A história parecia até um roteiro de filme, mas aconteceu na vida real. A cidade de Sabará foi o ponto de partida para desvendar o mistério do desaparecimento de Alexandra Mazzei. Joanna Mazzei, irmã de Alexandra, que atualmente reside na Espanha e sonhava encontrar a irmã que nunca soube que tinha familiares a sua procura.
Joanna entrou em contato com a Folha de Sabará em 2020 para contar o drama familiar e pedir ajuda. No Brasil, ela conta com uma amiga e aliada na busca incansável pelo paradeiro de Alexandra, Jaqueline Fernanda Gomes, que mora em Barretos, interior de São Paulo.
E foi Jaqueline que descobriu nas últimas semanas o que realmente aconteceu com Alexandra.
Relembre a história
Segundo Jaqueline o nome verdadeiro de Alexandra é Sabá de Vido, nascida em Berlim, na Alemanha, em 26 de setembro de 1979, ela é filha de Arfio Mazzei Neto e Sônia de Vido. Sabá morava com a mãe na Itália e de acordo com Jaqueline a criança foi sequestrada pelo pai e levada para o Uruguai no começo de 1983. Chegando ao Uruguai, Arfio disse a sua mãe (avó paterna de Alexandra) e a Joanna (irmã) que a mãe de Alexandra (Sônia) havia "dado" a criança a ele. Nesse mesmo ano, Arfio levou Sabá para o Brasil antes dela completar 4 anos, foi a última vez que Joanna viu a irmã. Ao chegar ao Brasil o pai a registrou novamente com o nome de ALEXANDRA MAZZEI, nascida em 14 de outubro de 1979, em Curitiba, Paraná, como consta na certidão de nascimento que a Folha de Sabará teve acesso com exclusividade.
Residência em Sabará
Joanna e Jaqueline souberam que o pai e a irmã moraram em Sabará, no condomínio residencial Morada da Serra. As duas contaram que receberam informações de que Arfio teria fugido ou fora subtraído subitamente de seu apartamento, juntamente com Alexandra, deixando tudo para trás: roupas, móveis e documentos. Até mesmo o prato de comida que estavam fazendo a refeição ficou intocável na mesa. O ano em que isso aconteceu ainda é confuso, pois algumas pessoas que os conheceram disseram que isso ocorreu em 1987 /1988. Segundo Jaqueline, o proprietário do apartamento em que Arfio morou em 1992 entrou com um processo por reintegração/manutenção de posse, ela acredita que seja para se resguardar, pois, Arfio deixou o apartamento trancado e mobiliado. Joanna e sua amiga souberam que Arfio foi para Belo Horizonte, mas ambas não tiveram informações do ano exato em que isso aconteceu e se Alexandra estava com ele.
Em registro na carteira profissional digital consta que Arfio trabalhou na Prefeitura de Sabará no período de 10/04/1986 a 27/03/1987. Em Belo Horizonte ele trabalhou no Colégio Anchieta LTDA de 01/04/1987 a 25/05/1987; na empresa CARDOSO DA COSTA & CIA LTDA (Plaza Palace Hotel) de 07/03/1991 a 15/04/1991. Consta outros registros profissionais na empresa Editora Visão Ltda, em períodos distintos, de 20/03/1991 a 03/05/1991 e 31/03/1991 a 01/05/1991.
Sônia de Vido veio ao Brasil em busca de Alexandra, ela teve informações de que a filha estava na Bahia, mas sem sucesso, retornou para a Itália. Desiludida e sem esperanças de encontrar a filha amada, Sônia entrou em depressão e faleceu em 2010 com problemas mentais.
A versão do pai sobre o desaparecimento de Alexandra
Segundo Joanna, em 1993 Arfio voltou para o Uruguai sem Alexandra. Chegando à casa de sua mãe (avó paterna de Alexandra) Arfio disse que "perdeu" Alexandra com apenas três anos de idade na cidade de São Paulo, mas não se lembrava onde. A partir daí Joanna começou as buscas por Alexandra (que todos achavam que ainda se chamava Sabá, pois, Arfio não disse que tinha mudado o nome, a data de nascimento e nacionalidade da filha).
O Fim da procura
Foram anos de buscas incansáveis até que no fim de maio de 2022 a família descobriu o que aconteceu com Alexandra Mazzei.
Segundo informações, Árfio pai de Alexandra, fugiu de Sabará e foi para São Paulo com Alexandra, lá viveu em situação de rua, vendendo artesanatos pra sobreviver. Foi aí que o conselho tutelar interveio e levou Alexandra para um abrigo.
Na madrugada em que Alexandra foi resgatada, ela estava com muita febre e com vários ferimentos pelo corpo, inclusive queimaduras de cigarro.
Foi apurado que ela não sofreu abusou sexual, apenas físico e psicológico, tendo que inclusive passar por tratamento psicológico até o dia de sua morte.
Alexandra foi entregue a uma mulher que se chama Marina que na época trabalhava no Conselho Tutelar e conseguiu a guarda de Alexandra legalmente, segundo Jaqueline Fernanda Gomes a pessoa não apresentou nenhum documento que comprovasse isso). O que Marina contou foi que criou Alexandra até os 16 anos, quando no dia 05 de março de 1996, ela suicidou deixando um bilhete dizendo que se matou para se encontrar com os “Mamonas Assassinas” que tinham falecido há pouca dias.
Infelizmente uma matéria com um final triste. Uma criança tirada de sua família, sequestrada pelo próprio pai. A pequena Alexandra Mazzei teve sua vida roubada, a mãe de Alexandra perdeu sua sanidade mental logo após o sequestro de sua filha e nunca mais pode revê-la. Os irmãos não puderam conhecê-la e avó não pode reencontrar a neta.
A irmã de Alexandra Joanna Mazzei nunca desistiu de encontrá-la.
Nunca haverá justiça pra nenhum deles. O pai, Arfio Mazzei, o verdadeiro culpado, destruiu todas essas vidas e hoje vive sem pagar todo o mal que ele fez.
Alexandra Mazzei faleceu em 05/03/1996 aos 16 anos de idade em Praia Grande – São Paulo