SEXTA-FEIRA, 18 DE SET DE 2020
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NOTICIÁRIO - GERAIS
17 DE JULHO DE 2020
309 anos da Villa Real da Nossa Senhora da Conceição do Sabará

Em meio a uma situação inimaginável quando o país é acometido por uma pandemia causada pelo coronavírus, a Villa Real de Nossa Senhora da Conceição chega aos 309 anos. Um mês de julho sem meninada no Teatro e nem no Centro Cultural José Costa Sepúlveda, não veremos os nossos músicos nos palcos, coreto e praças, sem o emocionante e grandioso encontro de bandas. Não veremos nossos atores, bailarinos, poetas, artistas plásticos, artesãos. Um mês de julho sem as delícias produzidas pelas mãos mágicas das nossas quitandeiras e quituteiras. Mas o que é mesmo que comemoramos no dia 17 de julho? Conheça um pouco desta história contada pelo nosso amigo Sérgio Alexandre (Serjão)

A notícia de ouro em abundância nas terras do SABARABUÇU atraiu grande número de aventureiros. Logo se instalou o caos, a desordem e a fome. Entre outros motivos, a Coroa não tinha como fiscalizar o quanto de ouro era extraído e, como forma de ter maior controle, cria as primeiras vilas mineiras em 1711. Em 8 de abril, a Villa do Ribeirão do Carmo (Mariana); em 8 de julho, a Villa Rica (Ouro Preto), e em 17 de julho, a Villa Real de Nossa Senhora da Conceição do Sabará.

As formas de comemorar foram obviamente mudando ao longo do tempo. No livro da professora Maria de Lourdes Guerra Machado, “NAS RUAS DE SABARÁ”, encontramos um interessante registro. Em 1911, quando das comemorações dos 200 anos de Villa, a Câmara Municipal resolve mudar o nome da antiga Rua da Cadeia para Rua Borba Gato, numa justa homenagem ao bandeirante paulista dado como fundador da nossa cidade.

As inaugurações de placas denominando ruas era um ato solene e muito prestigiado. O programa das festividades comemorativas pelo 245º aniversário da Villa Real, vemos a realização de solenidade de descerramento, chamada inauguração, das placas dando nome a rua Dr. Zoroastro Passos, homenageando o brilhante médico e historiador sabarense. Neste ano as festividades se restringiram ao dia 17, começando às 5 horas com alvorada com a Banda Santa Cecília e salva de 21 tiros. Podemos destacar também, a sessão solene que ocorrida no Teatro Municipal quando ali se fez o lançamento oficial do “Roteiro Turístico de Sabará”, opúsculo de Antônio Santa Rosa com ilustrações de Onésimo dos Santos. Algo que chama a atenção no roteiro desta solenidade é a presença do representante de uma certa “Casa dos Amigos de Sabará”, em Belo Horizonte. No mínimo curioso. O dia termina com retreta e baile popular na praça Bueno Brandão, momento no qual o prefeito senhor José Costa Sepúlveda entrega troféus aos campeões e vices das muitas disputas esportivas, encerrando as festividades daquele 17 de julho de 1956.

Num salto chegamos a 1961, nas comemorações pelos 250 anos de Villa Real. As festividades têm início no dia 09 de julho, domingo, com repique de sinos em todas as igrejas da cidade. Mais tarde, uma missa campal é celebrada pelo Arcebispo D. João de Resende Costa, no largo do Ó. À noite, no Teatro, a banda Santa Cecília receberia a escritora Lúcia Machado de Almeida, que faria uma palestra, sendo saudada pelo professor Joaquim Sepúlveda. No dia 13, uma quinta feira, à noite, o Siderúrgica recebia o Bangu, do Rio de Janeiro. O programa é extenso, rico e diversificado. No dia 17, às 10h, em frente à prefeitura, acontece a cerimônia de inauguração da nova, e atual, rodovia Sabará/Belo Horizonte, que contou com a presença do governador de Minas, senhor José de Magalhães Pinto. Em seguida, na praça Melo Viana, missa presidida pelo então Bispo Auxiliar Dom Serafim Fernandes de Araújo. Na sequência, inaugurava-se naquela mesma praça monumento comemorativo doado pela Companhia Siderúrgica Belgo Mineira. O dia termina com diversas apresentações artísticas, ali mesmo na praça. No entanto, o encerramento das festividades só termina no dia 18, com a apresentação do coral norte-americano “Michigan Chorale”, em palanque armado na praça Melo Viana.

Encontramos na edição especial desse ano de 1961 do jornal “A Gazeta Sabarense”, um anúncio inusitado que aqui transcrevemos: “Ao povo sabarense. Ganhe uma passagem ida e volta a Belo Horizonte. No dia que correr pela primeira vez os ônibus pela nova estrada para Belo Horizonte, vá comprar seu sapato e para toda a família, na SAPATARIA DA CIDADE, rua Tamoios, 55. Basta ao comprar, mostrar sua passagem, que receberá a importância da mesma”.

