SEGUNDA-FEIRA, 16 DE JUL DE 2018
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EDITORIAS - EDUCAÇÃO
23 DE ABRIL DE 2018
Um mês dedicado à literatura

“Os livros são meus pássaros, com eles eu aprendi a voar. E uma biblioteca é o espelho, onde vi o universo refletido”, Jean Paul Sartre.

Abril é um mês especial quando o assunto é literatura. Três datas são dedicadas ao livro, que talvez seja o melhor companheiro do homem, o único capaz de levar o leitor a outras dimensões, sem ao menos se mover no espaço físico.

No dia 9 de abril comemoramos o Dia Nacional da Biblioteca, a data foi escolhida por causa de decreto assinado nesse dia que instituiu no país a Semana Nacional do Livro e da Biblioteca, bem como o Dia do Bibliotecário.

Apenas nove dias depois, 18 de abril, comemoramos o Dia Nacional do Livro Infantil, nesse caso, a escolha do dia é mais glamorosa e merece todo respeito. 18 de abril é a data de nascimento de Monteiro Lobato, um dos maiores escritores infantis de todos os tempos. Com seus eternos personagens do Sítio de Pica-pau Amarelo, Monteiro Lobato foi o primeiro escritor infanto-juvenil a introduzir na literatura infantil elementos da cultura nacional, como os costumes do povo do interior e as lendas de nosso folclore.

E para encerrar as comemorações chegamos ao Dia Mundial do Livro, 23 de abril, a data também é uma homenagem. Foi no dia é 23 de abril de 1564 que nasceu o maior escritor de todos os tempos, William Shakespeare, que curiosamente, exatamente 52 anos depois morre, em 23 de abril de 1616. A data ainda marca a morte de Miguel de Cervantes, autor de Dom Quixote, um dos maiores clássicos da literatura mundial, coincidentemente, Cervantes morreu no mesmo dia e ano que Shakespeare.

Amante dos livros

Para celebrar este mês especial tão envolvido com a literatura, conversamos com Marcos Túlio Damascena, uma das referências no assunto na cidade. O idealizador da Borrachalioteca é um apaixonado pela literatura e não foi à toa que há 15 anos criou uma biblioteca dentro da borracharia de seu pai.

Túlio diz que o objetivo da Borrachalioteca é oferecer à comunidade o acesso a leitura, deixando às pessoas à vontade para chegarem e escolherem um livro, podendo levá-lo para casa. “As pessoas falam que brasileiro não gosta de ler, mas acho que o maior problema é a falta de acesso. Se não tiver acesso, não tem como”, destaca. Ele diz também que é importante o mediador, aquele que vai passar este gostar para outros, que vai indicar uma boa leitura.

A Borrachalioteca, atualmente, está inserida em uma rede regional de bibliotecas comunitárias, que conta com bibliotecas de Santa Luzia, Belo Horizonte e Betim e ainda integra a Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias, essas redes ajudam a fortalecer e disseminar o gosto pela leitura no país. “O Brasil inteiro está fazendo este trabalho de mediação de leitura, eventos, seminários, é um trabalho muito bacana feito por essas bibliotecas comunitárias”, destaca.

Hoje a Borrachalioteca conta com mais de sete mil livros, além do ponto tradicional, ao lado da borracharia, na entrada do bairro Caieiras, tem ainda o ponto de cultura Son Salvador, no Bairro Cabral. Além disso, existem muitos livros guardados, pois não tem espaço para serem expostos.

Túlio diz que as portas estão sempre abertas de segunda à sexta das 9h às 18h e aos sábados de 9h às13h. Ele se orgulha em dizer que mesmo quando não está, a biblioteca está aberta e a pessoa pode pegar os livros sem nenhuma burocracia. Sempre focado no acesso à literatura, o idealizador diz que se a pessoa procura um livro que não tem no acervo, trata logo de comprar aquela obra.

Atualmente, cerca de 220 livros são emprestados mensalmente, mas Túlio confessa, que gostaria que o número fosse maior. Além dos pontos físicos, a Borrachalioteca tem a carretinha dos livros, que leva a literatura para diversos eventos em Sabará e até em outras cidades.

Paixão passada adiante

O interesse de Túlio por livros começou na adolescência, a fonte era a Biblioteca Pública, sempre estava lendo alguma obra. Certa vez soube que Ferreira Goulart estaria em Belo Horizonte e foi até ele com um livro que era da Biblioteca, o escritor autografou o volume, o que causou um problema, como devolveria o exemplar para a biblioteca? Bom, teve que comprar outro!

Ele diz que não se restringia ao conhecimento individual. “O livro sempre fez parte da minha vida, mas eu não queria ler só para mim, queria ler para todo mundo, queria que fosse contagioso”, conta.

E a Borrachalioteca foi o caminho para contagiar as pessoas com a literatura. “O trabalho com o livro mudou toda minha perspectiva, como pessoa, na minha formação. O prazer que eu tenho em emprestar um livro é o mesmo que eu tenho em ler”, diz.

A paixão pela literatura foi estendida aos filhos, não só nos nomes, Sartre e Cecília Clarisse, como também no hábito. A pequena Cecília de 9 anos conta que está lendo dois livros no momento; “ A Droga da Obediência” e “A Bolsa Amarela”. A menina diz que para ela o livro é bom demais. “Quando eu leio um livro me sinto viajando na maionese”, conta Cecília que leu seu primeiro livro aos seis anos e ressalta que pretende levar essa paixão por toda vida.

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