E aí, bateu saudade? Estou de volta por aqui para continuar dividindo com vocês a minha saga pela terra da vodka, da balalaica e da maionese na sopa – você não leu errado, é isso mesmo – mas acho que essa história vai ficar para uma outra oportunidade, porque hoje eu quero contar para vocês como foi minha chegada ao apartamento onde eu moraria e minha primeira compra no supermercado. Vocês já conhecem a história da minha chegada ao aeroporto e aquele frio de espantar a empolgação de um jovem intercambista e cheio de expectativas! Bem, entramos no ônibus, eu e a Victória – hoje, Vika, pois nos tornamos grandes amigos – e veio outro choque: onde estavam as cadeiras? O ônibus, mesmo sendo de tamanhos proporcionalmente semelhantes aos que rodam por aqui, não tinham tantos bancos quanto e bastante lugar para que as pessoas se acomodassem ali, de pé mesmo. Bem, pelo menos, apesar de estar de pé, com minhas malas, mochila e uma série de perguntas borbulhando minha cabeça, ali dentro era menos frio do que do lado de fora.
Chegamos ao apartamento, fiz meu registro, assinei alguns papéis necessários aos residentes estrangeiros e, em seguida, a Vika me disse: Érico, eu preciso muito ir embora, mas ali na esquina há um supermercado. Você pode ir até lá e comprar algo para fazer para o jantar. Balancei a cabeça sinalizando que concordava com a proposta e assim o fiz. Empolgado, fui eu até o supermercado da esquina comprar algo que me fosse familiar. Pode parecer estranho para alguém que tem até um repertório gastronômico interessante, tendo em vista que, durante o ensino médio, tive a oportunidade de cursar um técnico na área, decidir fazer um macarrão com molho, mas tudo que eu precisava, naquele momento, era ser acolhido por algo que fosse simples, fácil e que me trouxesse alguma sensação de que eu estava em casa e de que tudo ia ficar bem. Chegando lá, por se tratar de um supermercado local, ninguém falava inglês! Eu fui tentando decifrar o que aquelas letras significavam e, claro, observar a embalagem dos produtos. O macarrão não teve erro! Certeiro! Fui logo em direção aos molhos para pegar a “pomarola”. Peguei, passei pelo caixa, a moça tentou balbuciar algumas palavras que até hoje eu não faço ideia do que eram e, ao perceber que não obtinha sucesso na comunicação, me mostrou a tela do computador para que eu entendesse o valor que precisava pagar. Tirei meu dinheiro do bolso – já havia trocado no aeroporto –, paguei a conta e fui feliz para o meu novo lar.
A água já fervia quando dei início à preparação do molho. Cortei uma cebola que já tinham me oferecido por lá, um alho, pus sal e fiquei ali, contemplativo com aquela obra de arte como se eu fosse um chef de cozinha renomado preparando um molho de técnica apuradíssima. Macarrão cozido, decido experimentar o molho antes de misturar no macarrão. Ketchup! Sim, eu comprei ketchup porque a embalagem era exatamente igual à embalagem dos molhos de tomate daqui e, como eu ainda não lia russo na época, nem tampouco tinha acesso à internet, não percebi que “кетчуп” queria dizer ketchup!
Érico, qual foi sua primeira refeição em solo russo? Macarrão com ketchup. Depois de aprender um pouco mais sobre o alfabeto meu desafio virou outro: lidar com a moeda. Não subestimem a diferença entre as moedas dos países, principalmente se, como eu, você não for bom em matemática. Essa história, porém, fica para nosso próximo encontro.
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