Esportes DESAFIOS
A Soberba do Fenômeno: Os Desafios da Gestão no Cruzeiro
Um balanço crítico sobre a trajetória de Ronaldo e sua equipe no comando do Cruzeiro em 2023
20/10/2023 09h49 Atualizada há 3 anos atrás
Por: RAPHAEL SILVA Fonte: ACERVO 1921
Ronaldo, gestor do Cruzeiro — Foto: Guilherme Macedo

Sabará, MG - O ano de 2023 começou repleto de esperanças para os torcedores do Cruzeiro. Após um período conturbado, o clube viu uma luz no fim do túnel com a gestão de Ronaldo, que assumiu o comando do clube em dezembro de 2021, levando-o de volta à Série A do Campeonato Brasileiro e restabelecendo a conexão com sua fiel torcida. Contudo, como revela o recente desenrolar dos acontecimentos, a soberba e uma série de decisões questionáveis estão colocando em risco o futuro da equipe.

O ano de 2022 foi um período de triunfos, tanto dentro quanto fora de campo. O Cruzeiro conquistou seu retorno à Série A, alcançou recordes de sócios-torcedores e obteve sucesso nas bilheterias, com uma média de mais de 40 mil torcedores no Mineirão. Uma conexão única entre clube, jogadores e diretores culminou na icônica festa do acesso e nas caravanas azuis, que estreitaram os laços entre a equipe e seus torcedores.

Entretanto, o início de 2023 trouxe consigo um desafio considerável. O desempenho no Campeonato Mineiro foi decepcionante, e um sinal de alerta acendeu. A equipe comandada por Pezzolano parecia desarticulada, incapaz de manter a mesma intensidade e com dificuldades para vencer suas partidas. A situação se agravou quando Pezzolano anunciou sua saída apenas semanas antes do início do Brasileirão. Esse foi o primeiro erro crucial da gestão de Ronaldo, mantendo um treinador em pré-aviso, já que Pezzolano havia solicitado em fevereiro e a decisão só foi tomada em abril, antes da competição mais importante do ano.

A contratação de Pepa trouxe esperanças, com um bom início no Brasileirão (4 vitorias em 6 jogos), mas em breve, ele perdeu o controle do grupo, criando desmotivação interna. Isso culminou em sua demissão após apenas duas vitórias em 15 jogos, após o promissor início.

Outro problema se revelou na comunicação com a torcida. Durante o período de silêncio após a demissão de Pepa, os torcedores se viram inundados por informações desencontradas da imprensa, enquanto a diretoria não se pronunciava para esclarecer a situação.

A chegada de Zé Ricardo, apesar da rejeição inicial, foi marcada pelo apoio contínuo dos torcedores, mesmo com a falta de vitórias no Mineirão. Uma média de 39 mil torcedores por partida compareceu, demonstrando a dedicação inabalável dos Cruzeirenses em sua equipe.

Contudo, as ações da diretoria deixaram a desejar em 2023. O tratamento da torcida como cliente, o abandono do programa de sócio e os investimentos questionáveis em jogadores como Wesley e Arthur Gomes foram alvo de críticas. A falta de utilização de jogadores da base, apesar de seu potencial, e a centralização das decisões em Paulo André também geraram descontentamento.

O ponto crítico veio quando Ronaldo, após a derrota para o Flamengo na última quinta-feira (19/10), cobrou a torcida publicamente, ignorando as falhas de sua gestão. A falta de autocrítica, a arrogância e a incapacidade de entender o contexto parecem ameaçar o futuro do Cruzeiro.

O dilema que se coloca é se a equipe de gestão aprenderá com seus erros e buscará soluções para preservar a tradição e a paixão da torcida cruzeirense ou se a soberba os levará de volta à Série B, um lugar que todos esperavam ter deixado para trás. 

A Gestão Ronaldo enfrenta desafios, mas a capacidade de aprender com as falhas e de se adaptar é fundamental para seu sucesso futuro.

Espero que deixem a arrogância de lado! Eles não sabem de tudo, o ano de 2023 mostra isso.