No encalço do tempo, no coração de Sabará, o destino reservou um capítulo derradeiro, digno de um épico do futebol. Foi no estádio da Praia do Ó, no dia 25 de setembro de 1966, que as camisas do Cruzeiro e do Siderúrgica se encontraram pela última vez, em um encontro que transcendeu as quatro linhas.
O Siderúrgica, um dos sobreviventes da “era do futebol de fábrica,” testemunhou sua jornada no profissionalismo atingir seu término. O estadual já tinha decidido seu destino, e o rebaixamento era uma sombra que pairava sobre os ombros dos sabarenses.
No entanto, uma decisão surpreendente foi tomada naquele dia fatídico: o Siderúrgica, com humildade e respeito por sua história, optou por encerrar suas atividades profissionais, tornando-se um time amador. O placar final, um 4 a 1 em favor do Cruzeiro, foi mais do que apenas números; era uma homenagem à história. Quatro heróis cruzeirenses marcaram seus nomes nas páginas finais deste confronto. Natal, aos 43 minutos, imprimiu sua assinatura com um gol sublime que iluminou o horizonte azul. Em seguida, aos 51 minutos, Evaldo escreveu seu nome na historia da partida com um gol de pura determinação. Aos 66 minutos, o maestro Dirceu Lopes, com sua batuta mágica, conduziu o Cruzeiro a mais um gol, uma sinfonia de classe e maestria. Por fim, aos 80 minutos, Hilton Oliveira selou a vitória com sua marca registrada, encerrando a partida em grande estilo. Zé Emilio, pelo Siderúrgica, descontou aos 67 minutos, mostrando que, mesmo na despedida, os adversários não se curvaram sem lutar.
Este foi um dia de homenagem, não apenas ao Cruzeiro, mas também ao Siderúrgica, um clube que resistiu ao teste do tempo e que, com sua atitude nobre, mostrou que o futebol é feito de respeito, gratidão e admiração mútua. Portanto, Cruzeirenses, celebremos este dia como uma lembrança eterna da grandeza do nosso clube, mas também como um tributo sincero ao Siderúrgica, Campeão Mineiro de 1964 e que ajudou a moldar a rica história do futebol mineiro.