DOMINGO É DIA DE SIDERÚRGICA
No gramado da Praia do Ó há uma história tentando recomeçar.
Bicampeão mineiro, com títulos conquistados em 1937 e 1964, o Esporte Clube Siderúrgica voltou ao futebol profissional depois de dez anos. E neste domingo, 27 de setembro, Sabará terá a oportunidade de participar de perto desse retorno.
Às 10h, o Siderúrgica recebe o Betim Futebol, no Campo do Siderúrgica, na Praia do Ó, pela segunda rodada do Campeonato Mineiro da Segunda Divisão. A partida está confirmada na tabela oficial da Federação Mineira de Futebol.
É um jogo que vale pontos no campeonato, mas para o clube representa também um reencontro com sua cidade.
A Folha de Sabará acompanhou dois dias de atividades da equipe na Praia do Ó e conversou com Maycon Amaro Romão, gestor, diretor de futebol e responsável pelas categorias de base, sobre o trabalho realizado para recolocar o Siderúrgica em uma competição adulta.
Ao lado desse projeto está Alexandre Gustavo Sanches, atual presidente do clube e parceiro da reconstrução.
O retorno não aconteceu de uma hora para outra.
Há quase seis anos, quando o Siderúrgica estava praticamente parado, Maycon e sua equipe apresentaram uma proposta para recomeçar pelas categorias sub-15 e sub-17.
A ligação de Maycon com o clube vem de casa. Ele é filho de Alfeu Rodrigues dos Santos, campeão mineiro pelo Siderúrgica em 1964. Foi revendo fotografias e lembranças da carreira do pai, ao lado dos irmãos, que surgiu a ideia de ajudar a colocar novamente o clube em atividade.
O projeto cresceu. Vieram sub-13, sub-14 e sub-20 até chegar novamente ao profissional.
Nesse caminho, foi necessário enfrentar uma situação financeira difícil. Segundo Maycon, quando o trabalho começou havia aproximadamente R$ 92 mil em dívidas e pendências. Após negociações, parcelamentos e anos de reorganização, ele afirma que as antigas dívidas foram equacionadas.
“Hoje eu posso dizer que o Siderúrgica está no zero a zero. A dívida que a gente tem é a competição agora”, afirmou.
Maycon também destaca a participação de Alexandre Gustavo Sanches nesse processo.
Nos primeiros contatos, ainda havia receio em torno de uma nova tentativa de recuperação do Siderúrgica. Maycon apresentou o projeto e mostrou a Alexandre o acervo de seu pai e sua ligação com a história do clube.
A confiança foi construída aos poucos.
Com o avanço das categorias de base e os resultados do trabalho, Alexandre passou a acompanhar mais de perto o projeto e, segundo Maycon, tornou-se parceiro da gestão esportiva.
“Pode gerir, eu vou ser seu parceiro aqui”, relembra Maycon ao contar como essa relação se consolidou.
Hoje, Alexandre ocupa a presidência do Siderúrgica enquanto Maycon conduz a área esportiva e as categorias de base.
O grande desafio agora é manter o Siderúrgica em atividade.
Segundo Maycon, somente a primeira fase da competição representa um custo estimado em cerca de R$ 80 mil. São despesas com atletas profissionais, salários, encargos, comissão técnica, viagens, hospedagem, uniformes e toda a estrutura exigida pelo futebol profissional.
O elenco foi montado dentro dessa realidade.
Parte dos jogadores veio do sub-20, outros foram profissionalizados e alguns atletas mais experientes chegaram para reforçar a equipe.
E o clube precisa de parceiros.
A direção espera que empresários, comerciantes e empresas de Sabará conheçam melhor o trabalho e participem desta nova fase.
“A gente precisa que a cidade, os empresários, as pessoas possam entender que o Siderúrgica realmente voltou. E não voltou só para este ano”, afirmou Maycon.
A participação do sabarense também acontece na arquibancada.
Durante a entrevista, a direção informou que o Campo do Siderúrgica recebeu autorização inicial para público de até 500 pessoas e anunciou ingresso a R$ 25. A renda das partidas em casa ajuda diretamente nas despesas do clube.
Depois da derrota por 5 a 0 para o Paracatu na estreia, o Siderúrgica terá agora diante de sua torcida a oportunidade de buscar reação na competição.
Mas domingo pode significar algo além do placar.
É a oportunidade de os torcedores mais antigos voltarem à Praia do Ó. De pais levarem os filhos. De uma nova geração conhecer de perto a camisa que fez história em Minas Gerais.
Durante muitos anos, o Siderúrgica esteve presente principalmente nas fotografias, nas lembranças e nas histórias contadas pelos sabarenses.
Agora ele voltou para o campo.
E se a intenção é fazer essa retomada durar, o clube precisa novamente encontrar sua cidade.
Domingo, 27 de setembro
Siderúrgica x Betim Futebol
10h
Campo do Siderúrgica – Praia do Ó, Sabará
A reconstrução começou com dirigentes, atletas e parceiros.
Neste domingo, é a vez da torcida entrar nessa história.
Na próxima edição impressa da Folha de Sabará, vc vai conhecer toda esta história!