Corria o mês de fevereiro de 1989. Estávamos, Geovani e Chiquinho Lamego (Raimundo de Castro), em pleno trabalho de organização do PARAÍSO para o desfile de blocos caricatos em Sabará. A Prefeitura de Sabará anunciou que haveria um concurso, apontando o melhor bloco do desfile.
Este ano seria para nós muito especial. O PARAÍSO DOS MORALISTAS completaria 40 anos de existência ou 40 carnavais. Os instrumentos da bateria estavam afinados e prontos para mais uma apresentação. Ficavam guardados na casa 61, em frente ao Cravo Vermelho, sob vigilância da Dona Rosinha.
O PARAÍSO mantinha a tradição: desfilava cantando a “plenos pulmões” marchas e sambas carnavalescos. Para melhor desempenho vocal foram convidados a participar do Bloco, vários instrumentistas: Roberto Nazaré e Paulo Muamba (trombone de vara), Povinho (pistão), Funica (clarineta), Hermano Ramos (trompete), Gabriel, Valdir Rodrigues e Marcelo Moreira (saxofone)
Entretanto havia um problema a ser resolvido: Com o crescimento do bloco ficou difícil, para os participantes, identificar as mudanças de músicas que a turma do sopro comandava. Falei com o Chiquinho que a solução seria um carro de som. A reação foi imediata: “A Prefeitura proibiu a participação de carro de som no desfile dos blocos caricatos”. Estavam se referindo a caminhonetas com som.
Peguei uma garrafa de whisky Cavalo Branco e disse para o Chiquinho fazer uma rifa que rendesse 200 pratas para a compra do material eletrônico do carrinho: 01 amplificador 12V e 02 alto-falantes tipo corneta. A rifa foi feita e o prêmio foi da Elisinha (cabeleireira).
De posse de um carrinho de pedreiro e do material eletrônico passamos a recrutar um “Conselheiro” de alto nível – José Otávio, para fazermos as adaptações no carrinho.
A seguir, com todo o material reunido na caminhoneta, fomos, eu e o Conselheiro, a Contagem, na firma Metala, que liberou a firma e material (principalmente perfis de aço). Esta firma pertencia ao Sebastião Drummond, meu vizinho de apartamento. O chefe da oficina era o Luís Guimarães, sabarense, que nos deu todo apoio e, ele próprio, passou a soldar e cortar os ferros. Daí saiu a torre dos alto falantes e o carrinho foi dotado de duas rodas dianteiras para ajudar no equilíbrio.
“Decoramos” o carrinho na garagem do Sô Julião. Fizemos um “rack” de madeira e tiramos a bateria da D-20, que foi adaptada no “rack”.
O “tapa na boca” com a cerveja aconteceu no saguão de entrada do Cine Borba Gato. Daí saiu o desfile. O carrinho ficou todo completo, quando o José Otávio assumiu a sua direção e o Chico Parola o microfone.
Resultado: Ganhamos o troféu de primeiro lugar.
*Texto - Giovani dos Santos Carvalho