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Moradores de prédios no bairro Paciência sofrem com inundações
Região onde residencial foi construído se encontra registrada como área de risco desde 2012 pelo RIGEO (Repositório Institucional de Geociência)
31/01/2022 15h34 Atualizada há 4 anos atrás
Por: Glaucia Melo Clark Fonte: Folha de Sabará

Os moradores do Condomínio Residencial Scharlé, localizado no bairro Paciência,  viveram mais uma vez o drama das enchentes. Assim como em 2020, este ano o Rio das Velhas transbordou e inundou os apartamentos do primeiro pavimento, além das áreas de uso comum,  como portaria, salão de festas e quadra poliesportiva. No total foram 48 apartamentos alagados. 

Novamente os moradores passaram pelo transtorno de deixar suas casas e somar os prejuízos. Dessa vez eles alegam que a Defesa Civil Municipal não avisou com antecedência o risco de inundação. “Infelizmente, como a água subiu cerca de 40 centímetros a mais do que na última vez, acabamos perdendo mais coisas, como alguns eletrodomésticos de pequeno porte que tínhamos simplesmente deixado em um nível mais alto do armário, e os próprios armários, que não tinha como remover por serem planejados. Além desses prejuízos, ainda não contabilizamos o investimento necessário à reforma do imóvel, que demandará revisão elétrica, troca das portas (tanto a principal quanto as internas), pintura e ornamentações, se levar em consideração o imóvel como estava antes da inundação”, disse o morador Érico Marcelino Damada.

Outra reclamação feita por Érico é que foram os próprios moradores que se organizaram para procurar abrigo. Ele alega que a Defesa Civil não os guiou até um ponto de apoio. 

“O que também nos deixa inseguros em relação ao retorno é o fato de a única informação emitida pela Defesa Civil a nós, do Residencial Scharlé, diz respeito a uma recomendação em função da precipitação de chuvas até o mês de março. Não houve emissão de laudo técnico-estrutural ou análise que pudesse nos garantir segurança de retorno ou não por parte do órgão público. A única informação que obtivemos acerca da estrutura do empreendimento nos foi dada pelo engenheiro da própria Unenco, que alegou não haver risco de desabamento”, explica o morador.

Além disso,  muitas queixas recaem sobre a construtora Unenco, responsável pela obra do condomínio residencial. Em sua defesa a construtora alega que o volume de chuvas foi três vezes acima do esperado para a região e que a obra está totalmente regular. 

 

UNENCO

“Os nossos engenheiros realizaram vistorias emergenciais e nenhum risco iminente foi constatado nos imóveis. O empreendimento atende a todos os requisitos legais, inclusive os previstos no Código de Posturas e no Plano Diretor do município de Sabará. As licenças ambientais também estão de acordo com a legislação vigente, estando a obra, portanto, 100% regular. A construtora informa ainda que todos os apartamentos foram financiados pela Caixa Econômica Federal (CEF), que possui regras rigorosas e analisa todos os riscos, antes de liberar qualquer contrato. Ressaltamos que todos os imóveis, com suas respectivas áreas comuns e entorno, passaram por análise de engenheiro contratado pela CEF, antes do fechamento dos contratos. Isso, mais uma vez corrobora que a obra está 100% regular e de acordo com todas as regras de segurança exigidas”, afirma a Unenco.

Entretanto,  os moradores já ingressaram nas justiça para que os responsáveis por tantos prejuízos sejam punidos e até um laudo técnico foi feito para avaliar falhas construtivas. Esse laudo identificou, por exemplo, que o condomínio foi construído em área de risco, pois não foi respeitado o distanciamento mínimo do fundo do lote ao Rio das Velhas.

 

PREFEITURA 

A prefeitura também se manifestou sobre este tema por meio de nota. “Sobre o Residencial Scharlé, no bairro Paciência, informamos que o mesmo passou pelo licenciamento ambiental junto à Secretaria Municipal de Meio Ambiente em 2016, no qual obteve a Licença Ambiental Prévia e de Instalação nº 001/2016 emitida pelo Conselho Municipal de Defesa e Proteção do Meio Ambiente em 15 de setembro de 2016. Ressaltamos que a análise do referido processo não foi feita pela atual equipe da Secretaria de Meio Ambiente. Portanto, não é possível afirmar se apenas foram avaliadas as legislações pertinentes ou se houve algum comunicado sobre o potencial risco de inundação da área”, comunicou a prefeitura.

CAIXA ECONÔMICA FEDERAL

Procuramos a Caixa Econômica Federal,  instituição que realizou o financiamento do empreendimento, para comentar essa situação.Em nota a Caixa “Esclareu que o Residencial Scharlé foi construído e entregue pela construtora Unenco, mediante emissão de Habite-se pela Prefeitura Municipal, tendo a Caixa atuado na condição de agente financeiro para financiamento da obra. A Caixa disponibiliza o canal De Olho na Qualidade para atendimento a informações e reclamações sobre possíveis danos físicos e vícios construtivos, através do telefone 4004-0104 (capitais e regiões metropolitanas) ou 0800-104-0104 (demais localidades) ou pelo site https://www.caixa.gov.br/faleconosco. Em relação a este empreendimento, verificamos que não consta, atualmente, demandas abertas no referido canal”, informa o banco.

Enquanto isso, os moradores se sentem desamparados. “Quando se trata de legislação, por exemplo, liberação de licenças e afins, não deveriam existir análises subjetivas, liberações subjetivas. É objetivo. É ou não é. Ficamos, então, numa situação muito delicada e nos sentindo vulneráveis. Não sabemos exatamente de quem é a culpa, mas alguém errou e nós, moradores, consumidores, não podemos ser lesados pelo equívoco de outrem”, concluiu Érico.

 

RUA DONA FILHINHA

Na mesma situação estão os moradores dos prédios recém construídos na Rua Dona Filhinha, no bairro Paciência. A Folha de Sabará pode acompanhar de perto todo o sofrimento daquelas pessoas. Móveis planejados, roupas e pequenos eletrodomésticos, vasilhas e objetos pessoais foram sendo jogados no lixo no decorrer da limpeza dos apartamentos. 

Um mutirão de moradores, amigos e familiares se uniram para tentar de alguma forma ajudar na reconstrução e trazer um pouco de esperança para aqueles que mais uma vez tiveram sua moradia destruída pelas enchentes

Agora a associação dos moradores se une para buscar os seus direitos na justiça.