A Polícia Federal (PF) revelou indícios de um esquema de fraude contábil envolvendo a supervalorização de um terreno onde funciona um cemitério em Sabará (MG), utilizado para inflar artificialmente o balanço patrimonial do Banco Master.
As informações foram divulgadas pela Revista Oeste, com base em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a investigação, o terreno do Cemitério Terra Santa teria sido avaliado em aproximadamente R$ 181 milhões pela própria administradora ligada ao grupo econômico responsável pelo ativo. A área pertence à empresa VHR Empreendimentos, associada ao fundo Graveyard Death and Care (CARE11).
De acordo com o relatório, o valor atribuído ao imóvel não refletia o preço real de mercado, servindo como lastro para justificar o patrimônio do banco desde sua constituição, em 2016. Posteriormente, a avaliação foi reduzida para cerca de R$ 111,7 milhões, mas, segundo os investigadores, ainda assim estaria acima dos parâmetros técnicos aceitáveis.
A apuração também contou com análise da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que identificou possível conflito de interesses na definição do valor das cotas, uma vez que a precificação teria sido realizada por empresa do mesmo grupo econômico dos controladores.
Possível impacto bilionário
Peritos da PF apontam que a inclusão de ativos supervalorizados teria permitido à instituição apresentar uma saúde financeira artificial, atraindo investidores e postergando uma crise interna. A investigação integra um inquérito mais amplo sobre fraudes no sistema financeiro nacional.
Em entrevista à CNN Brasil, o diretor-geral da PF afirmou que as suspeitas envolvendo o caso podem alcançar cifras bilionárias.
A defesa dos envolvidos nega irregularidades e afirma que todas as operações seguiram normas legais e parâmetros contábeis vigentes.