Bem, ir para o exterior é, sem dúvidas, uma experiência singular que eu recomendo para toda e qualquer pessoa que deseja, mais do que uma experiência turística, uma imersão cultural. Isso porque, por mais que nosso país seja vasto e repleto de coisas para vermos, vivermos e provarmos, observar a organização social de outros grupos étnicos é, no mínimo, curioso.
O clima tropical torna os brasileiros tão quentinhos quanto! Tornamo-nos pessoas extremamente acessíveis, sociáveis e sorridentes ao andar pelas ruas. Um “bom dia” é sempre bem-vindo. Em cidades com características de interior, tal como nossa Sabará, o “bom dia” é sempre um prelúdio para o “como vai a sua mãe?” ou “e a família, todos bem?” E, confesso, como isso me fez falta!
Claro, falar inglês escancara inúmeras portas, derruba barreiras e afins, mas como faz falta um “bom dia” em um bom e claro português! Não pela língua em si, exatamente, mas pelo afeto que vem atrelado a esse “bom dia”. Ah! E, claro, os sorrisos! Eles têm a tendência de ornar com os nossos dias ensolarados, tirando disso tudo um quadro cheio de beleza e brasilidade!
Se você deseja fazer uma viagem para o exterior e, como eu, quer viver uma experiência como residente, não como turista, não cometa o mesmo erro que eu: entenda como outras culturas funcionam! Pois é! Eu tive a oportunidade de morar na Rússia, um país completamente diferente desse quadro tropical que eu descrevi acima. Sabe aqueles estereótipos todos que sempre vêm à tona quando pensamos na Rússia? Frio, ursos, vodka, etc... Bem, muitos deles são reais, especialmente no que diz respeito ao frio! Eu saí da terra do ora-pro-nóbis em um janeiro quente (super quente) e, quando pousei na terra da balalaica, me deparei com um frio de – pasme – 40 graus negativos! Quando as portas do aeroporto se abriram, o impacto foi imediato! Se você me perguntar se eu fiz cara de espanto, eu não faço ideia, porque o ar era tão gélido que a minha única memória passa por pensar: não tenho roupa para isso. Rapidamente eu voltei para o aeroporto, vesti todas – sim, todas – as minhas blusas de frio e enfrentei novamente aquele abrir de portas perturbador. Desbravei o frio russo para me aventurar na experiência mais empolgante de toda a minha trajetória profissional! O que eu vivi e os choques culturais que hoje me fazem cair na gargalhada eu continuo contando no nosso próximo encontro... é um ser humano extraordinário.
*Érico Damada - Professor e proprietário da Escola de inglês Golden Palm