Moradores da comunidade do Gaia, em Sabará (MG), realizaram uma manifestação na última sexta-feira (10) para denunciar os impactos da circulação constante de caminhões que transportam minério provenientes da área da Vale (antiga Samitri). A população reclama de excesso de poeira e lama, além de prejuízos à saúde e ao meio ambiente.
De acordo com os relatos, caminhões trafegam diariamente pela região e, após a passagem, veículos-pipa umedeciam as vias para tentar minimizar o pó. No entanto, segundo moradores, a água aplicada estava misturada com barro, o que transformava as ruas em lamaçal e, após secar, gerava ainda mais poeira.
“Estamos sofrendo há semanas com essa situação. A água que jogavam era suja, cheia de lama. Quando seca, levanta uma poeira que está afetando idosos, pessoas com deficiência e crianças”, disse Ana Paula, moradora da comunidade.
Ela destaca que seu filho, que possui autismo severo e problemas respiratórios, vinha apresentando piora nos sintomas:
“Meu filho tem dificuldades respiratórias e ultimamente tem sofrido muito com essa poeira. Precisamos de fiscalização urgente.”
Além dos impactos à saúde, moradores também pedem transparência sobre as operações e investigação de possíveis danos ambientais na região, como assoreamento de córregos próximos.
A Folha de Sabará entrou em contato com as empresas envolvidas no transporte de minério na região.
A Samatra, responsável pelo transporte, informou que atua apenas no carregamento e movimentação do minério.
Já a Vale afirmou, em nota, que realiza uma operação pontual no Córrego do Meio e que adota medidas de mitigação:
“A empresa realiza limpeza e umectação das vias, controla a velocidade dos caminhões e mantém as caçambas cobertas durante o transporte. A Vale reconhece os desafios decorrentes das atividades econômicas na região e reafirma seu compromisso com a segurança e o bem-estar dos moradores, mantendo-se aberta ao diálogo e à escuta ativa.”
Após a denúncia dos moradores e a cobertura da Folha de Sabará, o uso de água suja para umectação das vias foi interrompido, reduzindo significativamente o problema de lama e poeira na região.
A população, porém, segue vigilante e pede que autoridades municipais e ambientais acompanhem a situação para garantir que os impactos não retornem.
Os moradores afirmam que, caso a situação volte a ocorrer, novas manifestações serão realizadas.