A delegada Thalita Caldeira, Titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher em Sabará, e a assistente social Eliane Munk, Coordenadora do CREAS - Centro de Referência Especializado de Assistência Social, participaram do 11º Workshop de Acesso à Justiça, realizado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) em parceria com o Instituto Avon, em Belo Horizonte. O evento abordou a criação e o fortalecimento das redes de proteção às mulheres vítimas de violência doméstica e familiar no interior do estado, e teve como objetivo desenvolver um trabalho eficaz e integrado de suporte às vítimas.
A iniciativa reuniu policiais, promotores, defensores, magistrados, integrantes de organizações sociais, além de membros de equipes multidisciplinares, que atuam nos diferentes territórios e órgãos de proteção à mulher.
Durante os dias 25, 27 e 27 de maio -, o MPMG, por meio do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (CAO-VD), e as instituições parceiras que compõem o programa Rede de Justiça, se reúniram para compartilhar experiências e traçar planos visando à proteção das meninas e mulheres vítimas de violência praticada por maridos, companheiros e namorados.
Além de membros e servidores do Ministério Público e do sistema Judiciário, participam também policiais civis e militares, defensores públicos, advogados, psicólogos, assistentes sociais, organizações da sociedade civil e outros membros da rede de enfrentamento e acolhimento a mulheres em situação de violência, muitos deles representando as diferentes regiões de Minas.
A promotora de Justiça Elisabeth Cristina dos Reis Villela, que representou o procurador-geral de Justiça, Jarbas Soares Júnior, na abertura do evento, destacou a gravidade do quadro de violência, citando números recentes de crimes contra as mulheres.
Ela ressaltou que somos o 5º país do mundo mais violento para as mulheres, num ranking de 83 países, sendo que, nos últimos 12 meses, durante a pandemia de Covid-19, oito mulheres foram agredidas fisicamente, por minuto, no Brasil.
Citando dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a promotora de Justiça disse que, no mesmo período, uma em cada quatro mulheres foi vítima de algum tipo de violência, em 2021. “Em Minas Gerais, todos os dias uma mulher sofre um atentado que pode significar sua morte, já que temos cerca de 21 feminicídios tentados e 12 consumados a cada mês”, afirmou.
Elizabeth Villela lembrou que principalmente mulheres negras, idosas, periféricas e rurais sofrem vulnerabilidade e precisam receber amparo e a proteção da Lei Maria da Penha, e que o enfrentamento desse problema representa um grande desafio. “Trata-se de um fenômeno complexo, que precisa de reformas integrais, nem sempre presentes na realidade do nosso estado.