A psicóloga, palestrante e escritora Marlucia Alves lançou seu primeiro livro, Existir Inteira, uma obra que aproxima literatura, psicologia, psicanálise e questões sociais para refletir sobre como as histórias de vida influenciam a saúde mental, a construção da identidade, o pertencimento e a forma como cada pessoa se relaciona consigo mesma e com o mundo.
Mulher negra e criada na periferia de Belo Horizonte, Marlucia construiu sua trajetória por meio da educação, da escuta e do trabalho com pessoas em diferentes contextos de vulnerabilidade. Essa experiência atravessa sua escrita e confere à obra uma perspectiva sensível, ética e humana sobre os desafios de existir em uma sociedade marcada por desigualdades, racismo, silenciamentos e diferentes formas de exclusão.
Em Existir Inteira, a autora aborda temas como racismo, pertencimento, luto, maternidade, a experiência de ser mulher negra e periférica, desigualdades sociais e os impactos dessas vivências na constituição da subjetividade.
Ao aproximar literatura, psicologia, psicanálise e realidade social, o livro propõe uma reflexão importante: muitas dores não podem ser compreendidas apenas como experiências individuais, pois também são atravessadas por contextos históricos, culturais e sociais.
Ao longo da obra, Marlucia transforma vivências em elaboração e propõe uma escrita que acolhe sem romantizar o sofrimento. A autora parte da compreensão de que reconhecer o passado não significa permanecer preso a ele, mas integrá-lo de forma consciente, permitindo a construção de novos sentidos para a própria existência.
Além da atuação clínica, Marlucia desenvolve projetos na área da educação e realiza palestras para instituições públicas e privadas sobre saúde mental, inclusão, pertencimento, inteligência emocional, diversidade e desenvolvimento humano.
Seu trabalho busca aproximar o conhecimento psicológico da linguagem cotidiana, tornando temas complexos mais acessíveis a diferentes públicos.
Com Existir Inteira, essa reflexão ultrapassa o espaço do consultório e chega à literatura como uma forma de provocar diálogo sobre questões que afetam diretamente a maneira como cada indivíduo se percebe e ocupa seu lugar no mundo.
Mais do que oferecer respostas prontas, a obra convida o leitor a olhar para a própria trajetória e para os contextos que atravessam sua existência.
Ao unir experiência, escuta e literatura, Marlucia amplia o debate sobre saúde mental e coloca em pauta uma questão cada vez mais presente na sociedade: até que ponto nossas dores, identidades e possibilidades de reconstrução são formadas apenas por escolhas individuais — e quanto delas também carrega as marcas do mundo em que vivemos?