Saúde DENV-3
Dengue: O avanço do sorotipo 3 e os riscos para a população
Após 17 anos, o sorotipo 3 do vírus da dengue (DENV-3) voltou a circular no Brasil, colocando as autoridades de saúde em estado de alerta. Em 2024, o país enfrentou a pior epidemia já registrada, com mais de 6,6 milhões de casos e 6.068 óbitos, sendo a população acima de 60 anos a mais afetada.
17/02/2025 19h00 Atualizada há 1 ano atrás
Por: Glaucia Melo Clark Fonte: FOLHA DE SABARÁ
Alerta de saúde retorno do sorotipo 3 da dengue no Brasil

O Que é a Dengue? A dengue é uma doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, afetando milhões de pessoas globalmente, principalmente em países tropicais como o Brasil. O vírus da dengue (DENV) pertence à família dos flavivírus e possui quatro sorotipos distintos: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4.

Sorotipos da Dengue: O que são e como afetam a população? Os sorotipos são variações do vírus que, apesar de pertencerem à mesma espécie, têm diferenças em sua composição antigênica. Isso significa que uma pessoa pode ser infectada até quatro vezes, uma por cada sorotipo. Após a primeira infecção, o organismo desenvolve imunidade apenas contra aquele sorotipo, enquanto a proteção contra os demais é temporária.

O DENV-3 é um dos mais virulentos, associado a quadros graves da doença. Quando uma pessoa é infectada por um sorotipo diferente do anterior, o risco de formas graves da dengue, como a febre hemorrágica, aumenta significativamente. No Brasil, o DENV-3 esteve ausente por anos, tornando a população altamente suscetível a uma nova infecção.

O Crescimento do DENV-3 no Brasil

Nos últimos meses de 2024, os casos de dengue causados pelo DENV-3 dispararam, especialmente nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Amapá e Paraná. Dados do Ministério da Saúde indicam que:

·         Amapá: 31,8% dos casos

·         São Paulo: 28,7% dos casos

·         Minas Gerais: 18,2% dos casos

·         Paraná: 9,3% dos casos

O aumento expressivo de infecções ligadas ao DENV-3 preocupa especialistas, pois uma grande parte da população brasileira nunca foi exposta a esse sorotipo, aumentando o risco de surtos graves.

Impacto do El Niño na Disseminação da Dengue

O fenômeno El Niño intensificou as condições climáticas ideais para a proliferação do Aedes aegypti, agravando o cenário da dengue no Brasil. O aumento da temperatura e da umidade favorece a reprodução do mosquito, elevando as taxas de transmissão da doença.

Vacina Contra a Dengue e Proteção Contra o DENV-3

A vacina Qdenga foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) em dezembro de 2023 e protege contra os quatro sorotipos da dengue. No entanto, sua distribuição gratuita está restrita a crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, grupo que apresenta alto índice de hospitalizações pela doença. Ainda não há previsão de ampliação da vacinação para outras faixas etárias.

De acordo com o Ministério da Saúde, estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Tocantins, Mato Grosso do Sul e Paraná devem liderar os casos de dengue em 2025. A vigilância epidemiológica e o combate aos focos do mosquito transmissor são essenciais para evitar novos surtos e reduzir o impacto da doença no país. O aumento dos casos de DENV-3 no Brasil representa um grande desafio para a saúde pública. A população deve reforçar as medidas de prevenção, como eliminar criadouros do mosquito, utilizar repelentes e buscar informação sobre a vacinação. O monitoramento contínuo e a ação rápida das autoridades de saúde serão fundamentais para conter essa ameaça crescente.