Polícia CRIME BÁRBARO
Após 3 anos, Polícia Civil conclui que Evellyn Jasmim foi assassinada em Sabará
Menina de 8 anos desapareceu em junho de 2023, no mesmo dia em que a mãe e uma amiga foram assassinadas; investigação aponta que criança foi levada para um sítio em Ravena antes de ser morta
27/08/2026 21h07
Por: Glaucia Melo Clark Fonte: FOLHA DE SABARÁ

Sabará — Após três anos de investigação e milhares de quilômetros percorridos em busca de respostas, a Polícia Civil de Minas Gerais concluiu o inquérito sobre o desaparecimento de Evellyn Jasmim Machado Acácio, de 8 anos. A investigação aponta que a menina foi assassinada um dia depois de ser sequestrada, em junho de 2023.

Evellyn desapareceu em 21 de junho de 2023, em Sabará. Na mesma ocasião, sua mãe, Ketlyn Oliveira, e a amiga dela, Ana Raquel de Brito, foram assassinadas durante uma ação criminosa iniciada em um salão de beleza.

De acordo com a Polícia Civil, a investigação conseguiu reconstruir a dinâmica do crime, identificar os veículos utilizados pelos envolvidos e localizar o sítio onde a criança teria sido mantida por algumas horas, na região de Ravena, em Sabará.

Investigação aponta que mãe era o principal alvo

Segundo a Polícia Civil, Evellyn não seria o alvo inicial da ação. A investigação concluiu que os criminosos pretendiam atingir Ketlyn, que havia mantido um relacionamento com o pai da menina, Sildirley Silva Acácio Machado.

Conforme o inquérito, depois do fim do relacionamento, Ketlyn passou a fazer denúncias contra o ex-companheiro e outras pessoas. A polícia aponta que essas denúncias teriam motivado uma série de ações para intimidá-la.

Sildirley estava preso na época e, segundo a investigação, teria determinado a execução do crime. Ele foi apontado como mandante.

Criança foi levada para sítio em Ravena

Após o ataque em Sabará, Evellyn foi levada pelos criminosos para um sítio na região de Ravena. A menina teria permanecido no local durante algumas horas.

A polícia afirma que os envolvidos chegaram a tentar estabelecer contato com o pai da criança, que estava preso. Os telefones aos quais ele tinha acesso, porém, foram recolhidos por agentes penitenciários.

Ainda segundo a investigação, os sequestradores decidiram matar Evellyn por temerem que ela pudesse reconhecê-los, já que a criança tinha convivência com os envolvidos.

Em depoimentos, investigados teriam relatado a dinâmica do crime e indicado o local onde o corpo foi deixado. Apesar das buscas realizadas durante a investigação, os restos mortais da menina não foram encontrados.

Três anos de buscas

A investigação fez parte da Operação Indefessus e mobilizou policiais durante três anos. De acordo com a Polícia Civil, as equipes percorreram aproximadamente 18 mil quilômetros, passando por 31 municípios de Minas Gerais e por outros quatro estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Bahia.

Mesmo sem a localização do corpo, os investigadores afirmam ter reunido elementos suficientes para reconstruir o crime e apontar a responsabilidade dos envolvidos.

Quatro pessoas foram indiciadas

Ao final do inquérito, quatro pessoas foram indiciadas por crimes relacionados ao caso, incluindo homicídio qualificado, sequestro e cárcere privado, adulteração de sinal identificador de veículo automotor e associação criminosa. Um dos investigados morreu em 2024.

O pai de Evellyn também foi indiciado e apontado pela investigação como mandante do crime.

O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), e a Justiça já recebeu a denúncia apresentada contra os investigados.

A conclusão da Polícia Civil encerra uma etapa de mais de três anos de investigação sobre o desaparecimento de Evellyn, mas a ausência do corpo mantém uma das perguntas mais dolorosas para familiares e para a comunidade: onde estão os restos mortais da menina que desapareceu aos 8 anos?