Em 1949, quatro amigos - Raimundo de Castro (Chiquinho), Rui Pereira, Olavo Leite e Hélio Pereira, colegas de futebol, farra e boa conversa, reunidos no bar que existia no Teatro e sentindo falta de mais alegria no carnaval de Sabará decidiram fundar o primeiro bloco caricato da cidade. Para o bloco, escolheram o nome "Bloco dos Tarados”, imediatamente indeferido pelo delegado à época, o conhecido Capitão Agostinho, ao argumento de que Sabará era muito tradicional e católica. Em nova reunião foi escolhido, ironicamente, o nome de PARAÍSO DOS MORALISTAS que foi autorizado pelo Delegado. No documento de autorização o Delegado frisou que não seria permitida a participação de pessoas bêbadas! (veja foto da autorização)
Caracterizado pela irreverência, criatividade, improvisação e ao som de instrumentos artesanais feitos de lata de carbureto, que até hoje existem, e tamborins de couro de boi, o bloco desfilou pela cidade com ternos listrados, máscaras, fantasias de mulher e de políticos. Depois vieram os Bonecões.
Para a criação do estandarte algumas ideias foram rechaçadas porque ofensivas às mulheres que já tinham seus direitos respeitados pelo bloco, até que se chegou a um consenso: o estandarte teria uma garrafa de pinga com o nome de “Segura o Tombo”, um saca-rolhas, um surdinho e a data de fundação. Como Porta Estandarte, de incomparável elegância, tivemos Zé Munk, Nô Viana, Henrique Alexandrino (que tinha que ser buscado em casa para desfilar), José Ambrosio das Neves (Bamblão) e, atualmente, Carlos Alberto de Freitas (Mão Pelada). Com a adesão de novos colaboradores, integrantes, instrumentos de sopro e puxadores de samba, o Bloco precisava de um carrinho que pudesse levar o som aos foliões.
A criação do curioso “carro de som” é um caso interessante contado por Giovani em outro artigo.
Conta Giovani, ainda, que ao fantasiar-se de Papa, Toninho “Clark” foi tema do sermão da missa de domingo. Entendendo que a fantasia ironizava o Papa, o padre fez ataques ao Bloco causando enorme preocupação a Chiquinho. Para acalmá-lo Giovani disse-lhe que as coisas se ajeitariam com o tempo. Não é que, no ano seguinte, o padre pediu o carrinho de som emprestado para “puxar” as rezas na procissão da Semana Santa, e Giovani afirmou - “Não disse? Os pecados do Paraíso estão perdoados”
Durante a sua caminhada o Bloco agregou nomes importantes como Tibiru, icônico componente da bateria que era admirado pelo toque diferenciado, Geraldo Clarck, Camponês, Fernando Fé, Zizinho, Armando Clark, Nô Viana, Vicente, Zé Bombete, Chico Parode, Maurilio, Bandola, Waldir, Leopoldo, Paulo, Zé Otávio, Aurélio, e outros tantos que não podem ser esquecidos como os irmãos Giovani e Omar, todos imprescindíveis para que o Paraiso dos Moralistas se mantivesse vivo em suas tradições. A esses, e outros importantes componentes que não foram nominados, juntaram-se seus familiares, filhos, netos e bisnetos, além dos amigos, que fazem do PARAÍSO um dos mais esperados, alegres e importantes Blocos Caricatos de Sabará.
Atualmente a bateria foi enriquecida, ainda mais, pela vibrante atuação de músicos oriundos da tradicional Banda Santa Cecília, coordenados por Antônio Barbara, e seus instrumentos de sopro.
A saída do Paraíso dos Moralistas, inicialmente da casa de D. América, depois da rua São Francisco, do antigo Clube Botafogo e, finalmente, da sede da Sociedade São Vicente Paula, atrás do chafariz do Kaquende, é regada a cerveja e tropeiro que, a princípio, era servido na mão e jogado na boca, o famoso "Tapa na Boca" que nos 50 anosA do Bloco inspirou Roberto Nazaré a criar a música "TAPA NA BOCA", verdadeiro HINO à alegria. Esse HINO é cantado por toda a cidade, e até mesmo pelos turistas, não só no carnaval, mas em vários eventos onde haja música boa.
PARA A COMEMORAÇÃO de data tão importante, 75 ANOS DO PARAÍSO DOS MORALISTAS, convocamos toda a cidade, carnavalescos, comunidade e administração pública, a integrar e aplaudir o Bloco, verdadeiro PATRIMÔNIO CULTURAL da cidade, que sairá da Sociedade São Vicente de Paula as 12:30 dos dias 11 e 13 de fevereiro de 2024.
DIRETORIA
Presidente: Antônio de Oliveira Babara
Vice: Leonardo Pinto Dias
Tesoureiro: Paulo Roberto Fernandes
Secretário: Christiano Scholte Carvalho
Diretor de Patrimônio: Omar dos Santos Carvalho
Carnavalesco: Carlos Roberto do Couto Perácio