Internacional Crise
Lula compara Israel ao nazismo e provoca crise diplomática
Primeiro Ministro de Israel Netanyahu reage a fala de Lula sobre holocausto e convoca embaixador do Brasil
18/02/2024 21h23
Por: Glaucia Melo Clark Fonte: Folha de Sabará

O Ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, reagiu neste domingo (18) às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que comparam Israel ao nazismo e afirmou que o chefe do Executivo brasileiro apoia o Hamas.

"Acusar Israel de perpetrar um Holocausto é ultrajante e abominável. O Brasil está ao lado de Israel há anos. O presidente Lula apoia uma organização terrorista genocida — o Hamas — e ao fazê-lo traz grande vergonha ao seu povo e viola os valores do mundo livre", escreveu Gallant nas redes sociais.

 

O conflito entre Israel e o grupo terrorista Hamas na Faixa de Gaza gerou uma crise diplomática entre o Brasil e o país do Oriente Médio. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, chamou de “vergonhosa” e “grave” a fala do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que comparou a ofensiva israelense ao Holocausto nazista e a Hitler.

Em uma entrevista coletiva na Etiópia, no dia 18 de fevereiro de 2024, Lula disse que “o que está acontecendo na Faixa de Gaza e com o povo palestino não existiu em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu. Quando Hitler resolveu matar os judeus”. Ele também afirmou que a ação de Israel promove um genocídio.

Netanyahu reagiu às declarações de Lula em seu perfil no X, novo nome do Twitter, e disse que “comparar Israel ao Holocausto nazista e Hitler é cruzar uma linha vermelha”. Ele afirmou que as palavras do presidente do Brasil são “sobre banalizar o Holocausto e tentar ferir o povo judeu e o direito israelense de se defender”. Ele anunciou que, junto com o ministro das Relações Exteriores, Israel Katz, ordenou a convocação do embaixador brasileiro em Israel para “uma dura conversa de repreensão”.

A guerra em Gaza começou no dia 7 de outubro de 2023, quando terroristas do Hamas invadiram o território israelense, mataram 1.200 pessoas e sequestraram 240. Foi o pior ataque contra judeus desde o Holocausto e o pior ataque terrorista da história de Israel. Em resposta, Israel iniciou uma operação na Faixa de Gaza, com bombardeios aéreos e invasão terrestre, que resultaram na morte de mais de 28 mil palestinos, segundo o ministério da Saúde de Gaza, que é controlado pelo Hamas.

O Brasil, que tem uma grande comunidade árabe e uma relação histórica com o mundo islâmico, adotou uma posição crítica à ofensiva israelense e defendeu uma solução pacífica para o conflito. O governo brasileiro também enviou ajuda humanitária aos palestinos e condenou os ataques do Hamas a Israel. No entanto, a comparação feita por Lula entre Israel e o nazismo provocou uma forte reação de Israel, que considerou a fala ofensiva e inaceitável.

O caso pode afetar as relações comerciais e políticas entre os dois países, que são importantes parceiros econômicos e têm acordos de cooperação em diversas áreas. Além disso, pode gerar repercussões na comunidade internacional, que acompanha com preocupação o desenrolar da guerra em Gaza e seus efeitos humanitários e regionais.