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Explorando a sabedoria das benzedeiras: uma jornada pela cultura e tradição de Minas Gerais
Dona Piu: Uma História de Devoção e Legado em Sabará
30/04/2024 10h23 Atualizada há 2 anos atrás
Por: Glaucia Melo Clark Fonte: Folha de Sabará
Foto: Arquivo Folha de Sabará

Na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o Projeto de Lei (PL) 2024/24 está em pauta, reconhecendo as benzedeiras e benzedeiros, assim como o ato de benzer, como elementos de relevância cultural, social e imaterial do estado. Proposto pela deputada @ionepinheirooficial, a iniciativa visa preservar práticas que moldaram a identidade e diversidade de cada região, mantendo viva a memória e o sentimento de comunhão do povo mineiro.

“Quebranto, cobreiro, aguamento, ventre virado são males vinculados à ação de cura das benzedeiras e dos benzedores. Suas orações ingressam em um universo simbólico de práticas curativas que fazem parte das crenças populares e penetram a memória coletiva”, justifica a parlamentar.

O PL aguarda parecer na Comissão de Constituição e Justiça, e a opinião da comunidade é essencial. Você é a favor?

Mas, afinal, quem são as benzedeiras e benzedeiros?

Elas são guardiãs de uma sabedoria ancestral, enraizada em tradições culturais e religiosas, desempenhando um papel crucial na vida das comunidades mineiras. Vamos mergulhar nesse universo especial e entender por que ele permanece relevante nos dias de hoje.

Dona Piu: Uma História de Devoção e Legado em Sabará

Em Sabará, Dona Piu se destaca como uma figura única, benzeu milhares de pessoas ao longo dos anos. Maria da Conceição de Assis Gomes, vinda de uma família de benzedeiros, traz consigo esse dom desde muito jovem.

Em uma entrevista exclusiva a Folha de Sabará em 2015, Dona Piu relata que veio de uma linhagem de benzedeiros, herdando assim esse dom especial desde tenra idade. Sua história teve início aos 12 anos, em um momento marcante ao passar pelo Cravo Vermelho. Lá, encontrou-se com Chico Xavier, que profetizou: "Vi você dentro da barriga de sua mãe, sabia que seria uma estrelinha que iria iluminar muita gente, ser a mãe do povo." Esse encontro inicial a surpreendeu, mas foi apenas o começo de uma jornada significativa.

A conversa com Chico Xavier não terminou ali. Ele também predisse que dos 12 aos 21 anos, ela estudaria com a irmã dele, aprendendo sobre imposição de mãos e espiritualidade. A partir dos 22 anos, começaria a benzer. E assim foi.

Dona Piu dedicou quase uma década acompanhando dona Maria Cândida Xavier em seus passes, absorvendo conhecimento sobre imposição de mãos e espiritualidade. Após essa fase de aprendizado, deu início à sua prática de benzedura. No dia 19 de abril de 1965, aos 22 anos, como previsto por Chico Xavier, Dona Piu, uma católica convicta, iniciou sua jornada como benzedeira e desde então nunca mais parou.

Ela tem a convicção de ter sido escolhida para essa missão, pois, como ela explica, um benzedor não é simplesmente alguém que escolhe esse caminho, mas sim alguém que é escolhido. Para dar início à sua jornada de benzedura, Dona Piu teve uma conversa com Deus, pedindo paciência e persistência, consciente dos desafios que enfrentaria.

Dona Piu sempre acreditou ser escolhida para essa missão e, com paciência e persistência, dedicou-se a benzer várias gerações de sabarenses e pessoas de todo o país. Seu legado transcende sua própria vida, inspirando e beneficiando inúmeras pessoas.

Além de sua linhagem familiar, Dona Piu acredita ter herdado o espírito da escrava Anastácia, uma curandeira do século XVII, conhecida por seus milagres e beleza estonteante.

Hoje, aos 82 anos, Dona Piu não realiza mais atendimentos, mas seu impacto e sua história continuam a iluminar a comunidade, mostrando que a tradição das benzedeiras e benzedeiros é um tesouro a ser preservado e valorizado.