Na noite desta segunda-feira (6), o senador Carlos Viana (Podemos-MG) fez um forte desabafo durante sessão da CPMI do INSS, após o depoente Fernando Cavalcante optar por permanecer em silêncio, amparado por um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
“Entramos nesta sala em busca de respostas, e o que encontramos foi o silêncio — o mesmo silêncio que há anos cala o povo brasileiro diante das injustiças”, afirmou Viana, visivelmente emocionado. Segundo o senador, o direito de permanecer calado, quando utilizado por investigados em casos de corrupção, se transforma em “um escudo que protege o culpado e impede que o Brasil conheça a verdade”.
Em seu pronunciamento, Carlos Viana denunciou a desigualdade entre os que detêm poder e os que lutam para sobreviver com aposentadorias e benefícios cada vez menores.
“O depoente escolheu o silêncio, e o Supremo o amparou. Mas, sem essa decisão, ele seria obrigado a falar — e, se mentisse, seria preso. O problema é que quando o silêncio é protegido por decisões judiciais, o que se cala não é o depoente: é a verdade”, declarou.
O senador reforçou que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) foi criada para “abrir a caixa-preta da Previdência” e investigar desvios e fraudes que atingem milhões de brasileiros que contribuíram por toda uma vida.
“De um lado, temos o Brasil dos gabinetes, dos acordos e das portas fechadas. Do outro, o Brasil das filas, das viúvas, dos aposentados e dos órfãos. Enquanto o idoso tenta entender o desconto no contracheque, o corrupto anda de Ferrari e ri do dinheiro que tirou deles”, criticou.
Viana encerrou sua fala citando trechos bíblicos e convocando o povo brasileiro à oração.
Em Isaías 5:23-24, ele destacou:
“Ai dos que absolvem o culpado em troca de dinheiro e negam justiça ao inocente, pois o fogo do juízo virá sobre eles.”
E lembrou as palavras de Jesus Cristo em Mateus 23:14:
“Ai dos que devoram as casas das viúvas, porque esses receberão o juízo mais severo.”
O senador concluiu com um apelo emocionado:
“É por esses inocentes — os órfãos, as viúvas e os aposentados — que esta CPMI continuará lutando. Nossa pátria está ferida pela corrupção e pela impunidade dos poderosos. Deus abençoe o Brasil.”
Após o discurso, o deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) elogiou as palavras de Viana:
“Parabéns, presidente. O senhor representou a todos nós nesta fala final. Resumiu com clareza o sentimento de todos os parlamentares que buscam justiça.”
O pronunciamento de Carlos Viana rapidamente repercutiu nas redes sociais, onde recebeu apoio de diversos cidadãos que manifestaram indignação com o silêncio do depoente e a falta de respostas concretas sobre os desvios na Previdência.