A localização dos postos de saúde e a capacidade de atendimento de cada unidade podem fazer diferença no acesso da população aos serviços públicos. Em Sabará, uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), Campus Sabará, utilizou matemática e tecnologia para investigar como a rede de atenção básica está distribuída e quais mudanças poderiam contribuir para melhorar o atendimento aos moradores.
O estudo, intitulado “Otimização da Localização de Unidades Básicas de Saúde em Sabará-MG via P-Mediana Capacitada”, foi desenvolvido pela estudante Ana Luiza de Oliveira Gouvêa, do curso de Bacharelado em Sistemas de Informação, em parceria com os professores Bruno Nonato Gomes e Carlos Alexandre Silva.
A pesquisa foi apresentada em dois importantes eventos científicos nacionais em 2026", quando foi apresentada no Simpósio Brasileiro de Pesquisa Operacional (SBPO), realizado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte, e no Encontro Nacional de Modelagem Computacional (ENMC), em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul.
O que a pesquisa revelou sobre os postos de saúde?
O trabalho analisou 18 Unidades Básicas de Saúde (UBS), considerando a distribuição de 127.809 habitantes em 291 setores censitários de Sabará. Foram utilizados dados do Censo de 2022, informações do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) e registros da atenção básica referentes a abril de 2025.
Com o auxílio de modelos matemáticos, os pesquisadores simularam diferentes formas de distribuir a população entre as unidades, considerando tanto a distância das residências quanto a capacidade de atendimento das Equipes de Saúde da Família.
Um dos resultados que chamaram a atenção foi o da UBS Vilas Reunidas, que, na base utilizada, apresentava uma população de referência de 15.442 pessoas, enquanto sua capacidade estimada era de 12 mil. Em uma simulação que considerou a capacidade dos serviços e a possibilidade de novos pontos de atendimento, esse número caiu para 11.724 pessoas, uma redução aproximada de 24% na demanda atribuída à unidade.
A UBS General Carneiro também apareceu entre as unidades que merecem atenção. Em um dos cenários analisados, apresentou demanda simulada de 8.934 pessoas para uma capacidade estimada de 9 mil, ficando próxima do limite considerado pelo modelo.
Os pesquisadores ressaltam que esses resultados são simulações computacionais e não representam mudanças já realizadas na rede municipal.
Novos postos ou ampliação das equipes?
A pesquisa mostrou que o posto mais próximo da residência nem sempre representa a melhor alternativa quando a capacidade de atendimento está próxima do limite. Por isso, o planejamento da rede precisa considerar diferentes fatores.
Entre as possibilidades estudadas estão a ampliação das Equipes de Saúde da Família em unidades existentes e a avaliação de novos pontos de atendimento em regiões com maior necessidade.
Utilizando como referência uma equipe para cada 3 mil habitantes, o estudo estimou a necessidade de aproximadamente 43 equipes para a população analisada. A base de dados registrava 34, uma diferença de nove equipes.
Essa estimativa, entretanto, não significa que Sabará precise necessariamente contratar nove novas equipes. Os pesquisadores explicam que qualquer decisão depende de uma avaliação atualizada da estrutura municipal, da demanda efetiva e dos recursos disponíveis.
O trabalho também apresenta limitações. As distâncias foram calculadas por aproximações geográficas, sem considerar integralmente ruas, relevo e transporte. Além disso, o modelo utilizou a população total das regiões, sem identificar precisamente quantos moradores dependem exclusivamente do SUS.
Da sala de aula para os desafios de Sabará
A iniciativa nasceu da proposta de aplicar conhecimentos de Sistemas de Informação, matemática e computação a um problema concreto do município.
Durante o desenvolvimento do trabalho, os pesquisadores mantiveram contato com a Secretaria Municipal de Saúde de Sabará para para obter informações sobre a estrutura da atenção básica e subsidiar as análises.
A expectativa é que os resultados possam ser discutidos futuramente com os gestores municipais, permitindo avaliar alternativas antes de novos investimentos. Até o momento, não há indicação de que as propostas tenham sido implantadas.
Para o IFMG, a participação de Ana Luiza nos dois eventos científicos nacionais representa também o reconhecimento de uma pesquisa de graduação voltada às necessidades da comunidade.
O estudo coloca em discussão uma questão importante para Sabará: como utilizar dados e planejamento para distribuir melhor os serviços de saúde, aproveitar a estrutura existente e identificar onde novos investimentos poderiam beneficiar a população.