Justiça QUE BOMBA É ESSA?
PF investiga fraude com cemitério em Sabará para inflar balanço do Banco Master
Relatório aponta supervalorização milionária de terreno usado como ativo contábil; caso envolve investigação da Polícia Federal e órgãos reguladores
19/02/2026 20h23 Atualizada há 4 meses atrás
Por: Glaucia Melo Clark Fonte: Folha de Sabará

A Polícia Federal (PF) revelou indícios de um esquema de fraude contábil envolvendo a supervalorização de um terreno onde funciona um cemitério em Sabará (MG), utilizado para inflar artificialmente o balanço patrimonial do Banco Master.

As informações foram divulgadas pela Revista Oeste, com base em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).


Segundo a investigação, o terreno do Cemitério Terra Santa teria sido avaliado em aproximadamente R$ 181 milhões pela própria administradora ligada ao grupo econômico responsável pelo ativo. A área pertence à empresa VHR Empreendimentos, associada ao fundo Graveyard Death and Care (CARE11).


De acordo com o relatório, o valor atribuído ao imóvel não refletia o preço real de mercado, servindo como lastro para justificar o patrimônio do banco desde sua constituição, em 2016. Posteriormente, a avaliação foi reduzida para cerca de R$ 111,7 milhões, mas, segundo os investigadores, ainda assim estaria acima dos parâmetros técnicos aceitáveis.


A apuração também contou com análise da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que identificou possível conflito de interesses na definição do valor das cotas, uma vez que a precificação teria sido realizada por empresa do mesmo grupo econômico dos controladores.


Possível impacto bilionário


Peritos da PF apontam que a inclusão de ativos supervalorizados teria permitido à instituição apresentar uma saúde financeira artificial, atraindo investidores e postergando uma crise interna. A investigação integra um inquérito mais amplo sobre fraudes no sistema financeiro nacional.
Em entrevista à CNN Brasil, o diretor-geral da PF afirmou que as suspeitas envolvendo o caso podem alcançar cifras bilionárias.
A defesa dos envolvidos nega irregularidades e afirma que todas as operações seguiram normas legais e parâmetros contábeis vigentes.