é 38,3% maior que o dos mesmos meses de 2020 e é o maior da série histórica para o período.

Setores

Em setembro, todos os setores registraram crescimento nas vendas para o exterior. Perto do fim da safra de grãos, o valor das exportações agropecuárias subiu 12,4% em relação a setembro do ano passado. Os principais destaques foram madeira bruta (224,3%), soja (57,9%) e café não torrado (10,2%). Apesar de a seca e as recentes geadas terem reduzido o volume de exportações em 15,7% na mesma comparação, a valorização média de 33,5% nos preços garantiu o aumento do valor exportado no setor.

Beneficiada pela valorização de minérios, as exportações da indústria extrativa aumentaram 41,1% em relação a setembro do ano passado. Os destaques foram petróleo bruto (61,1%), minérios de cobre e seus concentrados (84,3%) e minério de ferro e seus concentrados (30,9%).

As vendas da indústria de transformação subiram 36,2%, impulsionadas por produtos semiacabados de ferro ou aço (235,6%), combustíveis (173,1%) e carne bovina industrializada (85,7%).

Do lado das importações, as compras do exterior da agropecuária subiram 40,6% em setembro na comparação com setembro do ano passado. A indústria extrativa registrou alta de 240% e a indústria de transformação teve crescimento de 46,6%. Os principais destaques foram gás natural (552,9%), adubos e fertilizantes (126,6%), medicamentos e produtos farmacêuticos (228,9%) e combustíveis (86,17%).

Previsão

O governo diminuiu de US$ 105,3 bilhões para US$ 70,9 bilhões a previsão de superávit da balança comercial neste ano. Apesar da queda, o resultado anual será recorde caso se confirme. A estimativa já considera a nova metodologia de cálculo da balança comercial. As projeções estão mais otimistas que as do mercado financeiro.

A nova previsão está mais em linha com as estimativas do mercado financeiro. O boletim Focus, pesquisa com analistas de mercado divulgada toda semana pelo Banco Central, projeta superávit de US$ 70,7 bilhões neste ano.

Metodologia

Em abril, o Ministério da Economia mudou o cálculo da balança comercial. Entre as principais alterações, estão a exclusão de exportações e importações fixas de plataformas de petróleo. Nessas operações, plataformas de petróleo que jamais saíram do país eram contabilizadas como exportação, ao serem registradas em subsidiárias da Petrobras no exterior, e como importação, ao serem registradas no Brasil.

Outras mudanças foram a inclusão, nas importações, da energia elétrica produzida pela Usina de Itaipu e comprada do Paraguai, num total de US$ 1,5 bilhão por ano, e das compras feitas pelo programa Recof, que concede isenção tributária a importações usadas para produção de bens que serão exportados. Toda a série histórica a partir de 1989 foi revisada com a nova metodologia.

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