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SAÚDE Saúde

Vida volta quase ao normal, mesmo com patamar de mortes ainda alto

Especialistas pedem cautela devido ao baixo índice de pessoas completamente vacinadas e dos casos da variante Delta no país

24/07/2021 02h25
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Por: Redação Fonte: R7 - Carla Canteras, do R7

Quem olha a movimentação nas grandes cidades brasileiras, a volta de público em jogos de futebol, como aconteceu na última quarta-feira (21) na partida entre Flamengo e Defensa y Justicia, pela Copa Libertadores, em Brasília, pode pensar que a pandemia, enfim, está controlada, com taxa de transmissão baixa e números de óbito próximo a zero.

De fato, a evolução da vacinação fez com no país atingisse o menor nível de mortes desde fevereiro, com média inferior a 1.200 perdas por dia. Mas os médicos pedem cautela na euforia, uma vez que a porcentagem de brasileiros totalmente imunizados é cerca de 18% e a média de novos casos em torno de 40 mil, além de ao menos 135 casos confirmados da variante Delta no país.

O infectologista, Renato Kfouri, diretor da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), explica que a situação atual permite o relaxamento das medidas de distanciamento social, mas com responsabilidade.

"Há algumas semanas estamos registrando menos casos, o que nos permite falar em relaxamento de medidas. Mas, o processo deve ser lento, progressivo, de olho nos dados epidemiológicos, e com responsabilidade. Temos poucas pessoas com a imunização completa e uma variante forte na nossa sombra, querendo se impor no Brasil. Não estamos no momento de vale-tudo" afirma o médico.

De acordo com dados da Imperial College London, no Reino Unido, a taxa de transmissão da covid-19 aumentou na última semana no Brasil. A taxa foi de 0,88 para 0,95, o que significa que a cada 100 pessoas doentes, outras 95 saudáveis são infectadas. No período de 12 a 18 de julho, cada 100 pessoas transmitiam para outras 88. Quando o número está abaixo de 1 indica controle da pandemia.

Os médicos apontam que o principal desafio do PNI (Programa Nacional de Imunizações) é conseguir completar o esquema vacinal dos brasileiros. De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 4 milhões de brasileiros estão atrasados com a aplicação da segunda dose. 

"Precisamos agilizar a imunização dos adultos, mas a completa, não só da primeira dose. A eficácia melhora muito quando temos as duas doses. As vacinas têm de chegar a todos os pontos do Brasil. A distribuição e registro têm de ser rápidos. O mais importante nesse momento é a vacinação. Assim garantimos o que estamos falando, para chegar à imunidade coletiva", diz Gulnar. 

Precisamos agilizar a imunização dos adultos, mas a completa, não só da primeira dose.

Gulnar Azevedo e Silva, epidemiologista

Para Kfouri, a preocupação não pode ser de atingir uma porcentagem da população vacinada e sim aplicar o maior número de doses possível. "Não tem número mágico e não acho que temos de buscar 60, 70%. Temos de usar a estratégia de buscar o maior número de esquemas vacinais completos possível. Esse é o maior desafio, precisamos imunizar o mais rápido possível, o maior número pessoas com esquema completo. Isso sim vai trazer o benefício do programa como estratégia", acrescenta o infectologista. 

A taxa de abandono é comum em campanhas de imunização com mais de uma aplicação. Porém, a comunicação correta e a busca-ativa dos atrasados por parte das secretarias municipais e estaduais de saúde é fundamental.

"As pessoas esquecem, se sentem protegidas ou tiveram reação na primeira e têm medo de voltar pra segunda dose. Aqui, ainda tem o fato de que algumas pessoas voltaram e não encontraram o imunizante para a segunda dose. Tem de fortalecer a busca pelos faltosos, porque é importante completar o esquema. Já que é uma vacinação diferente das que fizemos até hoje", ressalta Kfouri. 

As expectativas são positivas, uma vez que o Ministério da Saúde tem previsão de receber em agosto e setembro 130.536.211 doses, e no quarto bimentre, a previsão é de 291.119.500 doses. Imunizantes suficientes para aplicar em toda população vacinável, de 158.095.094. 

A médio e longo prazos, a epidemiologista acredita que a solução para o controle permanente da covid é a autossificência na produção de vacinas. 

"Esse vírus é muito imprevisível, variantes novas podem surgir. Então, o Brasil precisa ser autossuficiente na produção de vacinas para não dependermos de ninguém. Temos duas instituições muito boas, Fiocruz e Butantan, que produzem vacinas e precisam ser fortalecidas, financiadas e valorizadas. É difícil prever o fim da pandemia, mas a experiência que temos dos outros países que têm 50% de pessoas vacinadas, a queda de mortes e internações é vertiginosa", completa Gulnar. 

 

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