O uso inadequado das redes sociais tem se tornado um fator agravante para pessoas vulneráveis ao suicídio, sendo um problema comum entre os atendidos pelo Grupo Depressão Tem Cura, uma entidade que oferece apoio a pessoas em depressão em todo o Brasil. A afirmação foi feita por Daniel das Neves Silva, coordenador do grupo, durante uma audiência pública na Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta segunda-feira (16/9/24).
O encontro, realizado no contexto da campanha Setembro Amarelo, discutiu o impacto das redes sociais na saúde mental, com foco especial em crianças e jovens. De acordo com Daniel Silva, "a cada 10 pessoas atendidas, 9 enfrentam problemas relacionados às redes sociais". Ele citou o caso da blogueira Alinne Araújo, que cometeu suicídio após ser alvo de comentários ofensivos nas redes.
Segundo Silva, muitos jovens recorrem às redes como forma de escapar de problemas emocionais, mas acabam encontrando críticas e humilhações em vez de apoio, o que agrava sua condição emocional.
A psiquiatra Julia Machado Khoury, também presente no debate, alertou sobre os danos cerebrais causados pelo uso excessivo de redes sociais. "O uso repetido pode prejudicar o córtex pré-frontal, afetando a capacidade de racionalidade e controle de impulsos, semelhante ao efeito de drogas como a cocaína", explicou.
O evento também destacou a aprovação do Projeto de Lei (PL) 371/23, que visa ampliar o atendimento especializado a vítimas de depressão no estado, aguardando agora a sanção do governador.