No mês de outubro, o artista Sérgio Pacheco encantou os amantes da arte com sua exposição intitulada 'Vivência & Arte'. A mostra que foi realizada entre os dias 05 e 25 de outubro ofereceu aos visitantes uma síntese profunda de sua persistência, resistência e existência artística ao longo de décadas. A exibição foi marcada por sua crença inabalável na criatividade e materialização de suas propostas, de maneira empírica e autodidata, para contribuir com um mundo melhor.
A diversidade de obras apresentadas impressionou os presentes, desde quadros e ilustrações até objetos pessoais, fotografias, recortes de reportagens, cartas, poemas, desenhos, instalações e vídeos. Cada peça contava a história fascinante do percurso de Sérgio Pacheco, revelando sua paixão e dedicação inegáveis pela arte.
Nascido em Belo Horizonte e residente de Sabará há mais de quatro décadas, Serginho, como é carinhosamente chamado, compartilhou durante uma entrevista à Folha de Sabará um pouco de sua história e sua ligação com a arte. Ele iniciou sua jornada como pintor em 1982, quando sua família se estabeleceu na cidade.
Desde então, Sérgio tem se dedicado incansavelmente à sua paixão pela arte, expandindo sua atuação para além da pintura de quadros. Seu trabalho inclui a colocação de molduras, aulas de pintura, pinturas em placas e faixas, e até mesmo restauração de obras de arte, demonstrando uma polivalência artística raramente encontrada.
A origem de sua arte
Sérgio atribui sua vocação artística ao legado de seu pai, Carlos, um habilidoso pintor de paredes. Ele relembra que antigamente a produção de tintas e massas demandava uma abordagem manual, exigindo do pintor habilidades químicas específicas. Seu pai adquiriu essas técnicas com mestres estrangeiros, mantendo-as como um segredo precioso.
Serginho admirava a destreza de seu pai em equilibrar a tinta no pincel durante o processo de pintura, evitando gotejamentos acidentais. Gradualmente, ele percebeu que a arte se manifestava desde o momento em que a parede era pintada, transformando uma superfície branca em um espetáculo visualmente rico quando preenchida com cores vibrantes.
Esse despertar artístico levou Sérgio a compreender que a arte reside nos lugares mais inesperados. Hoje ele defende que não existe uma pincelada simples e que a essência artística pode ser encontrada em todos os lugares. A partir dessa experiência, o artista se viu seduzido pela própria substância da tinta, pelo seu aroma singular e pela destreza com que seu pai a manipulava. Essa influência marcante durante sua infância serviu de catalisador para a sua transformação em um artista completo.
Durante a entrevista, Serginho revelou que todas as obras de sua coleção estão disponíveis para venda. Ele acredita que os compradores de suas peças são indivíduos que genuinamente apreciam a arte. Embora não se preocupe com o perfil dos compradores, ele ressalta a importância de suas obras encontrarem um lar onde sejam verdadeiramente valorizadas, a fim de evitar que se tornem meros objetos descartáveis no futuro.