O Brasil se despede de Lô Borges, um dos nomes mais marcantes da música popular brasileira e figura essencial do lendário Clube da Esquina. O artista morreu aos 73 anos, na noite de domingo (2/11), em Belo Horizonte, em decorrência de falência múltipla de órgãos, após complicações de um quadro de intoxicação medicamentosa. Lô estava internado desde 17 de outubro e chegou a passar por procedimentos intensivos, mas não resistiu. Ele deixa um filho, Luca Arroyo Borges.
Nascido Salomão Borges Filho, em 10 de janeiro de 1952, Lô cresceu em uma família profundamente musical — o sexto entre 11 irmãos — e fez história ao lado de nomes como Milton Nascimento, Fernando Brant, Beto Guedes, Toninho Horta e Wagner Tiso. Ele e o irmão, Márcio Borges, estiveram entre os pilares do movimento que colocou Minas Gerais no centro da produção musical do país.
Autor de algumas das canções mais amadas da MPB, Lô Borges escreveu clássicos como:
Um Girassol da Cor do Seu Cabelo
Paisagem da Janela
O Trem Azul
Tudo Que Você Podia Ser
Feira Moderna
Para Lennon e McCartney
Em 1972, aos 20 anos, lançou dois álbuns que revolucionaram a música brasileira: o histórico “Clube da Esquina”, em parceria com Milton Nascimento, considerado um dos maiores discos de todos os tempos, e seu primeiro trabalho solo — o famoso "disco do tênis", que se tornou cult e referência estética e sonora.
Suas músicas foram gravadas e interpretadas por grandes artistas, entre eles Elis Regina, Tom Jobim, Caetano Veloso, Samuel Rosa, Nando Reis e Beto Guedes, além do próprio Milton.
Mesmo após décadas de carreira, Lô Borges seguia em plena atividade. Desde 2019, lançava um álbum por ano, o mais recente sendo “Céu de Giz”, em parceria com Zeca Baleiro, lançado em agosto de 2025. Em maio, emocionou fãs com uma apresentação surpresa no cruzamento das ruas Paraisópolis e Divinópolis, em Santa Tereza, ponto simbólico onde nasceu o Clube da Esquina.
O velório será realizado nesta terça-feira (4/11), no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, das 9h às 15h, com cerimônia aberta ao público para que fãs, amigos e familiares prestem sua última homenagem.
Lô Borges parte, mas deixa uma obra eterna e a voz suave que, como suas canções, seguirá atravessando gerações. Minas se cala em respeito — e o Brasil canta em agradecimento.