Gerais PERIGO DIGITAL
Adolescente é localizado após possível aliciamento virtual em Sabará e caso acende alerta sobre crimes digitais contra crianças
Jovem de 16 anos viajou para São Paulo após contato em jogos online; Polícia Civil investiga grooming digital e especialistas alertam pais sobre riscos em plataformas como Roblox, Instagram e TikTok.
02/03/2026 07h35
Por: Glaucia Melo Clark Fonte: FOLHA DE SABARÁ

Caso em Sabará expõe risco de aliciamento virtual de menores. Polícia Civil investiga grooming digital envolvendo jogos online e redes sociais.

O ambiente digital, cada vez mais presente na rotina de crianças e adolescentes, tem se tornado também espaço de risco. Em Sabará, um caso recente reforçou o alerta sobre crimes virtuais envolvendo menores.
Na última semana, a Polícia Civil de Minas Gerais localizou um adolescente de 16 anos que havia viajado para o estado de São Paulo sem o conhecimento ou consentimento dos pais. A ação foi conduzida pela 2ª Delegacia de Polícia Civil em Sabará, em atuação integrada com a Polícia Civil do Estado de São Paulo.
O desaparecimento foi registrado no dia 20 de fevereiro, após os pais procurarem a delegacia ao perceberem que o filho havia saído de casa. Antes da viagem, o jovem deixou um bilhete informando que tomaria “um novo rumo” em sua vida.
Segundo as investigações, o adolescente teria conhecido uma pessoa por meio de aplicativos de jogos online. O contato teria oferecido uma suposta oportunidade de emprego e custeado a passagem interestadual. Por orientação do possível aliciador, o jovem apagou suas redes sociais e realizou o reset do computador.
Ele foi localizado no momento do desembarque no Terminal Rodoviário do Tietê, em São Paulo.
“Diante das circunstâncias — como versões contraditórias, o custeio da passagem por terceiro e a exclusão de perfis e dados pessoais — a Polícia Civil trabalha com a hipótese de possível aliciamento virtual de menor”, afirmou o delegado responsável pelo caso, Vinícius Augusto de Souza Dias. As investigações continuam para identificar os envolvidos e verificar se há outras vítimas.

O perigo está nos detalhes

Especialistas alertam que aplicativos populares entre crianças e adolescentes, como TikTok, Instagram, Discord, WhatsApp, Kwai e jogos multiplayer como Roblox e Minecraft, são frequentemente utilizados por criminosos para iniciar conversas, criar vínculos de confiança e tentar marcar encontros presenciais.
Muitos utilizam fotos falsas, perfis que simulam ser de outras crianças e linguagem emocional para manipular as vítimas. Esse processo é conhecido como grooming digital.

Além do aliciamento, os riscos incluem:

• Ofertas de moedas virtuais e contas VIP em troca de fotos íntimas
• Cyberbullying
• Sexualização precoce
• Vício em jogos online
• Consumismo induzido por algoritmos
A secretária nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Pilar Lacerda, alerta que a percepção de segurança mudou.
“Antes, sabíamos que era uma loucura deixar uma criança sozinha em uma praça. Hoje, precisamos entender que também é perigoso deixá-la sozinha na internet, que é a maior praça pública do mundo.”

Nova lei reforça proteção no ambiente digital

Em Minas Gerais, a Lei 25.708, de 2026, de autoria do deputado @gustavosantanaplmg, estabelece medidas para conscientizar a sociedade sobre crimes cibernéticos contra crianças e adolescentes.A legislação determina que o Estado adote ações para resguardar menores da exposição a conteúdos inadequados e protegê-los da exploração no ambiente digital.
Entre as diretrizes previstas estão:
- Capacitação de profissionais das áreas de educação, saúde e segurança pública
- Promoção de campanhas educativas sobre o uso adequado da tecnologia
- Criação de serviços para recebimento de denúncias de crimes e violações de direitos no ambiente digital.
A proposta busca fortalecer a rede de proteção e ampliar a prevenção, envolvendo poder público e sociedade.

Como proteger crianças e adolescentes

A prevenção começa dentro de casa e depende de diálogo e acompanhamento ativo.

1. Estabeleça diálogo constante sobre riscos e limites.
2. Acompanhe redes sociais e jogos utilizados.
3. Utilize ferramentas de controle parental.
4. Ensine sobre privacidade e proteção de dados.
5. Observe mudanças de comportamento, como isolamento, irritação ou medo.

Canais de denúncia

Em casos de suspeita de crime virtual contra crianças ou adolescentes, os canais oficiais são:
• Disque 100
•Plataforma SaferNet
 (www.safernet.org.br)
• Delegacias especializadas em crimes cibernéticos

Responsabilidade coletiva

Especialistas defendem que a proteção digital deve envolver famílias, escolas, governos e empresas de tecnologia. Organizações como Unicef e Instituto Alana também cobram políticas mais rigorosas das plataformas e educação digital nas escolas.
A presença online faz parte da vida moderna, mas não pode acontecer sem orientação e responsabilidade.