O governador Romeu Zema participou, nesta quarta-feira (22/10), da audiência pública tradicional com o Papa Leão XIV, em cerimônia no Vaticano, Itália. Ao abrir a bandeira de Minas Gerais, o Pontífice declarou: “Abençoo todo o povo de Minas Gerais”.
Integrando a missão oficial do governo de Minas Gerais na Europa, o encontro teve como destaque a entrega de presentes que simbolizam a cultura e o patrimônio mineiro — entre eles, um terço em palmas barrocas produzido por artesãs de Sabará e um estandarte dedicado à Nossa Senhora da Piedade. Ao receber as peças, o papa agradeceu dizendo “muito belo”.
Durante as audiências públicas das manhãs de quarta-feira na Praça São Pedro, o governador esteve acompanhado da secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), Mila Corrêa da Costa, do secretário adjunto da Casa Civil, Frederico Papatella, e da assessora especial Andreza Costa.
“Trouxe para ele aquilo que Minas faz muito bem: nosso queijo, nosso café e também nosso artesanato. Entregar ao Papa obras como o terço em palmas barrocas das artesãs de Sabará e o estandarte dedicado a Nossa Senhora da Piedade é, antes de tudo, uma forma de apresentar ao mundo como os mineiros preservam suas tradições e suas devoções”, afirmou Romeu Zema.
Entre os presentes entregues ao Papa está o estandarte dedicado à Nossa Senhora da Piedade, produzido pela artesã Clélia Lemos, natural de Ponte Nova (Zona da Mata) e residente em Belo Horizonte. A peça reúne elementos simbólicos da cultura cristã, como pedrarias que evocam ouro e diamante, fitas coloridas, rendas, bordados e flores em palmas barrocas — técnica tradicional das artesãs sabarenses, em especial da Dirléia Neves. A composição também faz referência à ordem agostiniana, à qual o papa pertence, em um gesto de reverência e conexão entre Minas Gerais e o Vaticano.
Com mais de 30 anos de experiência, Clélia relatou a emoção de confeccionar uma obra de tamanha importância. “Antes de começar qualquer obra, eu sempre converso com o santo ou a entidade que será homenageada. No caso de Nossa Senhora da Piedade, não foi diferente. Por intuição dela, resolvi representar as maiores riquezas de Minas: nossas montanhas, nossas florestas e nossas pedras preciosas. É um orgulho ver o trabalho final, que agradece pela proteção da nossa padroeira”, disse a artista.
Outro presente de destaque é o terço mariano de cinco mistérios, feito à mão pelas artesãs Neusa Chagas Rodrigues, Luciana Ferreira, Dirléia Conceição Neves, Simone Viana Lopes e Hercília Herculano, todas oriundas de Sabará (MG). A técnica secular de palmas barrocas, introduzida no Brasil no período colonial, consiste em trabalhar chapas de cobre com aquecimento e modelagem, depois banhadas a ouro, transformando-se em flores que formam o terço. Cada peça leva cerca de duas semanas para ser concluída, combinando fé, devoção e arte manual.
“Uma das marcas mais interessantes das obras em palma barroca é que uma nunca fica igual à outra. Cada artesã tem sua forma própria de confeccionar flores e adornos. E isso reflete em obras únicas. Além de usarmos instrumentos muito antigos, de ferro e cobre, que não se encontram em qualquer lugar. Para nós, é uma emoção enorme ver o trabalho das artesãs de Sabará ser levado ao restante do mundo”, avalia Neusa Chagas.
“A maioria das artesãs trabalha com isso há mais de 30 anos, eu sou a mais nova, decidi aprender há cerca de oito e, desde então, trabalhamos juntas. Quero passar esse ofício tão especial para as novas gerações”, diz Hercília Herculano.
Além das obras artísticas, o governador entregou ao Papa presentes que representam a excelência da gastronomia de Minas Gerais: três tipos de cafés especiais — Sanglard (Araponga, Matas de Minas), Salomão (Olímpio Noronha, Mantiqueira de Minas) e Campos Altos (Campos Altos); um queijo canastra artesanal da marca Lobeira, produzido pela Associação dos Produtores de Queijo da Canastra (Aprocan) em Bambuí (Centro-Oeste de Minas); e um doce de leite Dom, fabricado em Resende Costa, no Campo das Vertentes.
Essa é a segunda vez que o governador Romeu Zema vai ao Vaticano. Na primeira ocasião, em 2023, esteve com o Papa Francisco, que abençoou a bandeira de Minas e ressaltou o instinto dos mineiros pela pacificação e a coragem de lutar por liberdade.