Bom, sou novo por aqui, então vou me apresentar: meu nome é Érico Damada, tenho 30 anos e sou um professor de inglês apaixonado por ensino e por idiomas em geral. O que sempre me deixou fascinado sobre falar outros idiomas é a quantidade de possibilidades e experiências que acabam vindo junto com a língua estrangeira e, convenhamos, dá para precificar experiências? Quero contar uma história e depois você me diz!
Muitas pessoas já me conhecem pelo fato de eu falar outros idiomas, especialmente o inglês, então, vez ou outra, quando surge um estrangeiro aqui pelas terras da jabuticaba, me convidam para apresentar a nossa cidade para o estrangeiro ou mesmo aproveitar de um momento de lazer, trocar experiências.. enfim! Allan, um conhecido que veio do Quênia, esteve por aqui na última semana e queria desfrutar das delícias da nossa culinária, praticamente uma unanimidade, não é? Convidamos Allan, então, para vir a Sabará, onde foi apresentado às igrejas históricas e, logo em seguida, à nossa fome voraz. Allan se deliciou com iguarias diversas, de coração de galinha à mandioca na manteiga de garrafa.
Apesar de novo por aqui, Allan, de gosto duvidoso, já tinha simpatizado com um time de futebol mineiro, o Atlético. Enquanto desfrutávamos da deliciosa refeição, Allan era também entretido pelo jogo de futebol transmitido na ocasião pelo bar onde estávamos. Enquanto conversávamos e trocávamos experiências sobre as diferenças entre as nossas culturas, fui surpreendido por um toque nas minhas costas seguido de um “my friend!” Assustado, olhei para trás. Não, eu não conhecia o sujeito, mas isso é Brasil, não é? Esbanjando simpatia, o cidadão começou a gastar todo o seu inglês tentando se comunicar com o Allan.
Cheio de brasilidade, o senhor, que tentava a todo custo empregar todas as palavras em inglês que conhecia, me olhou profundamente e disse: “my friend, isso eu não vou saber dizer, mas pode pedir pra ele trocar de camisa comigo?” Allan vestia uma camiseta azul turquesa, enquanto o nosso novo amigo vestia uma camisa do Atlético. Eu, incrédulo, perguntei a ele novamente o que ele queria que eu perguntasse ao queniano – que tinha acabado de relatar sobre como na cultura deles o homem precisa matar um leão e entregar a pele ao futuro sogro para ter a mão da mulher amada. Com a informação confirmada, engoli seco e fiz a pergunta ao Allan.
O resultado: sim, meus caros leitores, Allan saiu do restaurante vestido com uma camisa do Atlético, e eu, saí de lá com ainda mais certeza de que o brasileiro é um ser humano extraordinário.
*Érico Damada - Professor e proprietário da Escola de inglês Golden Palm