QUARTA-FEIRA, 02 DE DEZ DE 2020
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NOTICIÁRIO - MEIO AMBIENTE
30 DE MARÇO DE 2020
Educação ambiental para salvar os Rios das Velhas e Sabará

Criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 22 de março de 1992, o Dia Mundial da Água tem o objetivo de conscientizar a população sobre a preservação da água, fonte de vida, tão essencial para a sobrevivência do planeta.

Em 2020, talvez mais que os anos anteriores, esta conscientização se faz necessária, principalmente, para os moradores de Sabará. O município foi assolado pelas fortes chuvas no início do ano, ocasionando inundações em toda a cidade com o transbordamento do Rio das Velhas e Sabará. Após as chuvas foi observado que os rios estão bastante assoreados.

Este fenômeno tem origem bem antiga e quem explica é Apolo Heringer Lisboa, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e fundador do Projeto Manuelzão - de revitalização do Rio das Velhas.

Segundo o professor o problema de assoreamento predatório, não natural, vem desde a chegada dos portugueses ao final do século XVI, com a mineração de ouro em Ouro Preto que drenava para o rio das Velhas. Outra causa é a derrubada da vegetação para produzir lenha, levantar moradias, fabricar utensílios de trabalho, construir currais, etc. “O desmatamento e a mineração provocam a erosão do solo junto com outras intempéries e deformam os leitos dos rios, diminuindo a biodiversidade natural deles, pois, homogeneízam os habitats aquáticos e ripários”, finalizou.

Em pleno século XXI a cidade de Sabará sofre as consequências do mau uso dos recursos hídricos. A cada ano a história se repete, com menos ou mais intensidade, a certeza é de que os rios deram um alerta. É preciso reconstruir a cidade com um planejamento que amenize novos desastres. Apolo Heringer acredita que somente a educação ambiental envolvendo todos os atores da sociedade: políticos, empresários, e, principalmente, a população poderá mudar esse cenário.

O pensamento do professor Apolo vai ao encontro da postura da administração pública de Sabará. A questão da educação ambiental já é discutida na rede de ensino da cidade. Nas escolas do ensino fundamental foram inseridas na grade curricular a matéria de Cidadania com o intuito de preparar as futuras gerações para uma consciência de preservação e respeito à natureza.

Enquanto isso, a cidade tenta se erguer. Para o prefeito, Wander Borges, as questões climáticas mudaram ao longo dos anos, alterando até o curso dos rios. As cidades impermeabilizaram todo o solo, árvores foram cortadas, houve uma migração da zona rural para a urbana. “No caso de Sabará que possui uma topografia complexa, infelizmente ainda teremos que conviver com algumas questões que fogem ao nosso alcance. Vamos reconstruir a cidade dentro das possibilidades possíveis, respeitando as leis ambientais e dentro dos limites que a natureza impõe”, ressaltou. Algumas ações já estão em pauta, a prefeitura vai realizar no final do mês de março o plantio de árvores ao longo da rodovia, bem como, reorganizar o plantio de mata ciliar para proteger as margens dos rios.

Sobre o desassoreamento dos rios o prefeito disse que o governo Federal já tem um projeto que não é simples e que envolve uma grande obra. Wander Borges disse ainda que a prefeitura reafirmou junto à esfera federal a necessidade de limpeza principalmente ao longo do Rio das Velhas. “É preciso ter uma ação coordenada pelo Governo Federal no sentido de entender que ao desassorear o rio das Velhas vai trazer mais vida e mais segurança”, enfatizou.

Ao todo são 51 municípios que pertencem a mesma bacia hidrográfica, a responsabilidade de preservação dos rios tem que ser conjunta. Se um município trata seus esgotos e o lixo em 100%, mas a cidade vizinha nada faz, as consequências descerão pelo rio.

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