Ex-presidente do Atlético e ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil entrou com uma notícia-crime, na terça-feira (29), na Promotoria Criminal do Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG), com o pedido de investigação de possíveis irregularidades na eleição do Conselho Deliberativo do Galo.
A notícia-crime leva em consideração uma possível fraude eleitoral, revelada pelo conselheiro benemérito Cláudio Utsch, nas eleições ocorridas neste ano para a nova composição do Conselho. Os conselheiros Lásaro Cândido da Cunha e Rodolfo Gropen também cobraram o Atlético sobre o caso.
Segundo o Estatuto do clube (artigo 4, parágrafo 1), podem se candidatar ao Conselho Deliberativo aqueles que cumprem - entre outros pontos - o requisito de ter feito parte do quadro social da instituição nos dois anos anteriores. Alguns conselheiros eleitos não tinham essa condição exigida, segundo a denúncia feita por Utsch.
A notícia-crime foi protocolada pelo advogado Tarcísio Maciel Chaves de Mendonça, doutor em Direito pela UFMG, que acredita que o Atlético pode ter burlado uma norma do Estatuto do clube.
"O presidente do Conselho Deliberativo (Ricardo Guimarães) pediu parecer sobre o caso ao jurídico do clube, que disse não ser necessário que o sócio esteja no quadro há mais de dois anos, basta que ele adquira uma cota que exista há mais de dois anos. Isso contrasta com a literalidade do disposto no art. 4º §1º do Estatuto Social do clube. Na nossa análise, o parecer do jurídico faz prova de que realmente há grave irregularidade da eleição do Conselho Deliberativo que pode consistir na prática do crime de falsidade ideológica” , disse Mendonça, em entrevista ao Superesportes.
"Se as suspeitas forem confirmadas, o presidente do Atlético, com ou sem a participação do presidente de Conselho Deliberativo, está burlando o Estatuto Social do clube. Para se candidatar a conselheiro o sócio deve integrar o quadro societário há mais de dois anos e não assumir uma cota antiga já devolvida à administração do clube por outro sócio", completa.
O advogado lembra que é o presidente do Atlético, Sérgio Coelho, quem confirma as candidaturas, por isso ele é citado na notícia-crime, assim como o presidente do Conselho, Ricardo Guimarães.
"Se o presidente autoriza uma candidatura que não preenche os requisitos, ele pode ser enquadrado no crime de falsidade ideológica", reforça o advogado.
Agora, cabe ao promotor escolhido apurar a notícia-crime e entender se há algum indicativo de irregularidade a ser investigada. Não há previsão de tempo para o MP se posicionar sobre o assunto.
Dentro do Atlético, interlocutores disseram à reportagem que essa medida de Alexandre Kalil pode prejudicar no processo de venda de parte das ações da SAF. O Galo entende que essa negociação é a
única forma de resolver o problema do grande endividamento do clube.
Conselho
No dia 17 de novembro, o
Conselho do Atlético publicou uma nota sobre a polêmica que envolve uma possível fraude nas eleições realizadas para a nova composição do grupo do clube mineiro.
Em sete pontos distintos, o Conselho Deliberativo garante que a eleição da chapa "Galo Triplete" transcorreu "dentro da mais absoluta legalidade e lisura".