QUARTA-FEIRA, 12 DE DEZ DE 2018
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NOTICIÁRIO - SOCIAIS
04 DE DEZEMBRO DE 2018
DONA VÊNICA: uma vida exemplar

Na memória familiar a responsabilidade teria sido do oficial do Registro Civil naquela tarde de julho de 1920. Talvez por ter se exagerado na bebida, ele omitiu a sílaba “ro” na hora de anotar o nome da mais nova filha de Juca Pereira e dona Alzira Senna, nascida no dia 9. O que era para ser Verônica ficou sendo Vênica.

Diferenciada desde a certidão de nascimento, Vênica dos Santos Lima viria a ter uma vida abençoada e plena por 98 anos.

Nascida na Fazenda do Engenho Grande, no lugar denominado Córrego das Lages, em Sabará, Vênica foi a antepenúltima de oito filhos. A infância no ambiente rural marcaria profundamente sua vida no amor pela natureza, pelas plantas, pelas flores, pelos animais mas, sobretudo, pelo acolhimento ao outro. Na Fazenda eram vários os agregados que acabavam se tornando parte da família extensa. Essa virtude do acolhimento permaneceu como prática arraigada dos Santos Senna nas casas de filhos e filhas.

Vênica mudou-se para a cidade para frequentar a escola, mas conviveu com a Fazenda até que a morte prematura do pai e de dois irmãos tornou impossível sua continuidade. Educada pelas Irmãs de Nossa Senhora da Piedade no Colégio Santa Terezinha, na década de 30 do século passado, teve uma rigorosa formação católica. Ela sempre venerou a Imaculada Virgem Maria e nunca transigiu com uma doutrina conservadora de família e com os valores da justiça retributiva: estava convencida de que uma pessoa honesta, trabalhadora e ética encontraria a recompensa nesta vida e na vida eterna.

Com apenas 17 anos formou-se Normalista e aos 22, casou-se com Artur Lima Júnior, natural de Caeté e funcionário da prefeitura de Sabará. Nos 3 anos seguintes teve seus dois primeiros filhos. Antes que completasse 26 anos foi nomeada professora primária do Estado. No Grupo Escolar Paula Rocha, onde foi professora e diretora substituta por mais de 25 anos, encontrou sua grande vocação: ensinar. Dona Vênica foi educadora 24 horas por dia. Ensinou tudo que aprendeu a todos com os quais conviveu, ao longo de toda a sua vida.

No final da década de 50 e início da década de 60 teve mais dois filhos. Aposentada em 1972, iniciou uma Escolinha ensinado costura, bordado, crochê a qualquer interessado. Os trabalhos assim produzidos eram fonte de renda para doações a creches, asilos ou qualquer necessitado. Tornou-se voluntária em instituições de assistência social tanto em Sabará como em Belo Horizonte, atividade que passou a ocupar lugar central em sua vida sobretudo, após tornar-se viúva em 1982.

Esse trabalho incansável teve seu reconhecimento público. Dentre as várias homenagens que recebeu ao longo da vida vale registrar:

- Prêmio Nacional de Voluntária do Ano, 2000. AMBEV, PriceWaterHouse, TAM.

- Medalha Waldemar Gomes Baptista, 2005 - Prefeitura Municipal de Sabará

- Voluntário Querido, 2008

Centro Educacional Prof. Estevão Pinto, Belo Horizonte

- Troféu Saci, 2011

Saci Clube de Serviço, Sabará

- Honra ao Mérito, 2014

Rotary Club de Sabará

- Honra ao Mérito, 2014

Prefeitura Municipal de Sabará (Bicentenário de Aleijadinho)

- Placa de Reconhecimento, 2015 - Creche Lar de Maria, Sabará

Dona Vênica foi um leitora insaciável de jornais, revistas, livros e ouvinte permanente de rádio, nunca tendo sido uma telespectadora de televisão. Consciente de suas responsabilidades como cidadã, chamava a si mesma de “bairrista”. Era uma sabarense apaixonada, preocupada com a preservação do patrimônio histórico, sobretudo, de sua vizinha de toda vida, a Igreja de Nossa Senhora das Mercês. Ambientalista pioneira promovia a reciclagem de papel, vidro, alumínio, plástico e foi precursora na coleta seletiva de lixo.

Além de tudo isso, Dona Vênica ainda adorava música e tinha profunda admiração por quem tocasse qualquer instrumento, em particular o piano que chegou a estudar e no qual “arranhava” alguma músicas.

Embora rígida e intransigente nas suas crenças e convicções, sempre teve enorme poder de aglutinar em torno de si as mais diferentes pessoas, das mais diferentes idades e origens. Não se cansava de dizer que a vida era maravilhosa, que amava profundamente e tinha enorme orgulho de seus filhos, netos, bisnetos, noras e genros.

Viveu uma vida exemplar.

* Por Venício Lima e Família

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