Meio Ambiente SERRA DA PIEDADE
Serras de Minas Gerais sob ameaça: mineração acende alerta ambiental e mobiliza lideranças
Vídeo do vereador Alan do Vila, gravado na Serra da Piedade, reacende debate sobre impactos da mineração, risco às nascentes e mudanças climáticas em toda a região
21/04/2026 14h34
Por: Glaucia Melo Clark Fonte: FOLHA DE SABARÁ
Serra da Piedade não é apenas um marco geográfico. Ela representa fé, identidade e equilíbrio ambiental. No entanto, a região tem sido alvo de disputas jurídicas e ambientais envolvendo atividades minerárias.

As serras de Minas Gerais — patrimônio natural, histórico e espiritual do estado — estão sob ameaça. A exploração mineral, especialmente quando excessiva ou mal fiscalizada, tem levantado um alerta crescente entre ambientalistas, autoridades e a população.
Na última semana, o vereador Alan do Vila publicou dois vídeos que rapidamente ganharam grande repercussão nas redes sociais. As imagens, registradas na Serra da Piedade, mostram áreas de intervenção minerária nas proximidades de um dos locais mais simbólicos de Minas Gerais — um espaço que une valor ambiental, histórico e espiritual.
No topo da serra, A Basílica de Nossa Senhora da Piedade, a 1.746 metros de altitude, está um dos maiores símbolos da fé mineira. Construída em 1767, a basílica abriga a imagem da padroeira de Minas Gerais, atribuída a Aleijadinho, e é reconhecida como a menor basílica do mundo.
 “Tá vendo a mineração no pé da Serra da Piedade? Você sabe que ali também é Sabará, né? A gente precisa entender quem está atuando ali e acompanhar de perto”, questiona o vereador em um dos trechos que mais chamaram a atenção do público.
A fala, direta e inquietante, rapidamente ganhou milhares de visualizações e reacendeu um debate que vai muito além de um ponto específico: o futuro ambiental de Minas Gerais.

Um santuário em risco

A Serra da Piedade não é apenas um marco geográfico. Ela representa fé, identidade e equilíbrio ambiental. No entanto, a região tem sido alvo de disputas jurídicas e ambientais envolvendo atividades minerárias.
Atualmente, operações ligadas à mineradora AVG são realizadas sob alegação de cumprimento de acordos judiciais. Ainda assim, há forte resistência por parte da Arquidiocese de Belo Horizonte e de ambientalistas, que defendem a preservação integral da área.
Entre os principais alertas estão relatos de impactos como a secagem de nascentes, alteração do solo e degradação da vegetação nativa.

Impactos que vão além da paisagem

Segundo Alan, o objetivo dos vídeos é claro: conscientizar.
“O objetivo é mostrar como Minas Gerais está ficando devido à mineração. Não é só Sabará. São mudanças no clima, no regime de chuvas e na própria dinâmica ambiental do estado”, afirma.
Especialistas e moradores relatam transformações perceptíveis: aumento de temperatura, chuvas irregulares e episódios climáticos extremos. Em regiões como Ravena, por exemplo, nascentes que antes eram abundantes vêm desaparecendo, enquanto córregos sofrem com assoreamento e excesso de sedimentos.
“O que antes era água em abundância hoje está secando. E isso impacta diretamente o abastecimento e a qualidade de vida da população”, destaca.

Crise silenciosa: a água em risco

A perda de nascentes é um dos pontos mais preocupantes. A mineração, ao alterar o solo e romper lençóis freáticos, pode redirecionar a água para áreas mais baixas, deixando regiões inteiras sem abastecimento natural.
Casos relatados mostram propriedades que perderam completamente suas fontes de água em períodos de calor intenso, resultando em prejuízos e colapso de pequenas produções.
“Não temos mais constância no abastecimento. Isso é um sinal claro de que algo está errado”, reforça o vereador.

Impactos sem divisão justa

Outro ponto crítico é a falta de equilíbrio na distribuição dos impactos. Enquanto algumas cidades recebem os benefícios econômicos da mineração, outras arcam com as consequências ambientais.
Cidades como Raposos, Nova Lima, Sabará e Santa Luzia sofrem diretamente com os efeitos nas cabeceiras dos rios, especialmente durante períodos de chuva intensa.
“A água liberada nas partes altas percorre toda a bacia e atinge municípios que muitas vezes não recebem compensações proporcionais aos danos”, explica.
A devastação das serras compromete diretamente o equilíbrio climático. Regiões montanhosas, ricas em vegetação, desempenham papel fundamental na regulação da temperatura e da umidade.
Com a retirada dessa cobertura natural, a tendência é de aumento do calor e intensificação de eventos climáticos extremos.
“Se não houver conscientização agora, teremos calor constante, falta de água e chuvas cada vez mais descontroladas”, alerta Alan.
Mais do que denúncia, um chamado
Conhecido por sua atuação ativa, o vereador também esteve recentemente em Ubá, auxiliando vítimas das enchentes. A experiência reforçou sua visão sobre a importância da solidariedade e da prevenção.
“A gente precisa parar de olhar só o agora. Quando vemos uma tragédia de perto, entendemos o quanto precisamos cuidar do futuro”, afirmou.
A mensagem deixada pelos vídeos e pela mobilização é clara: Minas Gerais vive um momento decisivo.
Preservar suas serras não é apenas uma questão ambiental — é garantir água, clima equilibrado e qualidade de vida para as próximas gerações.