QUINTA-FEIRA, 18 DE JUL DE 2019
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NOTICIÁRIO - RELIGIÃO
09 DE MAIO DE 2019
40 anos de fé e tradição

A Associação Teatral Zé da Semana Santa completa este ano quatro décadas de fundação. Criada na Paróquia de São Sebastião, em General Carneiro, por José Elísio Alves, ou simplesmente, Zé da Semana Santa. O grupo tem encantado centenas de pessoas, durante todo esse tempo, com o emocionante espetáculo da Paixão de Cristo, apresentado sempre na Sexta-Feira da Paixão.

Zé da Semana Santa conta que quando chegou em Sabará, vindo de João Monlevade, logo passou a fazer parte da Paroquia de São Sebastião e percebeu que as celebrações durante a Semana Santa eram mais litúrgicas, não havia algo que chamasse atenção. Foi então que resolveu implementar o teatro na paróquia. Ele já tinha experiência com a arte, pois já atuava há 13 anos em uma paróquia de João Monlevade. Em 1979, ele pediu autorização ao pároco da igreja para na Sexta-Feira da Paixão apresentar uma peça com Via Sacra, o padre autorizou. Em pouco tempo reuniu 25 pessoas entre atores e figurantes e montou o espetáculo, nascia assim o grupo teatral Zé da Semana Santa, que só ganhou esse nome, muito tempo depois.

Nessa longa caminhada foram muitos os desafios. A princípio tinha muito pouco recuso, as roupas dos soldados eram feitas com papelão, os capacetes eram de arame e papel laminado. Depois de um tempo, como senhor Zé, era funcionário da Belgo, pediu para empresa doar capacetes antigos. Assim foi por um bom tempo, mas sempre com ajuda da comunidade, cada um doava o que podia, sejam objetos, roupas ou serviços.

Com passar do tempo o grupo foi só ganhando mais vida. Todos os párocos que passaram pela paróquia apoiaram. Além disso, teve apoio do Poder Público. Com isso as pessoas foram se interessando cada vez mais e muitos queriam participar. Já teve anos em que mais de 200 pessoas estavam envolvidas com o espetáculo. “Hoje eu me sinto muito honrado, muito feliz, amo aquilo que faço. E tenho orgulho de ser conhecido como Zé da Semana Santa, porque sei que esse nome está gravado aqui e lá no céu”, disse satisfeito.

“Maior alegria que eu tenho nessa vida e ver minha paróquia feliz. Estou aqui para cumprir a vontade de Deus e da minha paróquia”, afirma.

Morte e

ressurreição

Durante oito anos o grupo ficou parado. Zé da Semana adoeceu e não podia mais coordená-lo, então a criação do espetáculo ficou sobre a responsabilidade do grupo de jovens da Paróquia que na época era ministrada por Padre Lázaro. Acontece que os jovens realizaram o espetáculo por apenas dois anos e não deu mais continuidade. Acharam que seria o fim, mas o grupo ressuscitou.

Zé da Semana Santa passou a ser cobrado para voltar. Já com a saúde restabelecida, em 2013 resolveu montar o espetáculo novamente. Apesar disso, ficou preocupado, queria uma pessoa para dar continuidade, pois já está idoso e cansado. “Estava em casa sentado, pensando em quem poderia me substituir, de repente veio um clarão quando a Néia (filha) passou na minha frente. Eu fitei os olhos nela e disse: Néia faz o favor, vou te fazer um convite irrecusável. Acho que você tem competência e talento para continuar o grupo. Você é a melhor pessoa para me substituir. Esse clarão, eu tenho certeza que foi o Espirito Santo que me iluminou”, conta.

A filha do senhor José aceitou o convite. Néia Aziza é uma grande profissional de dança do ventre e hoje coordena a Associação teatral, mas sempre aos olhos atentos do pai. A chegada de Néia mudou um pouco a cara do grupo. Novos espetáculos foram incorporados, como a vida de São Sebastião, padroeiro da comunidade, e o Alto de Natal. Existem ainda outros projetos voltados para peças com temas religiosos. Além disso, o grupo é responsável por várias atividades na paróquia, como bingos, festival de torta e ainda por receber grupos de congados durantes as festividades.

O grupo passou a ser uma associação, Néia se preocupou com a questão jurídica, uma diretoria com antigos e novos componentes foi formada e juntos conseguiram registrar o grupo. Hoje todo trabalho é documentado, justamente para registrar a história e deixar um legado.

Para retomar as atividades, em 2013, a associação precisou de muito apoio. Néia lembra da contribuição do prefeito Wander Borges, então deputado estadual, que conseguiu verba para novos figurinos. Hoje todos os figurinos são do grupo e emprestados para os atores, ninguém paga para utilizar as roupas.

Atualmente, o grupo conta com 90 pessoas, entre atores e produtores. Todos trabalham voluntariamente para a criação do espetáculo. Os ensaios começam em janeiro e todos se mostram muito comprometidos. O texto de todos os personagens é decorado, não existe uma gravação anterior, para que o espetáculo seja dublado.

Grupo Zé da Semana Santa: uma família

Essa é a definição de muitos que fazem parte do grupo. A paixão pelo teatro e pelo tema une a comunidade e é repassada de geração para geração, tornando uma grande família. “Nós temos aqui, pais, filhos, sobrinhos. Todos participam”, conta Néia.

Rafael Alves, ator que interpreta Jesus, é um exemplo. Ele começou aos oito anos de idade no grupo e já fez o papel dos apóstolos Tiago e João e o anjo Gabriel. Hoje participam do grupo seu sobrinho, a esposa e até seu filho de apenas dois anos já fez uma pequena participação. Além disso, durante todo esse tempo, Rafael diz que cerca de 50 pessoas de sua família já passaram pelo grupo.

Vida longa para essa família que há 40 anos emociona e evangeliza todas as pessoas que têm o prazer de assistirem ao belo espetáculo apresentado durante a Semana Santa

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