Ademir Lopes Simões, guia de turismo bilíngue formado pelo CeFet de Ouro Preto, expressou sua indignação após uma visita ao Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, com um grupo de 50 crianças de uma escola católica. O guia, especializado em turismo pedagógico, ficou surpreso e chocado ao se deparar com uma exposição de arte contemporânea que, segundo ele, desrespeitava o contexto histórico e religioso do local.
Ademir levou o grupo para conhecer a história da Inconfidência Mineira e a arte barroca, temas centrais do museu que retrata o período dos séculos XVIII e XIX. Porém, ao adentrar as salas de exposição, ele se deparou com obras contemporâneas que considerou inadequadas para o ambiente e o público infantil presente. "Havia um cartaz em cima do túmulo de um inconfidente com os dizeres 'Vende-se carne negra', como se ele fosse culpado pela escravidão", relatou o guia, expressando desconforto com a mensagem.
Além disso, Ademir mencionou outras obras que o chocaram, incluindo um boné sob um crucifixo e uma imagem de um palhaço apontando para a peça sacra. "Acho um desrespeito à religião católica", comentou, enfatizando que, embora não seja católico, acredita no respeito às religiões. Para ele, o museu não deveria misturar temas religiosos com mensagens provocativas em um espaço destinado ao estudo e à memória histórica.
O ponto mais crítico, no entanto, foi a presença de uma escultura de silicone representando uma vagina, colocada em uma estante do século XVIII. A cena, descrita como "absurda", causou desconforto não apenas em Ademir, mas nas crianças, que lhe perguntavam sobre o significado da obra. "Eu não sou contra esse tipo de arte, mas que seja numa sala apropriada, para pessoas apropriadas e em um contexto adequado", declarou, expressando sua frustração por ter que lidar com o constrangimento de explicar algo inesperado às crianças.
Ademir também destacou o que considera uma hipocrisia cultural, criticando o fato de que obras provocativas são frequentemente aceitas quando atacam símbolos do cristianismo, mas raramente se vê o mesmo em relação ao Islã, sugerindo que os artistas não se arriscariam a desrespeitar outras religiões da mesma forma.
Por fim, o guia lamentou que a situação tenha prejudicado sua missão de educar as crianças sobre a história de Minas Gerais. "Isso atrapalhou meu trabalho, pois tive que explicar algo que eu mesmo não sabia como explicar", finalizou, deixando registrado seu protesto contra o que classificou como "baixaria".