Pensar em celebrar uma cerimônia de casamento no cemitério pode parecer estranho em um primeiro momento, mas o que sete casais mostraram, ontem, é que o amor tem a força de ressignificar espaços. Essa união inusitada ocorreu no Cemitério Parque Terra Santa, em Sabará, Região Metropolitana de Belo Horizonte, e substituiu o sentimento de dor e sofrimento que cerca local por um ar de alegria e oportunidade para realização de sonhos.
A ideia partiu de Vivianne Brasil, CEO presidente da Metropax, que recordou de um casamento comunitário realizado pelo Grupo Cortel em Porto Alegre, em 2019 também em um cemitério. “Como foi um sucesso, muito bem recebido pela sociedade, nós resolvemos fazer aqui na Grande Belo Horizonte”, explicou.
Segundo ela, a empresa sempre investe em ações sociais e, por isso, resolveu aproveitar o mês das noivas para realizar o sonho de várias mulheres que não tiveram a oportunidade de ter uma cerimônia religiosa por questões financeiras. “Pensei: ‘Por que não ajudar noivas carentes?’. Abrimos a seleção na nossa rede social e tivemos esse sucesso nas inscrições, já tenho duas noivas para o ano que vem”, conta, com a expectativa de dar continuidade ao projeto.
Sete casais toparam participar da cerimônia: Cláudia Regina da Silva, de 51 anos, e Wagner Marcos Duarte, de 53; Kely Rodrigues de Moura Santos, de 43, e Paulo César da Silva, de 45; Thânia de Oliveira Alves, de 33, e Luiz Henrique da Silva Abreu, de 43; Lucilene Ribeiro Campos, de 48, e Clayvson Campos Nuvem, de 53; Letícia Caroline de Fátima Mesquita, de 29, e Adriano da Glória Fernando, de 35; Camilla Fernanda Rodrigues Alves Moreira, de 33, e João Lucas Moreira Meira, de 29; Marta Dias Andrade, de 55, e Jurandi Cardoso dos Santos, de 56.
O celebrante ecumênico, Cláudio Júnior, elogiou a coragem dos casais de assumirem o compromisso: “Quero dizer aos casais que nos dias de hoje é muito difícil ter coragem para casar, mais coragem ainda é casar em um local diferente como este. A tradução da palavra ‘coragem’ significa agir pelo coração, que vocês possam seguir o vosso coração.”
Ele descreveu a história de amor desde o início de cada um dos noivos e deu a bênção para a união. Após todos prometerem ser fiéis aos companheiros, amá-los e respeitá-los na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, “até que a morte os separe”, o religioso declarou como esposo e esposa os sete casais e autorizou o beijo apaixonado de todos eles.