As comemorações pelo aniversário de elevação a Villa tal qual temos hoje, teve seu início em 1971. A charmosa praça Santa Rita foi escolhida como cenário principal das festividades e um Coreto de madeira armado sobre uma fonte luminosa existente na praça foi o palco para os shows. Aí foram introduzidas as barraquinhas, chamadas à época de “folclóricas”, como um novo atrativo da programação. Eram exploradas por entidades culturais, filantrópicas e esportivas que primavam pelo bom gosto e carinho na ornamentação. O cardápio era composto basicamente das delícias da cozinha mineira como caldos, vaca atolada, bolinhos de feijão e de batata com bacon, canjica, pastéis e outros.

Zezinho Bouzas, um dos organizadores da época nos fala sobre algumas atrações da programação: “Tivemos naquele ano a apresentação do grupo “Dança da Manguara”, do Paciência, sob a coordenação de Pedro Quati. Um concurso de quadrilhas também aconteceu naquele ano. A sacristia da igreja do Rosário abrigou a primeira exposição de arte sacra. No dia 17, a cidade recebeu a visita do governador Rondon Pacheco, que tomou uma batida de limão, moda naquela época, no coreto. Encerrando as festividades realizamos, pela primeira vez, o concurso Sinhá Moça vencido por Lulu Dias. Abrilhantando o concurso, a banda Opus 6, de General Carneiro, liderada pelo Nonato”. Também nos anos 70/80 brilhava e encantava a arte dos grupos de seresta e de seresteiros, tinham merecido destaque na programação. O Grupo de Teatro Cena Aberta, àquela época, Grupo de Teatro do Conselho de Arte de Sabará, preparava anualmente um espetáculo para o mês de julho. Destacamos aqui também as participações do Coral Waldemar Batista, da Sociedade Musical Santa Cecília, e da roda de samba do Moralistas. E citando estes movimentos, abraçamos todos os outros que também escreveram o nome nos programas do período citado.

Memória: Quando falamos de barraquinhas do mês de julho, nos vem a memória o nome de Dona Maria da Cunha Simões ou como era carinhosamente conhecida, Dona Maria de Mozart. Figura querida e muito carinhosa, tinha mãos abençoadas para cozinhar.

Com o passar do tempo, os programas passaram a trazer na capa reproduções de quadros de artistas sabarenses o que popularizava a arte e o artista. Isso acabou criando um costume interessante, o de emoldurar tais reproduções para decorar as paredes das casas. Ainda hoje podemos ver os “quadrinhos”, como eram chamados, em muitas casas. Entre os costumes criados pelo evento podemos também citar aquele que se reporta a saber qual será o grande show do dia 17. As pessoas ainda costumam dizer: “Olha fiquei sabendo de fonte segura que vai ser grupo tal!”. Ou ainda: “Uma pessoa de dentro da Prefeitura me disse que vai ser fulano. Mas pediu segredo!”. Muito engraçado.

Chegamos a 2011, ano do tricentenário de elevação à Villa. Uma programação intensa e que atendia aos mais diversos segmentos da arte e da cultura sabarense, foi desenvolvida e realizada com carinho e dedicação. O programa de beleza ímpar, nos mostra uma programação que levou as comemorações para toda a cidade, com teatro de rua, cinema na praça, retretas e diversas outras atividades. Podemos destacar alguns momentos do programa como a exposição de fotos retratando pessoas da cidade em eventos sociais, culturais e esportivos, denominada “300 anos, 300 fotos” – um sucesso. No Teatro, foi lançado pelos Correios o selo comemorativo da data, interessante ressaltar que a proposta da edição de um selo comemorativo nos 300 anos de Villa foi feita por Sabará e, por acréscimo, também foram comtempladas com o selo Mariana e Ouro Preto. A Seleção Sabarense de futebol disputava prova de honra contra o Júnior, do Clube Atlético Mineiro, e show com Frejat encerrava aquele 17 de julho.

Memória: Devemos destacar aqui um evento que se transformou num grande encontro entre sabarenses, o “Encontro de Bandas”. Emoção, alegria, talento são apenas algumas palavras que podem descrever aquele momento genial, para muitos o ponto alto da programação.

As festividades em comemoração ao aniversário pela elevação à Villa, data máxima do município e momento de maior efervescência cultural, guardam um sem-número de momentos grandiosos, de coisas curiosas, de nomes que construíram esta linda página da história de Sabará, da Villa Real de Nossa Senhora da Conceição do Sabará.

Neste ano, diante da situação que ora vivemos, encontramos na rica memória dos festividades uma forma de comemorarmos os 309 anos da Villa Real. Cremos ser a hora de demonstrarmos o nosso amor sincero por Sabará e pelos nossos irmãos cumprindo, de forma ampla, determinações que nos ajudem a voltar às praças, ao Teatro, ao Centro Cultural, às ruas! Que através deste amor permitamos a volta das bandas e grupos musicais, dos corais, da dança e do teatro, do artesanato, das quitandas e dos quitutes, dos artistas plásticos, dos fotógrafos, dos grupos folclóricos. A volta de tudo que nos une, que nos faz mais irmãos. Por isso, Parabéns Sabará! Parabéns Sabarenses! Que Deus nos abençoe e nos guarde!

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