Sabará foi palco de uma grande ação policial deflagrada no dia 3 de maio. Trata-se da operação “cachaça batizada” que desmantelou um esquema de falsificação de bebidas alcoólicas que funcionava no bairro Nações Unidas. Na casa foram apreendidos centenas de garrafas, embalagens plásticas, rótulos e cerca de mil litros de aguardente que ainda seria envasada. A ação foi feita em conjunto entre a Polícia Civil, o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
De acordo com a Polícia Civil, o esquema atuou por pelo menos seis anos e os preços das bebidas falsas chegavam a R$300. Três pessoas já foram presas e vão responder pelos crimes de falsificação, da ordem tributária e contra o consumidor. A pena pode ultrapassar 10 anos de reclusão. De acordo com o delegado Davi Moraes, as investigações começaram em março após uma denúncia anônima.
“A falsificação era feita com a diluição de cachaça adquirida de diferentes fornecedores de Belo Horizonte e região Metropolitana. A diluição era feita com acréscimo de várias substâncias diferentes, como álcool, cloro, corantes e melados diversos. O líquido era envasado em garrafas de marcas conhecidas. O material apreendido foi encaminhado para a perícia da PCMG, porém ainda não obtivemos o retorno da avaliação do material”, explica o delegado.
A operação está concentrada na cidade de Sabará no que tange a fabricação ilegal, porém os fornecedores até então identificados são de Belo Horizonte e Contagem. Em Sabará foram apreendidas várias garrafas de vodka, whisky, licor e principalmente cachaça, que é o carro chefe da organização. Os rótulos eram inventados com especificações sem registros, CNPJ falso e descrições para enganar a origem de produção.
As bebidas adulteradas eram comercializadas a valores baixos para pessoas de menor poder aquisitivo. Em outra fase da operação “cachaça batizada” uma distribuidora clandestina foi fechada em Contagem, onde foram apreendidos 70 mil litros da bebida sem certificado de procedência.
“Estamos olhando os bares que são receptores. Em um deles encontramos uma menina de 14 anos responsável pelo bar em General Carneiro. Já indiciamos a proprietária do estabelecimento. Os técnicos do IMA e do MAPA disseram os danos neurológicos pela ingestão dessa bebida adulterada podem ser irreversíveis, podendo levar até a morte. Como a maior parte dos consumidores dessas bebidas eram pessoas de baixo poder aquisitivo ou viciadas em drogas, muitos casos de complicações foram subnotificados”, disse o delegado.
As investigações continuam, visto que o mercado de falsificação de bebidas envolve vários atores, desde os distribuidores, passando pelos falsificadores e chegando nos comércios que vendem estes produtos. Trata-se de um mercado muito lucrativo e que, por este motivo, possui vários interessados de diferentes esferas da sociedade.