O Governo de Portugal decidiu deportar cinco mil brasileiros que estavam “irregulares” por lá. 20 dias para sair por bem ou... pé no traseiro!
Encosto arco e flechas, orno-me de penas e caminho pela História.
Em 1500 estávamos na praia, comendo mandioquinhas e bebendo o sol. Foi quando avistamos coisas esquisitas chegando do mar. Uns branquelos mal cheirosos - quase três meses sem tomar banho! - desembarcaram sua arrogância e gritaram.
- Cheguei, Brasil!
Não lhes exigimos passaportes, vistos de entrada, nada! Nós os acolhemos, alimentamos, apresentamos o pau brasil, ensinamos o caminho dos diamantes, a rota do ouro... Ainda assim, os malvados nos escravizaram.
- Mas - estufam eles o lusitano peito – e as igrejas que deixamos, magníficas casas de ouro onde Deus deve ser louvado?
Deve? Nunca aprisionamos Deus em templos dourados. Nós O odoramos nas matas, vales, rios e montanhas. O esplendor da Itaberabuçu, a Serra Resplandecente, não nos prometia montanha de prata. Seu brilho só nos refletia a luz divina de Tupã. O pau brasil, que cortávamos debaixo de chicotadas, não nos servia para tingir roupas, pois delas não precisávamos. Por 300 anos abarrotamos os cofres de Portugal com a riqueza surrupiada do Brasil. Alguns de nós eram antropófagos? Apenas cumpriam o ritual. Acreditavam que, comendo a carne do inimigo, incorporavam sua bravura. Vocês, sim, sugaram-nos corpo e alma por pura ganância. Agora, quando procuramos trabalho na lusitana terra, recebemos na cara o infame ultimato:
- Voltem para casa dentro de vinte dias, ou nós os expulsaremos!
Continuam os mesmos. Não mudaram nada. Eta povinho ingrato...